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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

OBSERVAÇÕES PRELIMINARES

1. – Os fatos reportados no Evangelho, e que têm sido até aqui, considerados como milagrosos, pertencem, na maior parte à ordem dos fenômenos psíquicos, isto é, dos que têm por causa primária as faculdades e os atributos da alma. Em os aproximando dos que foram descritos e explicados no capítulo precedente, reconhece-se sem penar que há entre eles identidade de causa e de efeito. A história em mostrar análogos em todos os tempos e entre todos os povos pela razão de que, desde que haja almas encarnadas e desencarnadas, os mesmos efeitos têm dito serem produzidos. Pode-se, é verdade, contestar sobre este ponto de veracidade da História; mas, atualmente, eles se produzem sob nossos olhos, por assim dizer, à vontade e através de indivíduos que nada têm de excepcional. O fato, somente, da reprodução de um fenômeno em condições idênticas, é suficiente para provar que seja possível e submetido a uma lei, e que, desde então, não e miraculoso.

O princípio dos fenômenos psíquicos repousa. Como se tem visto, sobre a propriedade do fluido espiritual que constitui o agente magnético; sobre as manifestações de vida espiritual durante a existência e após a morte; enfim, sobre o estado constitutivo do Espírito e seu papel como força ativa da natureza. Estes elementos conhecidos e seus efeitos constatados, têm por consequência fazer com que se admita a possibilidade de certos fatos que se rejeitavam naquele tempo que se lhes atribuía uma origem sobrenatural.

2. – Sem nada prejulgar sobre a natureza do Cristo, que não entra no quadro desta obra examinar, não o considerando, por hipótese, senão como um Espírito superior, não se pode impedir de reconhecer nele um dos de ordem a mais elevada e que é colocado, por suas virtudes bem acima da humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que tem produzido, sua encarnação neste mundo só poderia ser de uma de suas missões que só são confiadas aos mensageiros diretos da Divindade para cumprimento de seus desígnios. Supondo-se que ele mesmo não fosse Deus, mas um enviado de Deus para transmitir sua palavra, ele seria mais que um profeta, porque seria um Messias divino.

Como homem, tinha a organização dos seres carnais; mas, como Espírito puro, destacado da matéria, ele devia viver a vida espiritual mais que a vida corpórea, da qual não tinha absolutamente as fraquezas; sua superioridade sobre os homens nunca conservava as qualidades particulares de seu corpo, mas a de seu Espírito que dominava a matéria de uma maneira absoluta, e a do seu perispírito haurido na parte a mais quintessenciada dos fluidos terrestres (Cap. XIV, n° 9). Sua alma devia apenas, manter com o corpo os laços estritamente indispensáveis; constantemente desembaraçado, ela deveria lhe dar uma dupla vista não apenas permanente, mas de uma penetração excepcional e bem de outra forma superiora à daquela que se vê entre os homens comuns. Devia ser o mesmo com todos os fenômenos que dependam dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos dava-lhe um imenso poder magnético secundado pelo desejo incessante de fazer o bem.

Nas curas que operava agia como médium? Pode-se considerá-lo como sendo um potente médium curador? Não; porque o médium é um intermediário, um instrumento do qual se servem os Espíritos desencarnados. Ora, Cristo não tinha necessidade de assistência; ele é que assista aos outros; ele atuava, pois, por si próprio em virtude de seu poder pessoal, assim como podem fazê-lo os encarnados em certos casos e na medida de suas forças. Qual Espírito, aliás, ousou-lhe insuflar seus próprios pensamentos e encarrega-los de transmiti-los? Se ele recebesse um influxo estranho, não poderia ser senão de Deus; conforme a definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.

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