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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

Capítulo VI – Uranografia Geral

As leis e as forças

8. – Se um destes seres desconhecidos que consomem suas existência efêmera ao fundo das regiões tenebrosas do oceano; se um destes poligástricos, destas nereidas – miseráveis animálculos que só conhecem da natureza os peixes ictiófagos e a flora submarina – recebesse, de um só golpe o dom da inteligência, a faculdade de estudar seu mundo e de estabelecer sobre suas apreciações um raciocínio conjetural estendido à universalidade das coisas, que idéia formaria da natureza viva que se desenvolve em seu meio, e do mundo terrestre que não pertencem ao campo de suas observações?

Assim, agora, por um efeito maravilhoso de seu novo poder este mesmo ser conseguisse se elevar acima de suas trevas eternas, à superfície do mar, não longe das praias opulentas de uma ilha com vegetação esplêndida sob o sol fecundo distribuidor de um benfazejo calor, que julgamento possuiria então sobre suas teorias antecipadas da criação universal, teoria que ele encobriria logo por uma apreciação mais ampla, mais relativamente ainda também incompleta como a primeira? Tal é – ó homens! – a imagem de vossa ciência toda especulativa (3).

9. – Já que venho, pois, tratar aqui da questão das leis e das forças que regem o Universo, eu que, como vós, sou apenas um ser relativamente ignorante ao preço da ciência real, malgrado a aparente superioridade que me dá sobre meus irmãos da Terra a possibilidade que me cabe de estudar as questões naturais que lhe são proibidas em sua posição, meu alvo é somente o de expor a noção geral das leis universais, sem explicar em minúcias o modo de ação e a natureza das forças especiais em dependência.

10. – É um fluido etéreo que preenche o espaço e penetra os corpos; este fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geratriz do mundo e dos seres. Ao éter são inerentes as forças que presidem as metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo. Estas forças múltiplas, indefinidamente variadas segundo as combinações da matéria, localizadas segundo as massas, diversificadas em seus modos de ação segundo as circunstâncias e os meios, são conhecidas na Terra pelos nomes de peso, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade ativa; os movimentos vibratórios do agente são os de: som, calor, luz, etc. Em outros mundos, apresentam-se sob outros aspectos, oferecem outras características incomuns a eles, e na imensa extensão dos céus, um número indefinido de forças desenvolve-se em uma escala inimaginável do que somos também pouco capazes de avaliar a grandeza que o crustáceo ao fundo do oceano o é de abarcar a universalidade dos fenômenos terrestres. (4)

Ora, do mesmo que só há uma única substância simples, primitiva, geradora de todos os corpos, mais diversificados em suas combinações, do mesmo todas estas forças dependem de uma lei universal diversificada em seus efeitos que se a encontra à sua origem e que, em seus decretos eternos foi soberanamente imposta à criação para se constituir a harmonia e a estabilidade permanentes.

11. – A natureza jamais se opôs a ela própria. O brasão do Universo tem apenas uma divisa: UNIDADE / VARIEDADE. Remontando à escala dos mundos, encontra-se a unidade da harmonia e da criação ao mesmo tempo em que uma variedade infinita neste imenso canteiro de estrelas; percorrendo os graus da vida, desde o último dos seres até Deus, a grande lei de continuidade se faz reconhecer; considerando as forças nelas mesmas, pode-se com isso formar uma série cuja resultante, confundindo-se com a geratriz, é a lei universal.

Vós não saberíeis apreciar esta lei em toda sua extensão, já que as forças que a representam no campo de vossas observações são restritas e limitadas; entretanto a gravitação e a eletricidade podem ser apreciadas como uma larga aplicação da lei primordial que rege para além dos céus.

Todas estas forças são eternas – explicaremos esta palavra – e universais como a Criação; estando inerente ao fluido cósmico, elas atuam necessariamente em tudo e por toda parte, modificando sua ação pela sua simultaneidade ou sua sucessão; predominante aqui, eclipsando-se mais longe; poderosa e ativa em certos pontos, latentes ou secretas em outros; mas finalmente, preparando, dirigindo, conservando e destruindo os mundos em seus diversos períodos de vida, governando os trabalhos maravilhosos da natureza em qualquer ponto que se executem, assegurando para sempre o eterno esplendor da Criação.

 


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

(3) Tal é também a situação dos negadores do mundo dos Espíritos, logo após ter despojado seu envolvimento voluptuoso, os horizontes deste mundo se desmoronam a seus olhos. Compreendem, então, o vazio das teorias pelas quais pretendiam explicar tudo exclusivamente pela matéria. Entretanto, estes horizontes têm ainda, para eles, seus mistérios que só se revelam sucessivamente, à medida que se elevam pela depuração. Mas, desde seus primeiros passos neste mundo novo, eles são forçados a reconhecer sua cegueira, e quão longe eles estavam da verdade.

(4) Nós reportamo-nos em suma àquilo que conhecemos e não compreendemos mais o que escapa à percepção de nossos sentidos, assim como o cego de nascença não compreende os efeitos da luz e a utilidade dos olhos. É possível, pois, que em outros meios o fluido cósmico tenha propriedades, combinações das quais não temos a menor ideia, dos efeitos apropriados às necessidades que nos sejam desconhecidas, dando lugar a percepções novas ou a outros modos de percepção. Não compreendemos, por exemplo, como se possa ver sem os olhos do corpo e sem a luz; mas, quem nos diz que não exista outros agentes que a luz para os quais sejam efeitos de organismos especiais? A visão sonambúlica, que não é detida nem pela distância, nem por obstáculos materiais, nem pela obscuridade, nos oferece um exemplo. Suponhamos que, em um mundo qualquer os seres sejam normalmente o que nossos sonâmbulos o sejam excepcionalmente, eles não terão necessidade nem de nossa luz nem de nossos olhos, e, portanto, verão o que não podemos ver. Assim o é com as demais sensações. As condições de vitalidade e perceptibilidade as sensações e as necessidades variam conforme os meios.