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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XVII – PREDIÇÕES DO EVANGELHO

NINGUÉM É PROFETA EM SEU PAÍS

1.– E estando vindo em seu país, ele os instruía em suas sinagogas de sorte que, tomados de espanto, eles diziam: De onde vieram para ele esta sabedoria e estes milagres? – Não é este o filho deste carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria? E seus irmãos Jacó, José, Simão e Judas? – E suas irmãs não estão elas entre nós? De onde vê, pois, a ele todas estas coisas? E assim tornavam-no um motivo de escândalo. Mas Jesus lhes disse: Um profeta só é sem honra em seu país e na sua casa. – E não fez lá muitos milagres por causa de sua incredulidade. (São Mateus, cap. XII, v. 54 a 58)

2. – Jesus enunciou lá uma verdade passada em provérbio, que vale por todos os tempos e à qual se poderia dar mais extensão dizendo-se que ninguém é profeta em sua vida.

Na linguagem atual, esta máxima se relaciona ao crédito do qual um homem goza entre os seus e aqueles no meio dos quais vive, da confiança que lhes inspira pela superioridade do saber e da inteligência. Se há exceções, são raras e, em todos os casos, nunca são absolutas; o princípio desta verdade é uma consequência natural da fraqueza humana e pode-se explicar assim:

O hábito de se ver desde a infância, nas circunstâncias vulgares da vida, estabelece entre os homens uma sorte de igualdade material que faz que frequentemente si se refugue em reconhecer uma superioridade moral nele, do qual se tem sido o companheiro ou o comensal que saiu do mesmo meio e do qual se viu as primeiras fraquezas; o orgulho sofre de ascendência que ele é obrigado a passar. Quem quer que se eleve acima do nível comum está sempre na mira do ciúme e da inveja; os que se sentem incapazes de alcançar sua altura, esforçam-se de rebaixá-lo, pelo denegrir, pela maledicência e pela calúnia; gritam tanto mais forte quanto se vejam menores, crendo-se engrandecer e o eclipsar pelo barulho que fazem. Tal tem sido e tal será a História da humanidade, tanto que os homens não compreenderam sua natureza espiritual, e não ampliaram seu horizonte moral, também este julgamento é próprio dos Espíritos bitolados e vulgares, que reportam tudo à sua personalidade.

Por outro lado, faz-se geralmente dos homens que só se conhecem pelo seu espírito, um ideal que aumenta com o passar dos tempos e dos lugares. Despojam-nos quase da humanidade; parece que não devam nem falar nem sentir como todo mundo, que sua linguagem e seus pensamentos devam estar constantemente no diapasão da sublimidade, sem sonhar que o Espírito nem poderia estar incessantemente tenso e num estado perpétuo de superexcitação. No contato diário da vida privada, vê-se muito o homem material que nada o distingue do vulgar. O homem corpóreo que atinge os sentidos, apaga quase o homem espiritual que só toca o Espírito; de longe, só se vê os clarões do gênio; de perto vê-se os repousos do Espírito.

Após a morte, a comparação não mais existe, o homem espiritual fica só, e parece tanto maior quanto a lembrança do homem corpóreo esteja mais distante. Eis porque os homens que marcaram sua passagem sobre a Terra pó obras de um valor real são mais apreciados após sua morte, do que de sua vivência. São julgados com mais imparcialidade, porque os invejosos e os ciumentos desapareceram, os antagonismos pessoais não existem mais. A posteridade é um juiz desinteressado que aprecia a obra do Espírito, aceita-a sem entusiasmo cego se for boa, rejeita-a sem rancor se for má, abstração feita da individualidade que a produza.

Jesus podia tanto menos escapar das consequências deste princípio inerente à natureza humana, já que vivia num meio pouco esclarecido e entre homens todos inteiros na vida material. Seus compatriotas só viam nele o filho do carpinteiro, o irmão de homens também ignorantes quanto eles e indagavam o que poderia torná-lo superior a eles e lhes dar o direito de censurá-los; também vendo que sua palavra tinha menos crédito sobre os seus, que o desprezavam, do que para os estranhos, ele foi pregar entre os que o escutavam e no meio onde encontrava simpatia. Pode-se julgar de quais sentimentos seus próximos estavam animados a respeito disso para esse fato, que seus próprios irmãos acompanhados de sua mãe , vieram em uma reunião  onde ele se encontrava, para se apoderar dele dizendo que ele tinha perdido o Espírito. (São Marcos, cap. III, v. 20 e 21, 31 a 35 – Evangelho conforme o Espiritismo, cap. XIV)

Assim, de um lado, os sacerdotes e os fariseus acusando Jesus de agir pelo demônio; de outro, ele era taxado de desatino pelos seus mais próximos parentes. Não é assim que se usa atualmente em relação aos espíritas e estes devem se queixar de não serem mais bem tratados pelos seus concidadãos do que não o foi Jesus? O que não tinha nada de estonteante há dois mil anos, entre um povo ignorante, e mais estranho no século dezenove entre as nações civilizadas.

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