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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO VII – ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

PERÍODOS GEOLÓGICOS

1.– A Terra traz em si os traços evidentes de sua formação; seguem-se as fases com uma precisão matemática nos diversos terrenos que compõem seu vigamento. O conjunto destes estudos constitui a Ciência chamada Geologia, ciência nascida neste século e que lançou a luz sobre a questão tão controvertida de sua origem e da dos seres vivos que a habitam. Aqui não há a mínima hipótese; é o resultado rigoroso da observação dos fatos e, em presença dos fatos a duvida jamais será permitida. A história da formação do globo está escrita nas camadas geológicas de uma maneira de outro modo bem mais certa do que nos livros preconcebidos porque é a natureza, ela própria que fala, que se mostra a descoberto, e não a imaginação dos homens que cria sistemas. Onde se vê os traços do fogo, pode-se dizer com certeza que o fogo existiu; onde se vê os da água, diz com não menos certeza que a água esteve lá; onde se vê os dos animais, diz-se que os animais aí viveram. A Geologia é, pois, uma ciência toda de observação; só tira suas consequências do que vê; sobre os pontos duvidosos ela não afirma nada: só emite opiniões discutíveis cuja solução definitiva espera observações mais completas. Sem as descobertas da Geologia, como sem as da Astronomia, a Gênese do mundo estaria ainda nas trevas da legenda. Graças a ela, atualmente, o homem conhece a história da sua habitação e o alicerce das fábulas que cercavam seu berço desmoronaram-se para não mais se reerguer.

2. – Por toda parte, onde existiam nos terrenos trincheiras, escavações naturais ou praticadas pelos homens, distingue-se o que se chama de estratificação, isto é, camadas superpostas. Os terrenos que apresentam tal disposição são designados sob o nome de terrenos estratificados. Estas camadas de uma espessura muito variada, após alguns centímetros até 100 metros e mais, distinguem-se entre elas pela cor e a natureza das substâncias das quais se compõem. Os trabalhos de arte, a perfuração dos poços, a exploração das carreiras e, sobretudo das minas permitiram observá-las até uma assaz grande profundidade.

3. – As camadas são geralmente homogêneas, ou seja, que cada uma é formada de uma mesma substância, ou de diversas substâncias que tenham existido simultaneamente, e tenham formado um todo compacto. A linha de separação que as isola umas das outras é sempre asseadamente cortada, como nas fileiras de pedra de um edifício; em nenhuma parte se vê misturarem-se e se perderem umas das outras no sítio de seus limites respectivos, como é o caso, por exemplo, das cores do prisma e do arco-íris.

Com estas características reconhece-se que elas foram formadas sucessivamente, depositadas umas sobre as outras em condições e causas distintas; as mais profundas foram naturalmente formadas em primeiro e as mais superficiais posteriormente. A última de todas, que se encontra na superfície, é a camada de terra vegetal que deve suas propriedades aos detritos das matérias orgânicas provenientes das plantas e dos animais.

As camadas inferiores, colocadas sob a camada vegetal, receberam, em Geologia, o nome de rochas, termo que, nesta acepção, não implica, sempre, na ideia de uma substância pedregosa, porém, significa um leito ou banco de uma substância mineral qualquer. Umas são formadas de saibro, de argila ou terra argilosa, de marga, de calhaus roliços, e outras de pedras propriamente ditas, mais ou menos duras, tais como os arenitos, os mármores, o giz, os calcários ou pedras de cal, as pedras de mós, os carvões minerais, os asfaltos, etc. Diz-se que uma rocha é mais ou menos potente conforme seja sua espessura mais ou menos considerável.

4. – Pela inspeção da natureza destas rochas ou camadas, reconhece-se, através de certos sinais que umas provêm de matérias fundidas e, por vezes, vitrificadas pela ação do fogo; outras de substâncias terrosas depositadas pelas águas (aluviões); algumas destas substâncias ficam desagregadas, como o saibro; outras, a princípio, no estado pastoso, sob ação de certos agentes químicos ou outras causas, endurecem-se e adquirem ao longo, a consistência da pedra. Os bancos de pedras superpostos anunciam os depósitos sucessivos. O fogo e a água têm, pois, sido parte da ação na formação dos materiais que compõem a estrutura sólida do globo.

