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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO VII – ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

PERIODO TERCIARIO

31. – Com o período terciário começa, para a Terra, uma nova ordem de coisas; o estado da sua superfície troca completamente de aspecto; as condições de vitalidade estão profundamente modificadas e se reaproximam do estado atual. Os primeiros tempos deste período estão assinalados por uma parada na produção vegetal e animal; tudo leva os traços de uma destruição gradativa geral dos seres viventes e então surgem sucessivamente novas espécies cuja organização mais perfeita está mais adaptada à natureza do meio onde eles são chamados a viver.

32. – Durante os períodos precedentes, a crosta sólida do globo, em razão de sua pouca espessura, apresentava, como se tem dito, uma assaz fraca resistência à ação do fogo interior; este invólucro, facilmente desfeito, permitia às matérias em fusão que se espalhassem livremente sobre a superfície do solo. Não aconteceu o mesmo quando ela adquiriu uma certa espessura; as matérias em brasa comprimidas de todas as partes , como a água em ebulição em um vaso fechado, acabaram por realizar uma sorte de explosões; a massa granítica violentamente rompida sobre uma poção de pontos, foi sulcada de fendas como um vaso estriado. Sobre o percurso destas fendas a crosta sólida soerguida e aprumada, formou picos, as cadeias de montanhas e suas ramificações. Certas partes do envoltório não rompidas foram simplesmente alteradas, tanto quanto em outros pontos produziram-se abatimentos e escavações.

A superfície do solo transformou-se então, muito desigual; as águas que até este momento, a cobriam de uma certa maneira quase uniforme sobre a maior parte de sua extensão, foram repelidas para as partes as mais baixas, deixando a seco vastos continentes, ou sequências de montanha isoladas que formaram ilhas.

Tal é o grande fenômeno que aconteceu no período terciário e que transformou o aspecto do globo. Não se foi produzido nem instantaneamente nem simultaneamente sobre todos os pontos, mas sucessivamente e a épocas mais ou menos distantes.

33. – Uma das primeiras consequências destas elevações foi, como se diz, a inclinação das camadas de sedimento primitivamente horizontais e que ficaram nesta posição por toda parte onde o solo não foi perturbado. É, pois, sobre os francos e nas fraldas das montanhas que estas inclinações ficaram mais pronunciadas.

34. – Nos sítios onde as camadas de sedimento conservaram sua horizontalidade, por atingir as de primeira formação, é preciso atravessar todas as outras, frequentemente, até uma profundidade considerável ao bojo da qual se encontra inevitavelmente a rocha granítica. Mas logo que estas camadas se elevaram em montanhas, portaram acima do seu nível normal, e, por vezes a uma altitude muito grande, de tal sorte que se fez uma trincheira vertical sobre o flanco da montanha, elas se mostraram ao dia em toda sua espessura e superpostas como os assentamentos de um edifício.

É assim que se encontra a grandes elevações dos bancos consideráveis de conchas primitivamente formadas no fundo do mar. É perfeitamente reconhecido atualmente que, em alguma época, o mar não podia atingir a uma tal altitude, porque todas as águas que existiam sobre a terra não eram suficientes, então, mesmo que houvesse cem vezes mais. Seria necessário, pois, supor que a quantidade de água tenha diminuído e então perguntar-se-á aonde foi parar a porção desaparecida. Os soerguimentos que são atualmente um fato incontestável e demonstrado pela Ciência, explicam, de uma maneira também lógica quanto rigorosa, os depósitos marinhos que se encontram sobre certas montanhas. Estes terrenos estiveram evidentemente submersos durante uma longa sequência de séculos, mas a seu nível primitivo e não no local que ocupam atualmente.

É absolutamente como se uma porção do fundo de um lago se encontrasse elevado a vinte e cinco ou trinta metros acima da superfície da água; o cume desta elevação levaria os restos das plantas e de animais que jaziam outrora no fundo da água, o que não implicaria radicalmente senão que as águas do lago fossem elevadas a essa altura.

35. – Nos locais onde o levantamento da rocha primitiva produziu uma ruptura completa do solo, seja por sua rapidez, seja pela forma, a altitude e o volume da massa alevantada, o granito mostrou-se a descoberto como um dente que atravessa a gengiva. As camadas que os cobriam, soerguidas, partidas, remendadas puseram-se a descoberto; é assim que terrenos aparentemente de formação as mais antigas, e que se encontravam em tais posições primitivas a uma grande profundidade, formam, atualmente, o solo de certos campos.

