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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo VI – Uranografia Geral

Os cometas

28 – Astros errantes, mais ainda que os planetas que conservaram a denominação etimológica, os cometas serão os guias que nos ajudarão a franquear os limites do sistema ao qual pertence a Terra, para nos levar pelas regiões distantes da extensão sideral.

Mas, antes de explorar, com auxílio destes viajantes do Universo, os domínios celestes, será bom fazer conhecer, o tanto quanto seja possível, sua natureza intrínseca e seu papel na economia planetária.

 

29. – Tem-se frequentemente visto nestes astros cabeludos mundos em nascimento, elaborando em seu caos primitivo as condições de vida e de existência que são dadas em partilha às terras habitadas; outros têm imaginado nestes corpos extraordinários mundos em estado de destruição e sua aparência singular foi para muitos o motivo de apreciações errôneas sobre sua natureza; de tal sorte que não é, desde a astrologia judiciária quem não o tivesse feito presságios de infelicidade enviados pelos decretos providenciais à Terra tonta e apavorada.

 

30. – A lei de variedade é aplicada com uma tão grande profusão nos trabalhos da natureza que se indaga como os naturalistas, astrônomos ou filósofos, têm criado tantos sistemas para assimilar os cometas aos astros planetários e para não ver neles senão astros em um grau mais ou menos elevado de desenvolvimento ou de caducidade. Os quadros da natureza deviam amplamente bastar, todavia, para afastar do observador a atenção de encontrar referências que não existam e deixar aos cometas o papel modesto, mas útil, de astros errantes servindo de explorador pelos impérios solitários. Porque os corpos celestes dos quais se discute são todos outros quais corpos planetários. Eles nunca têm, como outros, o destino de servir de morada para humanos; eles vão sucessivamente de sol em sol, enriquecendo-se por vezes em rota de fragmentos planetários reduzido a estado de vapores, haurindo na sua lareira os princípios vivificantes e renovadores que derramam sobre os mundos terrestres.

 

31. – Se, quando um destes astros se aproxima de nosso pequeno globo, para atravessar sua órbita e retornar a seu apogeu situado a uma distância incomensurável do Sol, nós o seguirmos, pelo pensamento, para visitar com ele os sítios siderais, transporíamos esta extensão prodigiosa de matéria etérea que separa o Sol das estrelas as mais vizinhas, e, observando os movimentos combinados deste astro que o creríamos perdido no deserto do infinito, encontraríamos lá ainda uma prova eloquente da universalidade das leis da natureza, que se exercitam a distâncias que a imaginação a mais ativa pode, a duras penas, conceber.

Lá, a forma elíptica toma a forma parabólica e a marcha se torna lenta a ponto de percorrer apenas alguns metros no mesmo tempo em que no seu perigeu ele percorrera miríades de léguas. Talvez um Sol mais poderoso, mais importante que aquele que ele veio de deixar, agirá sobre este cometa uma atração preponderante e o receberá na fileira de seus próprios objetos, e então os filhos estonteados de vossa pequena terra esperarão em vão o retorno que haviam prognosticado por observações incompletas. Neste caso, nós, cujo pensamento seguiu o cometa errante em suas regiões desconhecidas, reencontraremos, então, uma nova nação não encontrável pelas observações terrestres, inimagináveis para os Espíritos que habitam a Terra, inconcebível, até, a seus pensamentos, porque será o teatro de maravilhas inexploradas.

Somos provindos ao mundo astral, neste mundo resplandecente de vastos sóis que irradiam no espaço infinito, e que são as flores brilhantes do jardim magnífico da Criação. Chegados aí, saberemos apenas o que é a Terra.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

 

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