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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO VII – ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

PERIODO DE TRANSIÇÃO

20. – Ao começo do período de transição, a crosta sólida, granítica, não possuía ainda senão uma pequena espessura e só oferecia uma assaz fraca resistência à efervescência das matérias abrasadas que ela recobria e comprimia. Produziam-se aí inchações, rupturas numerosas por onde se vertia a larva interior. O solo apresentava apenas desigualdades pouco consideráveis.

As águas, pouco profundas, cobriam a pouco menos toda a superfície do globo, à exceção das partes elevadas formando terrenos baixios frequentemente submersos.

O ar era pouco a pouco purgado das matérias as mais pesadas momentaneamente ao estado gasoso e que, em se condensando pelo efeito do resfriamento, eram precipitadas na superfície do solo, posteriormente arrastadas e dissolvidas pelas águas.

Quando se fala do resfriamento, a esta época, é preciso entender esta palavra num sentido relativo, ou seja, por referência ao estado primitivo, porque a temperatura devia ser ainda ardente.

Os espessos vapores aquosos que se elevavam de todas as partes da imensa superfície líquida voltavam a cair em chuvas abundantes e quentes e obscureciam o ar. Não obstante os raios do Sol começavam a aparecer através desta atmosfera brumosa.

Uma das últimas substâncias das quais o ar purgou, porque ela é naturalmente gasosa, é a do ácido carbônico que então formava uma das partes constituintes dele.

21. – Nesta época começaram a se formar as camadas de terreno de sedimento, depositadas pelas águas carregadas de limo e de matérias diversas próprias à vida orgânica.

Então aparecem os primeiros seres vivos do reino vegetal e do reino animal; a princípio em pequeno número, encontram-se traços cada vez mais frequentes à medida que se os criam nas camadas desta formação. É remarcável que, por toda parte, a vida se manifesta logo que as condições se tornam propícias à vitalidade e que cada espécie nasça desde que se produziram as condições próprias à sua existência. Dir-se-á que os germens em estado latente e não atendam senão às condições favoráveis para eclodir.

22. – Os primeiros seres orgânicos que apareceram sobre a Terra foram os vegetais da organização menos complexa, designados em botânica sob o nome de criptógamos, acotilédones, monocotilédones, isto é, os líquenes, cogumelos, musgos, fetos e plantas herbáceas. Não se via ainda árvores de troncos lenhosos, mas desse gênero de palmeira onde o tronco esponjoso era análogo ao das ervas.

Os animais deste período que sucederam aos primeiros vegetais são exclusivamente marinhos; são a princípio pólipos, irradiados, zoófitos, animais de organização simples e, por assim dizer rudimentar, o mais próximo dos vegetais; mais tarde vieram os crustáceos e os peixes cujas espécies não mais existem atualmente.

23. – Sob o império do calor e da umidade e, por conseguinte, do excesso de ácido carbônico derramado no ar, gás impróprio à respiração dos animais terrestres, mais necessário às plantas, os terrenos descobertos se cobriram rapidamente de uma vegetação poderosa ao mesmo tempo em que as plantas aquáticas se multiplicaram no interior dos lodaçais. Plantas do gênero das que, atualmente, são meras ervas de poucos centímetros, atingindo uma altura e uma grossura prodigiosas; foi assim que houve as florestas de fetos arborescentes de oito a dez metros de elevação e de uma grossura proporcional, licopódios (pé de lobo; gênero de musgo) do mesmo talhe; prelas (3) de quatro a cinco metros que existe apenas um atualmente. Sobre o fim do período começam a aparecer algumas árvores do gênero conífero ou pinheiros.

24. – Por consequência do deslocamento das águas, os terrenos que produziram estas massas de vegetais foram por várias repetidas vezes submersos, recobertos de novos sedimentos terrenos, enquanto que os que estavam  postos a seco se cobriam em sua volta de uma semelhante vegetação. Houve assim várias gerações de vegetais alternativamente aniquiladas e renovadas. O mesmo não aconteceu com os animais que, sendo todos aquáticos, não podiam sofrer de tais alternativas.

Estes fragmentos, acumulados durante uma longa série de séculos, formaram camadas de grande espessura. Sob ação do calor, da umidade e da pressão exercida pelos depósitos terrenos posteriores, e, sem dúvida, também de diversos agentes químicos, gás, ácidos e sais produzidos pela combinação de elementos primitivos, estes materiais vegetais sofreram uma fermentação que os converteram em hulha ou carvão da terra. As minas de carvão são, assim, o produto direto da decomposição do montão de vegetais acumulados durante o período de transição; é por isso que se encontra a pouco mais ou menos em todas as regiões. (4)

25. – Os restos fósseis da vegetação poderosa desta época encontrando-se atualmente sob os gelos das terras polares bem como na zona tórrida, é preciso concluir que, uma vez que a vegetação era uniforme, a temperatura deveria ser idêntica. Os polos não eram, pois cobertos de gelo como atualmente. É que, então, a Terra tirava seu calor dela própria, do fogo central que aquecia de uma forma igual toda a camada sólida ainda pouco espessa. Este calor era bem superior àquele que poderia dar os raios solares, debilitados alhures pela densidade atmosférica. Mais tarde, apenas, quando o calor central só pôde exercer sobre a superfície exterior do globo uma atuação fraca ou nula, a do Sol tornou preponderante, e aquelas regiões passaram a receber apenas raios oblíquos, dando-lhe muito pouco calor, assim, cobriram-se de gelo. Compreende-se que àquela época de que falamos e ainda longo tempo após, o gelo era desconhecido sobre a Terra.

Este período deve ter sido muito longo, a julgar pelo número e espessura das camadas hulhíferas (5).

Em se supondo apenas mil anos para a formação de cada um desses níveis, seria, já, 68 mil anos somente para esta camada de hulha.

É mais do que óbvio que, para se ter a transformação torna-se necessário que haja um agente atuante para efetuá-la. Afinal, não há efeito sem causa.


NOTAS

(3) Planta pantanosa, vulgarmente chamada de cauda de cavalo.

(4) A turfa se formou da mesma maneira, pela decomposição de rumas de vegetais, em terrenos pantanosos; mas com essa diferença de que, sendo mais recente e, sem dúvida, em outras condições, ela não teve tempo de se carbonizar.

(5) Na baía de Fundy (Nova Escócia), M. Lyell encontrou, sobre uma espessura de hulha de 440 metros, 68 níveis diferentes, apresentando os traços evidentemente de vários solos de floresta onde os troncos de árvores estavam ainda guarnecidos de suas raízes. (L. Figuier)