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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo VI – Uranografia Geral

A Criação Primeira

12. – Após ter considerado o Universo sob os pontos de vista gerais de sua composição, de suas leis e de suas propriedades, podemos levar nossos estudos para o modo de formação que deu o dia aos mundos e aos seres; baixaremos, em seguida, à criação da Terra em particular e a seu estado atual na universalidade das coisas e então, tomando este globo por ponto de partida e como unidade relativa, procederemos a nossos estudos planetários e siderais.

13. – Se houvermos bem compreendido a relação, ou antes, a oposição da eternidade com o tempo, se nos familiarizarmos com esta ideia de que o tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias, enquanto que a eternidade é essencialmente uma, imóvel e permanente, e que não se torna susceptível de nenhuma medida ao ponto de vista da duração, compreenderemos que, através dela não existe nem começo nem fim.

Por outro lado, se fizermo-nos uma justa ideia – contudo necessariamente bem fraca –, da imensidão do poder divino, compreenderemos como é possível que o Universo tenha sempre existido e o sido sempre. Do momento onde Deus ficou, suas perfeições eternas se pronunciaram. Antes que os tempos se formassem, a eternidade incomensurável recebeu a palavra divina e fecundou o espaço eterno tal seja ela.

14. – Deus sendo, por sua natureza, todo eterno, criou de toda a eternidade e não poderia ser de outra forma; porque a qualquer época longínqua que retrocedamos em imaginação, os limites supostos da Criação, restará sempre além deste limite uma eternidade – pese bem este pensamento – uma eternidade durante a qual as divinas hipóstases (e), as volições infinitas teriam estado sepultadas em uma muda letargia inativa e fecunda, uma eternidade de morte aparente para o Pai eterno que dá vida aos seres, de mutismo indiferente para o verbo que os governa, de esterilidade fria e egoística para o Espírito de amor e de vivificação.

Compreendamos melhor a grandeza da ação divina e sua perpetuidade sob a mão do ser absoluto! Deus é o sol dos seres; é a iluminação do mundo. Ora, a aparição do Sol dá instantaneamente nascimento a ondas de luz que vão se propalando por toda parte na vastidão; do mesmo modo, o Universo, nascido da Eternidade, remonta aos períodos inimagináveis do infinito na duração, ao Fiat lux inicial.

15. – O início absoluto das coisas, remonta, pois a Deus; suas aparições sucessivas no domínio da existência constituem a ordem da criação perpétua.

Qual imortal saberia dizer sobre as magnificências desconhecidas e soberbamente veladas sob a noite das idades que se desenvolveram nestes tempos antigos onde nada de maravilha do Universo atual existia; nesta época primitiva onde a voz do Senhor fazendo-se ouvir, os materiais que deveriam, no futuro, reunir-se simetricamente e por si mesma por forma o templo da natureza, encontrar-se-iam de súbito no centro das vidas infinitas; quanto a esta voz misteriosa que cada criatura venera e acaricia como se de uma mãe, notas harmoniosamente variadas produzir-se-iam para ir vibrar juntamente e modular o concerto dos vastos céus!

O mundo em seu berço jamais foi estabelecido em sua virilidade e em sua plenitude de vida; não: o poder criador não se contradiz nunca e, como todas as coisas, o Universo nasceu menino. Revestida das leis mencionadas mais acima, e da impulsão natural inerente à sua formação própria, a matéria primitiva deu sucessivamente origem a turbilhões, a aglomerações deste fluido difuso, a montão de matéria nebulosa que se dividiu por si e se modificou ao infinito para produzir, nas regiões incomensuráveis da extensão, diversos centros de criações simultâneas ou sucessivas.

Em razão das forças que predominaram sobre um ou sobre outro, e das circunstâncias ulteriores que presidiram a seus desenvolvimentos, estes centros primitivos tornaram-se os focos de uma vida especial; alguns menos disseminados no espaço e mais ricos em princípios e em forças atuantes começaram desde então sua vida astral particular; os outros ocupando uma extensão ilimitada, ampliaram-se apenas com uma extrema lentidão ou se dividiram de novo em outros centros secundários.

16. – Reportando-nos há alguns milhões de séculos somente, acima da época atual, nossa Terra não existe ainda, nosso sistema solar, ele mesmo, não começou as evoluções da existência planetária; e durante este tempo já esplêndidos sóis iluminavam o éter; já planetas habitados davam a vida e a existência a uma multidão de seres que nos precederam à carreira humana; as produções opulentas de uma natureza desconhecida e os fenômenos maravilhosos do céu desenvolvendo sob outros olhares os quadros da imensa criação. Que digo! Agora os esplendores não mais são como outrora fazendo palpitar o coração de outros mortais sob o pensamento do infinito poder! E nós, pobres pequenos seres mortificamos após uma eternidade de vida, julgamo-nos contemporâneos da Criação!

Ainda uma vez, compreendamos melhor a natureza. Saibamos que a eternidade esta após nós como antes, que o espaço é o teatro de uma sucessão e de uma simultaneidade inimaginável de criações. Tais nebulosas que distinguimos com dificuldade na lonjura do céu, são aglomerações de sóis em via de formação; tais outras são vias lácteas de mundos habitados; outras, enfim, o sítio de catástrofes ou de enfraquecimento. Saibamos, mesmo, que estamos colocados no meio de uma infinidade de mundos, mesmo que estamos no meio de uma dupla infinidade de durações anteriores e posteriores; que a criação universal não é apenas para nós, e que devemos reservar este conceito à formação isolada de nosso pequeno globo.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

(e) Provavelmente Kardec se refira, falando em hipóstases a um princípio grego relativo à realidade em oposição ao que seja aparente.

 

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