36. – As massas graníticas, deslocadas pelo efeito dos soerguimentos, deixaram em alguns endereços fissuras por onde se escapa o fogo interior e se eclodem as matérias em fusão: são os vulcões. Os vulcões são como chaminés desta imensa fornalha, ou melhor, ainda, são válvulas de segurança que, dando uma resultante ao demasiado volume das matérias ígneas, preservam de comoções bem senão terríveis; do que se pode dizer que o número de vulcões em atividade é uma causa de segurança para o conjunto da superfície do solo.

Pode-se fazer uma ideia da intensidade deste fogo, supondo-se que os vulcões se abrem ao seio mesmo do mar e que a massa de água que os recobre e neles penetra não é suficiente para extingui-los.

37. – Os soerguimentos operados na massa sólida necessariamente desalojaram as águas, que se refluíram nas partes escavadas, tornadas mais profundas pelo levantamento dos terrenos emersos, e pelos abatimentos. Mas, estes mesmos baixios, elevados a seu turno, ora num local, ora noutro, expulsou as águas, que refluíram alhures, e assim, em seguida até ao que elas puderam se tornar mais estáveis.

Os deslocamentos sucessivos desta massa líquida forçosamente elaboraram e açoitaram a superfície do solo. As águas, em se escoando, arrastaram uma parte dos terrenos de formações anteriores posta a descoberto pelo soerguimento, desnudaram certas montanhas que, em estando recobertas, foram postas à vista sua base granítica ou calcária; profundos vales foram escavados e outros preenchidos.

Há, pois montanhas formadas diretamente pela ação do fogo central: são principalmente as montanhas graníticas; outras são devidas à ação das águas, que, em ocasionando as terras móveis e as matérias solúveis, cavaram várzeas em volta de uma base resistente, calcária, ou diversa.

As matérias arrastadas pela corrente das águas formaram as camadas do período terciário, que se distingue das precedentes, menos por sua composição, que a por ela própria, senão por sua disposição.

As camadas dos períodos primário, de transição, e secundário, formadas sobre uma superfície pouco acidentada, são pouco mais que uniformes por toda Terra; as do período terciário, ao contrário, formadas sobre uma base bastante distinta e pelo arrebatamento das águas, possuem um caráter mais local. Por toda parte, cavando-se a uma certa profundidade, encontram-se todas as camadas anteriores, na ordem de sua formação, ao passo que não se encontra por todo terreno terciário, nem todas as camadas dele, no local.

38. – Durante a desordem do solo que teve lugar na apresentação desse período, concebe-se que a vida orgânica deveu suportar um tempo de parada, o que se reconhece pela inspeção dos terrenos privados de fósseis. Mas, desde que veio um estado mais calmo, os vegetais e os animais ressurgiram. As condições de vitalidade estando mudadas, a atmosfera mais depurada, viu-se formar novas espécies de uma organização mais perfeita., as plantas, em relação à sua estrutura, diferem pouco da de nossos dias.

39. – Durante os dois períodos precedentes, os terrenos não cobertos pelas águas ofereciam pouca extensão, e ainda sendo eles pantanosos e frequentemente submersos; é porque não havia animais aquáticos ou anfíbios. O período terciário que se viu formarem vastos continentes, é caracterizado pela aparição dos animais terrestres.

Do mesmo que o período de transição viu nascer uma vegetação colossal, o período secundário répteis monstruosos, este aqui viu se produzirem mamíferos gigantescos, tais como o elefante, o rinoceronte, o  hipopótamo, o paleotério, o  megatério, o dinatério, o mastodonte, o mamute, etc. Viu nascer igualmente os pássaros, assim como a maior parte das espécies que vivem ainda em nossos dias. Qualquer uma dessas espécies desta época sobreviveu aos cataclismos posteriores; por outro lado, o que se designa pela qualificação genérica de animais antediluvianos, estão completamente desaparecidos, ou bem tenham sido recolocados por espécies análogas, de formas menos grosseiras e menos compactas, dos quais os primeiros tipos foram como sinopses; tais são: o felis spelœa, animal carnívoro, do volume de um touro, tendo os caracteres anatômicos do tigre e do leão; o cervus mégaceron, variedade do cervo do qual as galhadas de 3 a 4 metros de comprimento, tinham espaços de 3 a 4 metros entre suas extremidades.

40. – Tem-se por longo tempo acreditado que o macaco e as diversas variedades de quadrúmanos, animais que se reaproximam ao máximo do homem pela conformação, não existiam ainda; mas, descobertas recentes parecem não deixar dúvidas sobre a presença destes animais, pelo menos ao fim do período.

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