[layerslider id=”3″]

A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
Print Friendly, PDF & Email

Capítulo VI – Uranografia Geral

Os desertos do espaço

45. – Um deserto imenso, sem limites, estende-se além da aglomeração de estrelas das quais viemos de falar e englobar. Solidões sucedem a solidões, e as planícies imensas do vazio se estendem ao longe. Os montões de matéria cósmica, encontrando-se isolados no espaço como as ilhas flutuantes de um imenso arquipélago, se o quisermos apreciar de alguma maneira a ideia da enorme distância que separa o montão de estrelas das quais fazemos parte, das mais próximas aglomerações, é preciso saber que estas ilhas estelares estão disseminadas e raras no vasto oceano dos céus e que a extensão que as separa umas das outras é incomparavelmente maior que aquela que mede suas dimensões respectivas.

Ora, lembra-se que a nebulosa estelar mede, em números redondos, mil vezes a distância das mais próximas estrelas tomada por unidade, ou seja, algumas centenas de mil trilhões de léguas. A distância que se estende entre elas estando muito mais vasta não poderia ser expressa por números accessíveis à compreensão de nosso espírito; a imaginação só, nestas mais altas concepções, é capaz de superar esta imensidão prodigiosa, estas solidões mudas e privadas de toda aparência de vida e de examinar, de alguma forma, a ideia deste infinito relativo.

46. – Este deserto celeste, entretanto, que envolve nosso universo sideral, e que parece estender-se como os confins recuados de nosso mundo astral, está abrangido pela vida e pelo poder infinito do Mais-Elevado que, para além destes céus de nossos céus, desenvolveu a trama de sua criação ilimitada.

47. – Além destas vastas solidões, de fato, dos mundos radiantes em suas magnificências tanto quanto nas regiões accessíveis às investigações humanas, além destes desertos, esplêndidos oásis vagueantes no límpido éter, e renovam incessantemente as cenas admiráveis da existência e da vida. Além, desenrolam-se os agregados longínquos de substância cósmica, que a visão profunda do telescópio entrevê através de regiões transparentes de nosso céu; estas nebulosas que nomeais irresolúveis e que vos aparecem como leves nuvens de poeira branca, perdidos em um ponto desconhecido do espaço etéreo. Lá se revelam e se desenvolvem mundos novos onde, condições variadas e estranhas a estas e que são inerentes a vosso globo, dão-lhe uma vida que vossa concepção não pode imaginar, nem vosso estudo constatar. É lá que resplandece em toda sua plenitude o poder criador; para os que vêm das regiões ocupadas por vosso sistema, as manifestações da vida e as rotas novas que seguimos nestes países estrangeiros, abrem-nos perspectivas desconhecidas.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

 

Print Friendly, PDF & Email