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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO VII – ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

ESTADO PRIMITIVO DO GLOBO

15. – O achatamento dos polos e outros fatos concludentes são indícios certos de que a Terra deveu ter tido, em sua origem, um estado de fluidez ou de moleza. Este estado podia ter por causa a matéria liquefeita pelo fogo ou destemperada pela água.

Diz-se proverbialmente: não há fumaça sem fogo. Esta proposição rigorosamente real é uma aplicação do princípio: não há efeito sem causa. Pela mesma razão pode-se dizer: não há fogo sem fogueira. Ora, pelos fatos que se passaram sob nossos olhos, não é apenas da fumaça que se produz, é de um fogo bem real que deva ter uma fogueira; este fogo vindo do interior da Terra e não do alto, a fogueira deva ser interior; o fogo sendo permanente, a fogueira deve sê-lo igualmente.

O calor que aumenta à medida que e penetra no interior da Terra, e que, a certa distância da superfície, atinge uma temperatura muito elevada; as fontes termais tanto mais quentes quanto venham de uma profundidade maior; os fogos e as massas de matéria fundida e abrasada que se escapam dos vulcões, como por vastos suspiros, ou pelas clivagens produzidas em certos tremores de terra, não podem deixar dúvida sobre a existência de um fogo interior.

16. – A experiência demonstra que a temperatura se eleva de um grau centígrado para cada trinta metros de profundidade; de onde segue que a uma profundidade de 300 metros, o aumento é de 10 °C; a 3000 metros será de 100 graus, temperatura da água em ebulição; a 30.000 metros ou a 7 até 8 léguas de mais de 3.300 graus, tempera na qual nenhuma matéria conhecida resiste à fusão. Daí até o centro há ainda um espaço de mais de 1.400 léguas, seja, 2.800 léguas em diâmetro, que será ocupado por matérias fundidas.

Bem que isto não seja senão uma conjectura, julgando-se a causa pelo efeito, possui todas as características da probabilidade, e chega-se à conclusão que a Terra é ainda uma massa incandescentes recoberta de uma crosta sólida de 25 léguas ou mais de espessura, o que é somente a 120ª parte de seu diâmetro. Proporcionalmente, seria muito menos que a espessura da mais delgada casca de laranja.

De resto, a espessura da crosta terrestre é muito variável, porque é de países, sobretudo em terrenos vulcânicos, onde o calor e a flexibilidade do solo indicam que ela é muito pouco considerável. A alta temperatura das águas termais é igualmente o índice da vizinhança do fogo central.

17. – Após isto demonstra evidente que o estado primitivo de fluidez ou moleza da Terra deva ter sido por causa da ação do calor e não o da água. A Terra era, pois, em sua origem, uma massa incandescente. Como resultado da radiação do calórico chegou ao que chega a toda matéria em fusão: ela se torna pouco a pouco resfriada e o resfriamento naturalmente começou pela superfície que se endureceu, enquanto que o interior permaneceu fluido. Pode-se assim comparar a Terra a um bloco de carvão saindo todo vermelho da fornalha e cuja superfície se apaga e se resfria ao contato com o ar, então, em se quebrando, encontra o interior ainda em brasa.

18. – Na época em que o globo terrestre era uma massa incandescente, ele não continha um átomo a mais ou a menos do que atualmente; apenas, sob a influência desta alta temperatura, a maior parte da substância que lhe compõe, e que vemos sob a forma de líquidos ou de sólidos, de terras, de pedras, de metais e de cristais, encontravam-se em um estado bem diferente; só fizeram sofrer uma transformação; por sequência do resfriamento e das misturas, os elementos formaram novas combinações. O ar, consideravelmente dilatado, devia se estender a uma distância incomensurável; toda água forçosamente reduzida a vapor estava misturada com o ar; todas as matérias susceptíveis de se volatilizar, tais como os metais, o enxofre, o carbono aí se encontravam em estado de gás. O estado da atmosfera não tinha, pois nada de comparável ao que é atualmente; a densidade de todos esses vapores dava-lhe uma opacidade que não podia ser atravessada por nenhum raio de Sol. Se um ser vivo pudesse existir na superfície do globo a esta época, ele não teria claridade senão pelo brilho sinistro da fornalha colocada sob seus pés e da atmosfera abrasada.