5. – A posição normal das camadas terrestres ou pedregosas provindas de depósitos aquosos é a direção horizontal. Logo que se veem estas imensas planícies que se estendem às vezes a perder de vista, de uma horizontalidade perfeita, unidas como se as tivesse nivelado por rolos, ou estes fundos de vale também planos como a superfície de um lago pode-se estar certo que a uma época mais ou menos recuada, estes lugares estiveram longo tempo coberto por águas tranquilas que, ao se retirarem, deixaram a seco as terras que haviam depositado durante sua demora. Após a retirada das águas, estas terras se cobriram de vegetação. Se, em lugar de terras férteis, limosas, argilosas ou arenosas, próprias para assimilar os princípios nutritivos, as águas somente depositaram saibros silicosos, sem agregação, tem-se estas planícies arenosas e áridas que constituem as charnecas e os desertos. Os depósitos que deixaram as inundações parciais e os que formam os aterros nas embocaduras dos rios podem-nos dar uma pequena ideia.

6. – De sorte que a horizontalidade sendo a posição normal e a mais geral das formações aquosas, vê-se frequentemente sobre, assaz, grandes extensões, nos países de montanhas, rochas duras que sua natureza indica terem sido formadas pelas águas, numa posição inclinada e por vezes, vertical. Ora, como, a partir das leis de equilíbrio dos líquidos e da gravidade, os depósitos aquosos só se podem formar em planos horizontais, atentando que os que se põem sobre planos inclinados são arrastados nos baixios pelas correntes e seu próprio peso, permanece evidentemente que estes depósitos devam ter sido soerguidos por uma força qualquer, após sua solidificação ou transformação em pedras.

Destas considerações pode-se concluir com certeza que todas as camadas petrificadas provêm de depósitos aquosos de uma posição perfeitamente horizontal, foram formadas na sequência dos séculos por águas tranquilas e que, todas as vezes que elas têm uma posição inclinada, é que o solo esteve atormentado e deslocado posteriormente por convulsões generalizadas ou parciais, mais ou menos consideráveis.

7. – Um fato característico da mais alta importância pelo testemunho irrecusável que fornece, consiste nos fragmentos fósseis de animais e de vegetais que se encontram em quantidades incomensuráveis nas diferentes camadas; e como estes fragmentos se encontram mesmo nas pedras as mais duras, torna-se necessário concluir que a existência destes seres é anterior à formação das respectivas pedras; ora si se considerar o número prodigioso de séculos que foi necessário para se operar o endurecimento e conduzir ao estado em que estão desde tempos imemoriais, chega-se a esta consequência forçada que a aparição de seres orgânicos sobre a Terra se perde na noite dos tempos e que é bem anterior, por consequência, à data assinalada pela Gênese (1).

8. – Entre estes fragmentos de vegetais e de animais, estão os que foram penetrados em todas as partes de sua substância, sem que sua forma fosse alterada, de matérias silicosas ou calcárias que as transformaram em pedras em que algumas têm a dureza do mármore; são as petrificações propriamente ditas. Outros foram simplesmente envolvidos pela matéria no estado de pasta; encontram-nos intactos e alguns por inteiro, nas pedras as mais duras. Outros, enfim só deixaram sua impressão, mas, de uma nitidez e de uma delicadeza perfeitas. No interior de certas pedras encontram-se até a impressão de passos, com a forma do pé, dos dedos e das garras reconhecendo-se de que espécie de animal elas provenham.

9. – Os fósseis de animais não compreendem quase nada, senão as partes sólidas e resistentes, a saber, a ossada, as carapaças e os chifres; por vezes são esqueletos completos; na maioria das vezes, são apenas partes destacadas, mas onde é fácil reconhecer a proveniência. Na inspeção de uma arcada dentária, de um dente, vê-se logo se ela pertence a um animal herbívoro ou carnívoro. Como todas as partes do animal têm uma correlação necessária, a forma da cabeça, de uma omoplata, de um osso de perna, de um pé, é suficiente para determinar o talhe, a forma geral, o gênero de vida do animal (2). Os animais terrestres têm uma organização que não permite que se confunda com os animais aquáticos. Os peixes e os moluscos fósseis são excessivamente numerosos; os moluscos, apenas, formam algumas vezes bancos inteiros de uma grande espessura. Por sua natureza reconhece-se sem dificuldade se eles são animais marinhos ou de água doce.

10. – Os calhaus roliços que, em certos locais constituem rochas poderosas, são um índice inequívoco de sua origem. Eles são arredondados como os seixos da borda do mar, sinal, certamente, do atrito a que foram submetidos pelo efeito das águas. Os sítios onde se os encontram enterrados em massas consideráveis, têm sido incontestavelmente ocupados pelo oceano ou por águas violentamente agitadas.

