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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo VI – Uranografia Geral

Sucessão eterna dos Mundos

48. – Temos visto que uma só lei primordial e geral foi dada ao Universo a fim de assegurar a estabilidade eterna, e que esta lei geral é perceptível a nossos sentidos por diversas ações particulares que nós denominamos de forças diretrizes da natureza. Vamos mostrar, hoje, que a harmonia do mundo inteiro, considerado sob o duplo aspecto da eternidade e do espaço, é assegurada por esta lei suprema.

49. – De fato, se remontarmos à origem primeira das primitivas aglomerações de substância cósmica, distinguiremos que já, sob o império desta lei, a matéria sofreu as transformações necessárias que a conduzem do germe ao fruto maduro, e que, sob a impulsão das forças diversas nascidas desta lei, ela percorre a escala de suas revoluções periódicas; primeiro centro fluídico dos movimentos, a seguir, gerador dos mundos, mais tarde núcleo central e atrativo das esferas que tomaram nascimento em seu seio.

Já sabemos que estas leis presidem a história do Cosmos; o que importa de saber agora é que elas presidem igualmente a destruição dos astros, porque a morte não é somente uma metamorfose de ser vivo, mas ainda uma transformação da matéria inerme; e, se é verdade dizer, no sentido literal, que a vida apenas é accessível sem a razão da morte, é também justo de ajuntar que a substância deve com toda necessidade suportar as transformações inerentes à sua constituição.

50. – Eis um mundo que após seu berço primitivo percorreu toda a escala dos anos que sua organização especial lhe permitiu percorrer; a lareira interior de sua existência extinguiu, seus elementos próprios perderam sua virtude primária; os fenômenos de sua natureza que reivindicavam para sua produção a presença e a ação das forças devolutas para este mundo, não podem se apresentar de hoje em diante, porque esta alavanca de sua atividade não tem mais o ponto de apoio que lhe dava toda sua força.

Ora, pensar-se-á que esta terra extinta e sem vida vá continuar a gravitar no espaço celeste, sem alvo, e passar como uma cinza inútil no turbilhão dos céus? Pensar-se-á que ela resta inscrita no livro da vida universal, quando ela não passa de uma letra morta e despida de sentido? Não; as mesmas leis que o elevaram acima do caos tenebroso e que lhe gratificaram dos esplendores da vida, as mesmas forças que o governaram durante os séculos de sua adolescência, que lhe asseguraram seus primeiros passos na existência e que o conduziram à idade madura e à velhice, irão presidir à degradação de seus elementos constitutivos para entregá-los ao laboratório onde o poder criador haure sem cessar as condições da estabilidade geral. Estes elementos vão voltar a esta massa comum do éter para assimilar-se a outros corpos, ou para regenerar outros sóis; e esta morte não será um evento inútil a esta terra nem à suas irmãs; ele renovará em outras regiões outras criações de uma natureza diferente e lá, onde sistemas de mundo se tenham desvanecido renascerá logo um novo canteiro de flores mais brilhantes e mais perfumadas. (m)

51. – Assim, a eternidade real e efetiva do Universo está assegurada pelas mesmas leis que dirigem as operações do tempo; assim os mundos se sucedem aos mundos, os sóis aos sóis, sem que o imenso mecanismo da vastidão dos céus seja jamais golpeado nestas gigantescas jurisdições.

Lá, onde vossos olhos admiram esplêndidas estrelas sob a abóbada das noites, lá onde vosso espírito contempla as radiações magníficas que resplandecem sob distantes espaços, após longo tempo o dedo da morte sorveu estes esplendores, após longo tempo, o vazio sucedeu a estes deslumbramentos e recebeu, mesmo, novas criações ainda desconhecidas. O imenso afastamento destes astros pelo que a luz que eles nos enviam gasta milhares de anos a nos chegar faz com que recebamos somente agora os raios que eles nos tenham enviado muito tempo antes da criação da Terra e que nós os observaremos ainda durante milhares de anos após seu desaparecimento real.

Que são os seis mil anos da humanidade histórica ante os períodos seculares? Segundos nos vossos séculos? Que são vossas observações astronômicas ante o estado absoluto do mundo? A sombra eclipsada pelo Sol.

52. – Pois, aqui, como em nossos outros estudos, reconheçamos que a Terra e o homem nada são ao prêmio deste que é, e que as mais colossais operações de nosso pensamento não o entendem ainda senão em um campo imperceptível perante a imensidão e da eternidade de um universo que não findará jamais.

E quando estes períodos de nossa imortalidade tiverem passado sobre nossa cabeça, quando a história atual da Terra nos apresentar como uma sombra vaporosa ao fundo de nossa lembrança; que tenhamos habitado durante séculos inomináveis estes diversos degraus de nossa hierarquia cosmológica; que os domínios os mais longínquos das idades futuras tenham sido percorridos por inumeráveis peregrinações, teremos ante nós a sucessão ilimitada dos mundos e a imobilidade eterna por perspectiva.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

 

NOTA DO TRADUTOR

(m) Resumindo, o que Kardec expressa aqui é que a lei universal é uma só para tudo. E o item que se segue é assaz coerente com a tese atual do Universo pulsante.

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