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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XI – GÊNESE ESPIRITUAL

PRINCIPIO ESPIRITUAL

1. – A existência do princípio espiritual é um fato que não tem, por assim dizer, mais necessidade de demonstração, como o princípio material; é, de qualquer maneira, uma verdade axiomática; afirma-se por seus efeitos, como a matéria pelo que lhe sejam próprios.

De acordo com a máxima: “TODO EFEITO TENDO UMA CAUSA, TODO EFEITO INTELECTUAL DEVE TER UMA CAUSA INTELIGENTE”, não é ninguém que não faça a diferença entre o movimento mecânico de um sino agitado pelo vento, e o movimento deste mesmo sino destinado a dar um sinal, uma advertência, atestando por isso mesmo um pensamento, uma intenção. Ora, como não pode vir à ideia de ninguém atribuir o pensamento à matéria do sino, conclui-se que ele está movido por uma inteligência à qual sirva de instrumento para se manifestar.

Pela mesma razão, ninguém tem a ideia de atribuir o pensamento ao corpo de um homem morto. Se o homem vivo pensa, é, pois, que há nele algo que não existe quando está morto. A diferença que existe entre ele e o sino é que a inteligência que faz este mover está fora dele, enquanto que a que faz agir o homem está nele mesmo.

2. – O princípio espiritual é o corolário da existência de Deus; sem este princípio, Deus não teria razão de existir porque nem se poderia mais conceber a soberana inteligência nem reinando durante a eternidade senão sobre a matéria bruta como um monarca terrestre só reinando durante toda sua vida sobre as pedras. Como não se pode admitir Deus sem os atributos essenciais da divindade; a justiça e a bondade, estas qualidades seriam inúteis se só se devessem ser exercidas sobre a matéria.

3. – Por outro lado, não se poderia conceber um Deus soberanamente justo e bom, criando seres inteligentes e sensíveis para consagrá-los ao nada após alguns dias de sofrimento sem compensações, entretendo sua vida desta sucessão indefinida de seres que nascem sem ter desejo, pensa um instante apenas para conhecer a dor, e se apagam para sempre após uma existência efêmera.

Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seria, da parte de Deus, uma crueldade sem motivo. Eis porque também o materialismo e o ateísmo são os corolários um do outro; negando a causa, não se pode admitir o efeito; negando o efeito não se pode admitir a causa. O materialismo é, pois consequente com ele próprio, se não o é com a razão.

4. A ideia da perpetuidade do ser espiritual é inata no homem; ela está nele no estado de intuição e de aspiração; compreende que aí somente está a compensação das misérias da vida; é porque sempre houve e haverá sempre mais espiritualistas que materialistas, e mais deístas que ateus.

À ideia intuitiva e ao poder do raciocínio, o Espiritismo vem juntar a sanção dos fatos, a prova material da existência do ser espiritual, de sua sobrevivência, de sua imortalidade e de sua individualidade; ele precisa e define o que este pensamento tinha de vago e de abstrato. Mostra-nos o ser inteligente operante fora da matéria, quer após, quer durante a vida do corpo.

5. – O princípio espiritual e o princípio vital são eles uma só é mesma coisa?

Partindo como sempre, da observação dos fatos, diremos que, se o princípio vital fosse inseparável do princípio inteligente, haveria alguma razão de confundi-los; mas, como se veem os seres que vivem e que nada pensam, como as plantas; corpos humanos serem ainda animados de vida orgânica nos quais não existe mais nenhuma manifestação do pensamento; que se produz no ser vivo movimentos vitais independentes de todo ato da vontade; que durante o sono a vida orgânica está em toda sua atividade, ao passo que a vida intelectual não se manifesta por nenhum sinal exterior, há lugar de admitir que a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual que é inerente ao Espírito. Desde então que a matéria tenha uma vida independente do Espírito, e que o Espírito tenha uma vitalidade independente da matéria, fica evidente que esta dupla vitalidade repousa sobre dois princípios diferentes.

6. – O princípio espiritual, tê-lo-ia sua fonte no elemento cósmico universal? Não seria apenas uma transformação, um modo de existência deste elemento, como a luz, a eletricidade, o calor, etc.?

Se o fosse assim, o princípio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria; ele feneceria pela desagregação como o princípio vital; o ser inteligente só teria uma existência momentânea como o corpo, e, à morte, retornaria ao nada, ou, o que se tornaria no mesmo, no todo universal; seria, em uma palavra, a sanção das doutrinas materialistas.

As propriedades sui generis que se reconhecem no princípio espiritual provam que ele tem existência própria, independente, pois, se tivesse sua origem na matéria, não teria estas propriedades. Desde então, que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se a esta conclusão, remontando os efeitos às causas, que o elemento material e o elemento espiritual são os dois princípios constituintes do Universo. O elemento espiritual individualizado constitui os seres chamados Espíritos, como o elemento material individualizado constitui os diferentes corpos da natureza, orgânicos e inorgânicos.

7. – O ser espiritual sendo admitido e sua fonte não podendo ser a matéria, qual seria sua origem, seu ponto de partida?

Aqui, os meios de investigação fazem absolutamente falta, como em tudo o que tenha com o princípio das coisas. O homem só pode constatar o que exista; sobre o que reste só pode emitir hipóteses; e seja que este conhecimento ultrapasse o portal de sua inteligência atual, seja que haja para ele inutilidade ou inconveniência de o possuir pelo momento, Deus não o dará, ainda que por revelação.

O que Deus o faz dizer por seus mensageiros, e que, além disso, o homem possa deduzir por si próprio do princípio da soberana justiça que é um dos atributos essenciais da Divindade, é que todos têm um mesmo ponto de partida; que todos são criados simples e ignorantes com uma igual aptidão para progredir por sua atividade individual; que todos atingirão o grau de perfeição compatível com a criatura por seus esforços pessoais; que todos, sendo os filhos de um mesmo pai, são o objeto de uma igual solicitude; que nenhum deles será mais favorecido ou melhor dotado que os demais, e dispensado do trabalho que seria imposto a outros para atender o objetivo.

8. – Ao mesmo tempo em que Deus criou os mundos materiais de toda eternidade, igualmente criou seres espirituais de toda eternidade: sem o que os mundos materiais estariam sem finalidade. Conceber-se-ia de preferência os seres espirituais sem os mundos materiais do que estes últimos sem os seres espirituais. São os mundos materiais que deveriam fornecer aos seres espirituais os elementos de atividade para o desenvolvimento de sua inteligência.

9. – O progresso é a condição normal dos seres espirituais, e a perfeição relativa o objetivo que devam atingir; ora, Deus em tendo criado toda a eternidade, e em criando sem cessar, por toda eternidade também, tê-lo-ia atingido o ponto culminante da escala.

Antes que a Terra existisse, mundos se sucederam aos mundos e, desde que a Terra saiu do caos dos elementos, o espaço era povoado por seres espirituais em todos os graus de adiantamento, desde os que nasciam à vida, até os que por toda eternidade, tinham tomado lugar entre os puros Espíritos, vulgarmente chamados de anjos.

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