11. – Os terrenos das diversas formações são distintamente caracterizados pela natureza própria dos fósseis que encerram; os mais antigos contêm espécies animais e vegetais que inteiramente desapareceram da superfície do globo. Certas espécies mais recentes igualmente desapareceram, mas conservaram seus análogos que não diferem de sua estirpe senão pelo porte e algumas diferenças de forma. Outros, enfim, dos quais vemos os últimos representantes, tendem evidentemente a desaparecer em um futuro mais ou menos próximo, tais como os elefantes, os rinocerontes, os hipopótamos, etc. assim, à medida que as camadas terrestres se aproximam da nossa época, as espécies animais e vegetais se aproximam também das que existem atualmente.

As perturbações, os cataclismos que tiveram lugar sobre a terra após sua origem, trocaram, pois, as condições de vitalidade e fizeram desaparecer gerações inteiras de seres vivos.

12. – Em interrogando a natureza das camadas geológicas, sabe-se da maneira a mais positiva, se, à época de sua formação, o sítio que as encerra estava ocupado pelo mar, por lagos, ou por florestas e plenas de populações animais terrestres. Se, pois em uma mesma região, encontra-se uma série de camadas superpostas, contendo alternativamente fósseis marinhos, terrestres e de água doce, várias vezes repetidas, é uma prova irrecusável que esta mesma região esteve por várias vezes invadida pelo mar, coberta de lagos e postas a seco.

E quanto a séculos de séculos certamente, que milhares de séculos talvez, foram necessários a cada período para se cumprir! Que força poderosa não teria sido necessária para tirar e recolocar o oceano e para elevar as montanhas! Por quantas revoluções físicas, de comoções violentas, a Terra na teria que passar antes de ser o que nós vemos após os tempos históricos! E quer-se-ia que fosse obra de pouco tempo que não seria preciso para fazer produzir uma planta!

13. – O estudo das camadas geológicas atesta, assim como foi dito, as formações sucessivas que mudaram o aspecto do globo e dividem sua história em diversas épocas. Estas épocas constituem o que e chama de períodos geológicos dos quais o conhecimento é essencial para o estabelecimento da Gênese. São computados seis principais que são designados sob os nomes de: período primário, de transição, secundário, terciário, diluviano, pós-diluviano ou atual. Os terrenos formados durante a duração de cada período se chamam também: terrenos primitivos, de transição, secundários, etc. Diz-se assim que tal ou qual camada ou rocha, tal ou qual fóssil encontram-se nos terrenos de qual período.

14. – É essencial notar que o nome destes períodos não é essencialmente absoluto e que depende de sistemas de classificação. Não se compreende nos seis principais designados acima senão que são marcados por uma transformação notável e geral no estado do globo; mas a observação prova que várias formações sucessivas foram operadas durante a duração de cada uma; é porque se dividem em subperíodos caracterizados pela natureza dos terrenos, e que portam a vinte e seis o número das formações gerais bem caracterizadas, sem computar os que provenham de modificações devidas a causas puramente locais.


NOTAS

(1) Fóssil, do latim fossillia, focillis, derivado de fossa, a fossa, e de fodere, cavar, escavar a terra. Este termo, diz-se em Geologia, de corpos ou fragmentos de corpos orgânicos, provenientes de seres que viviam anteriormente aos tempos históricos. Por extensão, diz-se igualmente das substâncias minerais portando os traços da presença de seres orgânicos, tais como as impressões de vegetais ou de animais.

O termo fóssil, de uma acepção mais geral, foi substituído pelo de petrificação que não se aplica senão aos corpos transformados em pedra pela infiltração de matéria silicosa ou calcárea nos tecidos orgânicos. Todas as petrificações são necessariamente de fósseis, porém, nem todos os fósseis são petrificações.

Os objetos que se revestem de uma camada pétrea, logo que sejam mergulhadas em certas águas impregnadas de substâncias calcárias, não são petrificações propriamente ditas, mas simples incrustações.

Os monumentos, inscrições e objetos provenientes de fabricação humana, cabem à arqueologia.

(2) No ponto em que Georges Cuvier levou a Ciência Paleontológica, um só osso é suficiente para determinar o gênero, a espécie, a forma de um animal, seus hábitos e, para reconstituí-lo todo inteiro.

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