Livro O Céu e o Inferno

Qual o destino do homem após a morte física? Quais as causas do temor da morte? Existem o Céu e o Inferno? A antiga crença nos anjos e demônios merece crédito? Como procede a Justiça Divina? Estas e outras questões correlatas são devidamente esclarecidas na primeira parte da obra ‘O Céu e o Inferno – ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo’, à luz da lógica e dos ensinamentos dos Espíritos. Na segunda parte, intitulada ‘Exemplos’, Kardec registra numerosas comunicações de Espíritos – classificados por categorias, tais como: felizes, sofredores, arrependidos, endurecidos, suicidas.

SEGUNDA PARTE

CAPÍTULO II

Porque os espíritas não se preocupam com a morte?

10 — A doutrina espírita muda completamente a maneira de ver -se o futuro. A vida futura não é mais uma hipótese, mas uma realidade. A situação das almas após a morte não se exp lica por meio de um sistema, mas com o resultado da observação. O véu é levantado. O mundo espiritual nos aparece em toda a sua realidade viva. Não foram os homens que o descobriram através de uma concepção engenhosa, mas os próprios habitantes desse mundo que nos vieram descrever a sua situação.

Vemo-los ali em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da ventura e da desgraça, assistimos a todas as peripécias da vida de além -túmulo. Está nisso a causa da seriedade com que os espíritas encaram a morte, da calma dos seus derradeiros instantes na Terra. O que os sustenta não é somente a esperança, mas a certeza. Sabem que a vida futura não é mais do que a continuação da vida presente em melhores condições, e esperam com a mesma confiança com que aguardam o nascimento do sol depois de uma noite tempestuosa. Os motivos desta confiança estão nos fatos que testemunharam e na concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e a bondade de Deus e com as aspirações mais profundas do homem.

Para os espíritas a alma não é mais uma abstração. Ela possui um corpo etéreo que a torna um ser definido, que podemos conceber pelo pensamento. Isso é o suficiente para nos esclarecer quanto à sua individualidade, suas aptidões e suas percepções. A lembrança daqueles que nos são caros repousa, assim, sobre algo real. Não os representamos mais como chamas fugitivas que nada dizem ao nosso pensamento, mas como formas concretas que no-los apresentam melhor como seres vivos.

Além disso, em lugar de estarem perdidos nas profundezas do espaço, estão ao nosso redor: o mundo corpóreo e o mundo espiritual estão em constantes relações e mutuamente se assistem. A dúvida sobre o futuro já não tendo mais lugar, a preocupação com a morte deixa de ter razão. Esperamo-la tranquilamente, como uma libertação, como a porta da vida e não como a do nada (10).

NOTA:

(10) A ideia de que as almas dos mortos se tornam chama s fugitivas penetrou fundamente na consciência coletiva dos povos. Vemos a sua sobrevivência até mesmo em pessoas esclarecidas que se tornam espíritas. Nas atas das sessões que realizava, por ele mesmo redigidas, o escritor Monteiro Lobato refere -se constantemente aos espíritos como gases, chamas flutuantes, etc., o que levava alguns dos comunicantes a endossarem a concepção.
Um deles lhe respondeu: Sou agora uma chamazinha errante . Referindo-se à sua própria morte, Lobato escreveu que iria passar do estado sólido ao gasoso. O Espiritismo nos mostra que a situação do homem após a morte é muito diferente disso. Conservando o corpo espiritual (de que tão precisamente trata o apóstolo Paulo em l Corintios) o espírito desencarnado conserva até mesmo a forma corp oral, as características físicas que o distinguem na vida terrena, e pode assim identificar -se em suas manifestações pela vidência, pelos fenômenos de aparição e pelos de materialização. Isso permite, ainda — o que estranha às pessoas que desconhecem o problema — que o espírito se identifique pela sua própria voz nos fenômenos de audição mediúnica ou de comunicação por voz direta. Para melhor compreensão deste problema leia -se o livro de H. Dennis Bradiey:
Rumo às Estrelas, tradução de Monteiro Lobato, reed itado pela LAKE. As teorias de Johannes são puramente pessoais e não têm valor doutrinário. O que importa nesse livro é a descrição das sessões de voz direta e a prova da sobrevivência espiritual. (N. do T.)