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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

Capítulo VI – Uranografia Geral

Os satélites

24. – Antes que as massas planetárias não houvessem atingido um grau de resfriamento para que se operasse a solidificação, massas muito pequenas, verdadeiros glóbulos líquidos, foram destacados de algumas no plano equatorial, plano no qual a força centrífuga é maior, e, em virtude das mesmas leis, adquiriram um movimento de translação em torno de seu planeta geratriz como o tem sido com aqueles, em torno de seu astro central gerador.

Foi assim que a Terra deu nascimento à Lua cuja massa menos considerável teve um resfriamento mais imediato. Ora, as leis e as forças que presidiram seu destacamento do equador terrestre e seu movimento de translação neste mesmo plano, agiram de tal maneira que este mundo, em vez de se revestir da forma esferoide, imprimiu o de um globo ovoide, isto é, tendo a forma alongada de um ovo onde o centro de gravidade estaria fixo na parte inferior.

25. – As condições nas quais se efetuou a desagregação da lua, permitiram-lhe apenas que se afastasse da Terra e a forçar a permanecesse perpetuamente suspensa em seu céu, como uma figura ovoide em que as partes mais pesadas formariam a parte inferior voltada para a Terra e onde as partes menos densas ocupariam o cume, se o designarmos por este nome o lado voltado oposto à Terra e se elevando pelo céu. É o que faz com que este astro nos mostre continuamente a mesma face. É possível assimilar, para melhor compreender seu estado geológico, a um globo de cortiça em que a base voltada para a Terra seria formada de chumbo.

Daí, duas naturezas essencialmente distintas à superfície do mundo lunar: uma, sem nenhuma analogia possível com o nosso, porque os corpos fluídicos e etéreos lhe são incomuns; o outro, frugal, relativamente à Terra, já que todas as substâncias menos densa se colocariam sobre este hemisfério. A primeira perpetuamente voltada para a Terra, sem água e sem atmosfera, que não o seja por vezes aos limites deste hemisfério sub-terrestre; o outro, rico em fluidos, perpetuamente oposto ao nosso mundo. (6)

Qual racional e científico que seja esta opinião, como não pôde, ainda, ser confirmada, por alguma observação direta, não poderá ser aceita senão a título de hipótese e como uma ideia podendo servir de primeiro passo à Ciência.

26. – O número e o estado dos satélites de cada planeta variam conforme as condições especiais nas quais eles se formaram. Alguns não deram origem a nenhum astro secundário, tais como Mercúrio, Vênus e Marte (i), enquanto que outros vieram a formar um ou vários, como a Terra, Júpiter, Saturno, etc.

27. – Além de seus satélites ou luas, o planeta Saturno apresenta o fenômeno especial do anel que parece, visto de longe, contorná-lo como uma branca auréola. Esta formação é para nós uma nova prova da universalidade das leis da natureza. Este anel é, de fato, o resultado de uma separação que se operou nos tempos primitivos no equador de Saturno, tal qual como uma zona equatorial escafedeu-se da Terra para formar seu satélite. A diferença consiste no fato de que o anel de Saturno se encontrava formado em todas as suas partes, de moléculas homogêneas, provavelmente já num certo estado de condensação e pôde, desta sorte, continuar seu movimento de rotação no mesmo sentido e em um mesmo tempo quase igual ao que anima o planeta. Se um dos pontos deste anel houvesse sido mais denso que todos os outros, uma ou várias aglomerações de substância sê-lo-iam subitamente operadas, e Saturno teria computado vários satélites a mais. Após o tempo de sua formação, este anel se solidificou tal como os outros corpos planetários. (j)


NOTAS

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

(6) Este teoria da Lua inteiramente nova, explica, pela lei de gravitação, a razão pela qual este astro apresenta sempre a mesma face para a Terra. Seu centro de gravidade, em lugar de ser o centro da esfera, encontrando-se sobre um dos pontos de sua superfície e, por consequência, atraído para a Terra por uma força maior que as pares mais leves, a Lua produzirá o efeito das figuras chamadas João teimoso, que se recompõe constantemente sobre suas bases, ao passo que, os planetas cujo centro de gravidade está a igual distância da superfície, giram regularmente sobre sei eixo. Os fluidos vivificantes, gasosos ou líquidos, por decorrência de sua leveza específica, encontrar-se-iam acumulados no hemisfério superior constantemente oposto à Terra; o hemisfério inferior, o que somente vemos, seria desprovido e por conseguinte, impróprio à vida, ao passo que ela existiria sobre o outro. Se, pôs, o hemisfério superior é habitado, seus habitantes não terão jamais visto a Terra, a menos que excursionem pelo outro hemisfério.

 

NOTAS DO TRADUTOR

(i) Com relação a Marte, sabe-se, atualmente, que é um planeta com dois satélites, mas que provavelmente não existissem antes. Presume-se, mesmo, que eles sejam asteroides que saíram de sua região e acabaram se tornando satélites de Marte.

(j) Lamentavelmente, Kardec baseou-se no conhecimento da época, cometendo o que atualmente, seria considerado um impropério relativo à formação dos planetas e seus satélites. Mas na verdade, ele se baseou rigorosamente dentro das hipóteses vigentes ao seu tempo e tidas como verdade. O mesmo irá acontecer com o tópico seguinte, porque, naquela época, tinha-se o cometa como sendo um astro luminoso e não se sabia que sua cauda era de vapores d’água, iluminada pelo Sol. Temos que entender, pois, que o codificador ficou cingido à linguagem e ao conhecimento existentes.