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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO VII – ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

PERIODO SECUNDARIO

26. – Com o período de transição desapareceram a vegetação colossal e os animais que caracterizaram esta época, seja porque as condições atmosféricas não fossem mais as mesmas, seja por causa de uma sequência de cataclismos que aniquilaram tudo isto que tinha vida sobre a Terra. É provável que as duas causas tenham contribuído para tais transformações, porque por um lado, o estudo dos terrenos que assinalam o fim deste período atesta grandes transtornos causados pelo levantamento e as erupções que se derramaram sobre o solo, de grande quantidade de lavas, e, por outro lado notáveis trocas se operaram nos três reinos.

27. – O período secundário caracterizou-se com respeito ao mineral, por camadas numerosas e poderosas que atestam uma formação lenta no interior das águas, e marcaram diferentes épocas bem características.

A vegetação é menos rápida e menos colossal do que o período precedente, sem dúvida, pela sequência da diminuição do calor e da umidade, e das modificações sobrevindas dos elementos constitutivos da atmosfera. Às plantas herbáceas polpudas se juntam as de caules lenhosos e as primeiras árvores propriamente ditas.

28. – Os animais são ainda aquáticos, ou totalmente anfíbios; a vida animal sobre a Terra fez pouco progresso. Uma prodigiosa quantidade de animais de concha desenvolveu-se no interior dos mares em seguida à formação das matérias calcárias; novos peixes, de uma organização mais perfeccionista do que os do período precedente tornaram a nascer; vê-se o aparecimento dos primeiros cetáceos. Os animais os mais característicos desta época são os répteis monstruosos entre os quais destacam-se:

O ictiossauro, espécie de peixe-lagarto que atingia até dez metros de comprimento e cujos maxilares prodigiosamente alongados estavam constituídos de cento e oitenta dentes. Sua forma geral lembra um pouco a do crocodilo, mas sem couraça escamada; seus olhos tinham o volume da cabeça de um homem; ele tinha nadadeiras como a baleia e expelia água por fendas como aquelas.

O plesiossauro, outro réptil marinho, também grande como o ictiossauro, em que o pescoço, excessivamente longo se curvava como o do cisne e lhe dava a aparência de uma enorme serpente atarraxada a um corpo de tartaruga. Tinha a cabeça do lagarto e os dentes de crocodilo; sua pele devia ser lisa como a do precedente, pois não se encontrou nenhum traço de escamas nem de carapaça (6).

O teleossauro se aproxima mais dos crocodilos atuais que aparentam ser os diminutivos; como estes últimos, ele tinha uma couraça escamosa e vivia ao mesmo tempo na água e sobre a terra; seu talhe estava em volta de dez metros, dos quais três ou quatro para a cabeça, apenas; sua enorme goela tinha dois metros de abertura.

O megalossauro, grande lagarto, sorte de crocodilo de 14 a15 metros de comprimento, essencialmente carnívoro, nutria-se de répteis, pequenos crocodilos e tartarugas.

Sua formidável mandíbula estava armada de dentes em forma de lâminas de serrote com dupla fiada, recurvadas para trás, de tal sorte que, uma vez mordida a presa, era impossível dela se desgarrar.

O iguanodonte, o maior dos lagartos que apareceram sobre a Terra; tinham eles de 20 a25 metros de cabeça à extremidade da cauda. Seu focinho era dominado por um chifre ósseo semelhante ao do iguana de nossos dias, do qual ele só parece diferir pelo talhe, este último tendo apenas um metro de comprimento. A forma dos dentes prova que era herbívoro e a dos pés que era um animal terrestre.

O pterodátilo, animal bizarro, do tamanho de um cisne, tendo, por sua vez a forma de um réptil por corpo, de um pássaro pela cabeça, e do morcego pela membrana carnuda que religava seus dedos de um prodigioso comprimento, e lhe servia de paraquedas quando se precipitava sobre sua presa do alto de uma árvore ou de um rochedo. Não tinha bico córneo como os pássaros, mas os ossos dos maxilares, também alongados como a metade do corpo e guarnecidos de dentes, terminando-se em ponta como um bico.

29. – Durante este período, que deve ter sido muito longo, assim como o atestam o número e a espessura das camadas geológicas, a vida animal teve um imenso desenvolvimento no seio das águas, como o havia tido a vegetação no período precedente. O ar, mais purificado e mais próprio à respiração começa a permitir a alguns animais de viver sobre a Terra. O mar foi várias vezes deslocado, mas ele recuou sem abalos violentos. Com este período desapareceram por sua vez as raças de gigantescos animais aquáticos, substituídos mais tarde por espécies análogas. Menos desproporcionais na forma e de talhe infinitamente menor.

30. – O orgulho tem feito dizer ao homem que todos os animais foram criados em sua intenção e para sua necessidade. Mas qual é o número dos que lhe servem diretamente, que tenha podido submeter, comparado ao número incalculável dos que jamais tiveram nem jamais terão alguma relação? Como sustentar uma semelhante tese em presença dessas inumeráveis espécies que só povoaram a Terra milhares de milhares de séculos antes de ele mesmo ter vindo e que já sumiram? Pode-se dizer que elas tenham sido criadas para seu proveito? Entretanto, estas espécies tiveram, todas, sua razão de ser, sua utilidade. Deus não teria, pois criado por um capricho de sua vontade e por se dar ao prazer de aniquilá-los; porque todas tiveram a vida, instintos, o sentimento da dor e do bem-estar. Com qual objetivo tê-lo-ia feito? Este objetivo deve ser soberanamente sábio, o que nós não o compreendamos ainda. Talvez um dia seja dado ao homem conhecê-lo por confundir seu orgulho; mas, em atentando quanto às ideais crescentes em presença destes horizontes novos em que lhe sejam permitido agora mergulhar os olhares, e que desenrola ante ele o espetáculo imponente desta criação, tão majestosa em sua lentidão, tão admirável em sua previdência, tão pontual. Tão precisa e tão invariável em seus resultados.


NOTA

(6) O primeiro fóssil deste animal foi descoberto em 1823.