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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

Capítulo VI – Uranografia Geral

A Via Láctea

32. – Durante as belas noites estelares e sem lua, cada um pôde distinguir este luar alvacento que atravessa o céu de uma extremidade à outra, e que os Anciões tinham denominado de Via Láctea, por causa de sua aparência leitosa. Este luar difuso tem sido longamente explorado pelas lentes do telescópio nos tempos modernos e este caminho de pó de ouro, ou este riacho de leite da antiga mitologia, transformou-se em um vasto campo de maravilhas desconhecidas. As pesquisas dos observadores têm levado ao conhecimento de sua natureza e têm mostrado lá onde o olhar perdido só encontra uma tênue claridade, milhões de sóis mais luminosos e mais importantes do que o que nos alumia.

33. – A Via Láctea, de fato, é uma campina semeada de flores solares ou planetárias que brilham em sua vasta extensão. Nosso Sol e todos os corpos que a acompanham, fazem parte desses globos radiantes dos quais se compõe a Via Láctea; mas, malgrado suas dimensões gigantescas relativamente à Terra e à grandeza de seu império, ocupa, apenas um lugar inapreciável nesta vasta criação. Pode-se computar uma trintena de milhões de sóis semelhantes a ele que gravitam nesta imensa região, distanciados cada um dos outros de mais de cem mil vezes o raio da órbita terrestre. (7)

34. – Pode-se julgar, por esta aproximação da extensão desta região sideral e da relação que une nosso sistema à universalidade dos sistemas que o ocupam. Pode-se julgar igualmente a exiguidade do domínio solar e, à mais forte razão, do nada de nossa pequena Terra. Que será, pois, se considerarmos os seres que as povoam?

Digo do nada, porque nossa determinação se aplica, não somente à extensão material, física, dos corpos que estudamos – este seria pouco – mas ainda e, sobretudo a seu estado moral de habitação, ao grau que ocupam na universalidade hierárquica dos seres. A criação aí se mostra em toda sua majestade, criando e propagando tudo em volta do mundo solar e, em cada um dos sistemas que o envolvem de todas as partes, as manifestações da vida e da inteligência.

35. – Conhece-se desta maneira a posição ocupada pelo nosso Sol ou pela Terra no mundo das estrelas; estas considerações adquirirão um maior peso ainda si se referir ao estado mesmo da Via Láctea que, na imensidão das criações siderais, ela mesma representa apenas um ponto insensível e inapreciável visto de longe; porque ela não é outra coisa senão uma nebulosa estelar, como as existem aos milhares no espaço. Se ela nos parece mais vasta e mais rica eu as outras, é por esta simples razão de que ela nos envolve e se desenvolve em toda sua extensão sob nossos olhos; enquanto que as outras, perdidas nas profundezas insondáveis, deixam-se apenas entrever.

36. – Ora, se sabemos que a Terra não é nada ou quase nada no sistema solar, este nada ou quase nada na Via Láctea, aquela pouca coisa ou quase nada na universalidade das nebulosas e esta universalidade, ela própria muito pouco no meio do imenso infinito, começar-se-á a compreender o que é o globo terrestre. (l)


NOTAS

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

(7) Mais de 3 trilhões, 400 bilhões de léguas.

 

NOTAS DO TRADUTOR

(l) Aqui fica patente a opinião de Kardec perante as Santas Escrituras que têm a Terra como sendo a obra prima do Universo. Sem entrar nesse mérito, o texto mostra que, pela nossa insignificância perante tudo mais que existe no espaço sideral, somos, apenas, minúscula poeira de existência e que, como tal, não seria a “obra prima” da Criação.