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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo VI – Uranografia Geral

As estrelas fixas

37. – As estrelas que chamamos de fixas e que constelam os dois hemisférios do firmamento não são absolutamente isoladas de toda atração exterior como se supõe geralmente; longe disso, elas pertencem, todas, a uma mesma aglomeração de astros estelares. Esta aglomeração não é outra senão a grande nebulosa da qual fazemos parte e da qual o plano equatorial que se projeta no céu recebeu o nome de Via Láctea. Todos os sóis que a compõem são solidários; suas múltiplas influências reagem perpetuamente uma sobre a outra, e a gravitação universal as reúne todas em uma mesma família.

 

38. – Entre estes diversos sóis, a maior parte é, como o nosso, envolta de mundos secundários que eles iluminam e fecundam dentro da mesma lei que preside a vida de nosso sistema planetário. Alguns, como “Syrius”, são milhares de vezes mais magníficos em dimensão e em riqueza que o nosso e seu papel mais importante no Universo, do mesmo modo que planetas em maior número e bem superiores aos nossos os circundam. Ademais, são muito diferentes por suas funções astrais. É assim que um certo número de sóis, verdadeiros gêmeos da ordem sideral, está acompanhado de seus irmãos da mesma idade e forma no espaço, sistemas binários aos quais a natureza deu funções distintas das que cabem o nosso Sol. Lá, os anos não se medem mais pelos mesmos períodos, nem os dias pelos mesmos sóis e estes mundos iluminados por uma dupla flama receberam em partilha de condições de existência inimagináveis para os que não saíram deste pequeno mundo terrestre.

Outros astros, sem cortejo, privados de planetas, receberam melhores elementos de habitabilidade os quais são dados a qualquer um. As leis da natureza estão diversificadas em sua imensidão e se a unidade é a grande palavra do universo, a variedade infinita não o é menos o eterno atributo.

 

39. – Malgrado o número prodigioso destas estrelas e de seus sistemas, malgrado as distâncias incomensuráveis que as separam, não pertencem menos, todas à mesma nebulosa estelar que a visão dos mais poderosos telescópios possa, a duras penas, atravessar, e que, as concepções mais audaciosas da imaginação possam com dificuldade superar; nebulosa que, todavia, não passa de uma unidade das nebulosas que compõem o mundo astral.

 

40. – As estrelas que se chamam de fixas não são nada imóveis na vastidão. As constelações as quais têm figurado na abóbada do firmamento não são criações simbólicas reais. A distância da Terra e a perspectiva sob a qual se mede o Universo após esta estação são as duas causas desta dupla ilusão de óptica.

 

41. – Temos visto que a totalidade dos astros que brilham no zimbório azulado, está contida numa mesma aglomeração cósmica, em uma mesma nebulosa que nomeaste Via Láctea; mas, por pertencer todos ao mesmo grupo, estes astros não o são menos animados, cada qual,de um movimento próprio de translação no espaço. O repouso absoluto não existe em nenhuma parte; são regidos pelas leis universais de gravitação e giram pela vastidão sob impulso incessante desta força imensa; rolam jamais seguindo rotas traçadas pelo acaso, mas seguindo órbitas fechadas cujo centro é ocupado por um astro superior. Por tornar minhas palavras mais compreensíveis pelo exemplo, falarei especialmente do vosso Sol.

 

42 – Sabe-se, por observações modernas que ele nem está fixo nem central, como se acreditava nos primeiros dias da astronomia nova, mas, que ele avança no espaço, arrastando com ele seu vasto sistema de planetas, de satélites e de cometas.

Ora, esta marcha não é nada fortuita e ele não vai jamais, errante nas vides infinitas, extraviar-se longe das regiões que lhe sejam consignadas, seus filhos e seus dependentes. Não, sua órbita é mensurável e, concorrentemente com outros sóis da mesma ordem que ele, e circundados como ele, de um certo número de terras habitadas, gravita em torno de um Sol central. Seu movimento de gravitação assim como o dos sóis seus irmãos, é desapercebido em observações anuais, porque períodos seculares em grande número serviriam apenas para marcar o tempo de um destes anos astrais.

 

43. – O Sol centro do qual acabamos de falar é, ele mesmo, um globo secundário relativamente a um outro mais importante ainda, em volta do qual se perpetua uma marcha lenta e medida em companhia de outros sóis da mesma ordem.

Poderíamos constatar esta subordinação sucessiva de sóis a sóis até o que nossa imaginação se torne fatigada de escalar uma tal hierarquia; porque não nos esqueçamos, pode-se computar em números redondos uma trintena de milhões de sóis na Via Láctea, subordinados uns aos outros, como engrenagens gigantescas de um imenso sistema.

 

44 – E estes astros, em números incomparáveis, vivem cada um de uma vida solidária; do mesmo modo que nada está isolado da economia de vosso pequeno mundo terrestre, também nada se encontra isolado no incomensurável Universo.

Estes sistemas de sistemas pareceriam de longe, à vista do investigador, do filósofo, que poderiam abarcar o quadro desenvolvido pelo espaço e pelo tempo, uma poeira de pérolas de ouro erguida em turbilhões sob o sopro divino que faz voar os mundos siderais nos céus, como os grãos de areia sobre as cotas do deserto.

Mais de imobilidade, mais de silêncio, mais de noite! O grande espetáculo que se desenrola da condição sob nossas observações seria a criação real, imensa e plena da vida etérea que abraça no conjunto imenso a visão infinita do Criador.

Mas nós não temos até aqui falado senão de uma nebulosa; seus milhões de sóis e de terras habitadas, não formam como temos dito, senão, uma ilha no arquipélago infinito.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

 

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