[layerslider id=”3″]

A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO VIII – TEORIAS DA TERRA

TEORIA DA PROJEÇÃO

1. – De todas as teorias tocantes à origem da Terra, aquela que teve mais crédito nestes últimos tempos é a de Buffon, (a) quer por causa da posição de seu autor no mundo do sábio, quer porque não se sabia por mais tempo nada a esta época.

Vendo todos os planetas se mover na mesma direção, do ocidente para o oriente e no mesmo plano, percorrendo órbitas cuja inclinação não excede 7 graus e meio, Buffon conclui desta uniformidade que elas haviam sido dadas se movimentarem pela mesma causa.

Conforme ele, o Sol sendo uma massa incandescente em fusão, ele supunha que um cometa tendo chocado obliquamente, rasante com sua superfície, destacou uma porção que, projetada no espaço pela violência do choque, dividiu-se em vários fragmentos. Estes fragmentos formaram os planetas que continuaram a se movimentar circularmente pela combinação da força centrípeta e da força centrífuga, no sentido imprimido pela direção do choque primitivo, a dizer, no plano da eclíptica.

Os planetas seriam assim partes da substância incandescente do Sol e, por consequência eles próprios teriam sido incandescentes em sua origem. Eles se puseram a resfriar-se e a se consolidar em tempo proporcional a seu volume, e, quando a temperatura o permitiu, a vida tomou nascimento em sua superfície.

Em seguida ao abaixamento gradual do calor central, a Terra chegaria, num tempo dado, a um estado completo de resfriamento; a massa líquida seria inteiramente congelada e o ar gradativamente condensado findaria por desaparecer. O abaixamento da temperatura, tornando a vida impossível causaria a diminuição, aliás, o desaparecimento de todos os seres organizados. O resfriamento que começou pelos polos ganharia sucessivamente todos os sítios até o equador.

Tal é, conforme Buffon, o estado atual da Lua que, menor do que a Terra, seria atualmente um mundo extinto, onde a vida está, daí para frete, excluída. O Sol, ele próprio, teria, um dia, a mesma sorte. Segundo seus cálculos, a Terra teria posto 74.000 anos aproximados para chegar à sua temperatura atual, e, em 93.000 anos veria o fim da existência da natureza organizada.

Até a presente data, nenhuma observação científica comprovou a tese de Buffon relativa à formação dos planetas. Já o próprio Kardec constata o fato, adiante.

2. – A teoria de Buffon, contraditada pelas novas descobertas da ciência, está, atualmente, quase completamente abandonada pelos motivos seguintes:

1° Por muito tempo acreditou-se que os cometas eram corpos sólidos onde o encontro com um planeta pudesse provocar a destruição deste. Nesta hipótese, a suposição de Buffon não teria nada de improvável. Mas, sabe-se atualmente que eles são formados de uma matéria gasosa condensada, assaz rarefeita conforme pudesse perceber as estrelas de menor grandeza através de seu núcleo. Nesse estado, oferecendo menos resistência que o Sol, um choque violento capaz de projetar ao longe uma porção de sua massa é uma coisa impossível.

2° A natureza incandescente do Sol é igualmente uma hipótese que nada, até o presente, vem confirmar e que parece, ao contrário, desmentir as observações. Bom que não esteja ainda completamente fixada a respeito da natureza, a eficácia dos meios de observação de que se dispõe atualmente tem permitido o meio de estudar. É atualmente em geral admitido pela Ciência que o Sol seja um globo composto de matéria sólida, envolta em uma atmosfera luminosa que não estaria em contato com sua superfície. (1)

3° No tempo de Buffon, só se conhecia apenas seis planetas sabidos desde os anciões: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno. Depois, descobriu-se um grande número de asteroides dos quais três deles, principalmente, Juno, Palas e Ceres têm suas órbitas respectivamente inclinadas de 13, 10 e 34 graus, o que não concorda com a hipótese de um movimento de projeção único.

4° Os cálculos de Buffon sobre o resfriamento são reconhecidamente tidos como inexatos após o descobrimento da lei do decréscimo do calor por J. Fourier. Não é 74.000 anos que foram necessários à Terra para chegar à sua temperatura atual, mas, milhões de anos.

5° Buffon só considerou o calor central do globo, sem dar conta dos raios solares; ora, ele é reconhecido atualmente, por dados científicos de uma rigorosa precisão fundamentados sobre experiências que em razão da espessura da crosta terrestre, o calor interno do globo só teria, após longo tempo, uma parte insignificante na temperatura da superfície exterior; as variações que esta atmosfera sofre são periódicas e devidas à ação preponderante do calor solar (cap. VII, n° 25). O efeito desta causa, sendo permanente, tanto que o efeito do calor central é nulo, ou quase, a diminuição dela não pode aportar à superfície da Terra modificações sensíveis. Para que a Terra se tornasse inabitável pelo resfriamento geral, seria preciso a extinção do Sol (2).


NOTAS

(1) Irá encontrar uma dissertação completa e ao nível da Ciência moderna a respeito da natureza do Sol e dos cometas nos Estudos e leitura sobre a Astronomia, por Camilo Flammarion. 1 vol. In-12. Impressor: Casa Gauthier-Villard, 55, estação dos Augustinhos.

(2) Ver para mais pormenores desta causa e sobre a lei do decréscimo do calor: Cartas sobre a revolução do globo, por Bertrand, págs 19 e 307.