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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo II – Deus

A VISTA DE DEUS

31. – Uma vez que Deus está em toda parte, por que não o vemos? Vê-lo-emos, deixando a Terra? Tais são as questões que se apresentam diariamente.

A primeira é fácil de responder, nossos órgãos materiais têm percepções limitadas que os tornam impróprios à visão de certas coisas, mesmo materiais. É assim que certos fluidos escapam totalmente à nossa vista e aos nossos instrumentos de análise, e, portanto, não duvidamos de sua existência. Vemos o efeito da peste (f) e não vemos o fluido que a transporta; vemos os corpos se moverem sob influência da força de gravitação e não vemos esta força.

32. – As coisas de essência espiritual não podem ser percebidas por organismos materiais; apenas pela visão espiritual é que podemos ver os Espíritos e as coisas do mundo material; nossa alma, apenas, pode, pois ter a percepção de Deus. Vê-la-ia ela, imediatamente após a morte? É o que as comunicações de além túmulo podem somente nos ensinar. Por elas sabemos que a vida de Deus só é privilégio das almas mais depuradas e que, bem assim, pode possuírem, abandonando sua vestimenta terrestre, o grau de desmaterialização necessário. Qualquer comparação vulgar fá-lo-ão facilmente compreender.

33. – Aquele que está no fundo de um vale envolvido por uma bruma espessa, não vê o Sol; conforme, como dissemos anteriormente, pela luminosidade difusa ele julga a presença do sol. Se ele escalar a montanha, à medida que se eleva, o nevoeiro se desfaz, a luz começa a ser cada vez mais viva, mas ele não vê, ainda, o Sol; quando ele começa a percebê-lo, ele está ainda coberto, porque o menor nevoeiro é suficiente por encobrir sua revelação. Apenas quando o ser completamente elevado acima da camada brumosa, que se encontrando em uma atmosfera completamente pura, ele o vê em todo seu esplendor.

É da mesma forma, pois, que a cabeça estará coberta por vários véus; a princípio, não vê absolutamente nada; a cada véu que suspende, distingue uma luz cada vez mais clara; só quando o último véu se dissipa é que percebe nitidamente as coisas.

Ainda o é igual um licor carregado de matérias estranhas; é confuso, a princípio; a cada destilação sua transparência aumenta, até que, estando completamente depurado, adquire uma limpidez perfeita e não apresenta nenhum obstáculo à sua visão.

Assim o é a alma. O envoltório perispiritual, se bem que invisível e impalpável por nós, é, por ela, uma verdadeira matéria, bastante grosseira ainda para certas percepções. Este envoltório se espiritualiza à medida que a alma se eleva em moralidade. As imperfeições da alma são como os véus que obscurecem sua vista; cada imperfeição da qual se desfaz é um véu a menos, mas só o é após estar-se completamente depurada que ela desfruta da plenitude de suas faculdades.

34.- Deus, sendo a essência divina por excelência, não pode ser percebido em toda sua claridade senão por Espíritos chegados ao mais alto grau de desmaterialização. Se os Espíritos imperfeitos não o vêm, não é que eles estejam mais distantes que os outros; como eles, como todos os seres da natureza, estão mergulhados no fluido divino, como nos estamos na luz; somente suas imperfeições são véus que lhe furtam a visão; quando o nevoeiro estiver dissipado, eles o verão resplandecer; até lá, não terão necessidade nem de se elevar nem de ir procurá-lo nas profundezas do infinito; a visão espiritual estando desembaraçada das belidas (manchas) morais que a obscureciam, eles o verão em qualquer lugar que se encontrarem, que o seja mesmo na Terra, porque está em toda parte.

35. O espírito só se depura com o tempo e as diferentes encarnações são os alambiques ao fundo dos quais deixa, a cada vez, algumas impurezas. Em deixando seu envoltório corporal, ele não se despoja instantaneamente de suas imperfeições; é porque, ocorre que, depois da morte não veem mais Deus que de sua vida; mas, à medida que se purificam, eles apresentam uma intuição mais distinta; se não o veem, compreendem-no melhor; a luz é menos difusa. Então, pois, quando os Espíritos dizem que Deus lhes impede de responder a tal questão, não é que Deus os apareça, ou lhes dirija a palavra para lhes prescrever ou interditar tal ou qual coisa, não; mas eles o sentem; recebem os eflúvios de seu pensamento, como lá nos chega a atenção dos Espíritos que nos envolvem com seus fluidos, embora nós não o vejamos.

36. – Nenhum homem pode, pois, ver Deus com os olhos da carne. Se este favor fosse concedido a alguns, não o seria senão ao estado de êxtase, no caso em que a alma estando desprendida dos laços da matéria, quanto fosse possível durante a encarnação. Um tal privilégio só aconteceria d’alhures com almas de elite, encarnadas em missão e não em expiação. Mas como os Espíritos de ordem mais elevada resplandecem de um clarão encantador, é possível que os Espíritos menos elevados encarnados ou desencarnados, pasmado com o esplendor que os envolva, creiam ter visto o próprio Deus. Tal se vê perfeitamente um ministro tomado por seu soberano.

37. – Sob qual aparência Deus se apresenta aos que se tornam dignos deste favor? Será sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana ou como um foco resplandecente de luz? É que a linguagem humana é impotente para descrever, porque não existe entre nós nenhum ponto de comparação que possa nos dar uma ideia; somos como os cegos aos quais se procura, em vão, fazer que compreenda o brilho solar. Nosso vocabulário está limitado a nossas necessidades e ao círculo de nossas ideias; o dos selvagens não saberia descrever as maravilhas da civilização; o dos povos mais civilizados é muito pobre para descrever os esplendores dos céus, nossa inteligência muito limitada para os compreender e nossa visão muito fraca seria ofuscada.


NOTA DO TRADUTOR

(f) Os estudos de Pasteur sobre a micro bacteriologia datam de 1870 em diante, quando ele descobriu a causa fermentação da cerveja.

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