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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO IX – REVOLUÇÕES DO GLOBO

CATACLISMOS FUTUROS

11. – As grandes comoções da Terra tiveram lugar na época em que a crosta sólida, por sua parca espessura, só ofereceu uma tênue resistência à efervescência das matérias incandescentes do interior; tem-nas visto diminuir de intensidade e de generalidade à medida que a crosta se torna consolidada. Numerosos vulcões estão atualmente extintos, outros estão recobertos pelos terrenos de formação posterior.

Poderão certamente ainda se produzir perturbações locais, por sequência de erupções vulcânicas, de abertura de alguns novos vulcões, de inundações súbitas de certas regiões; algumas ilhas poderão surgir do mar e outras submergirem; mas o tempo dos cataclismos gerais como os que marcaram os grandes períodos geológicos, passou. A Terra assumiu uma estabilidade que, sem ser absolutamente invariável, põe de hoje em diante o gênero humano ao abrigo das perturbações gerais, salvo de causas desconhecidas estranhas ao nosso globo e que nada saberia fazer prevenir.

12. – Quanto aos cometas, está-se no momento atual plenamente conhecido a respeito da sua influência, mais salutar que nociva, onde eles parecem destinados a revitalizar, si se pode assim exprimir, os mundos em lhe reportando os princípios vitais que eles têm colhido durante seus cursos através do espaço e nas vizinhanças dos Sois. Serão, assim, fontes de prosperidade em vez de mensageiros do mal.

Por sua natureza fluídica, atualmente bem constatada (capítulo VI n° 28 e seguintes), um choque violento não é crível: porque, no caso onde um deles encontrasse a Terra, seria esta última que passaria através do cometa, como através de uma neblina.

Sua cauda não é mais temível; já que é apenas a reflexão da luz solar na imensa atmosfera que se os envolve, motivo pelo qual ela está sempre voltada para o lado oposto do Sol e muda de direção seguindo a posição deste astro. Esta matéria gasosa poderia, como também, por motivo da rapidez de sua marcha, formar uma sorte de cabeleira como a esteira deixada pelo navio, ou a fumaça de uma locomotiva. De resto, vários cometas já se aproximaram da Terra sem lhe causar nenhum prejuízo; e em razão da sua densidade respectiva, a Terra exerceria sobre o cometa uma atração maior do que a do cometa sobre a Terra. Um resto de velhos prejulgamentos pode somente inspirar crendices sobre sua presença (5).

13. – É preciso igualmente relegar entre as hipóteses quiméricas a possibilidade da colisão da Terra com um outro planeta; a regularidade e invariabilidade das leis que presidem os movimentos dos corpos celestes tiram deste encontro toda probabilidade.

A Terra, entretanto, terá um fim; como? É o que se torna impossível de se prever; mas, como está ela ainda longe da perfeição que pode atingir, e da vetustez que seria um signo de declínio, seus habitantes atuais estão seguros de que não será para seu tempo (Cap. VII, n° 48 e seguintes).

14. – Fisicamente, a Terra teve as convulsões de sua infância; entrou desde então em um período de estabilidade relativa: naquele do progresso passivo que se completa pelo retorno regular dos mesmos fenômenos físicos, e o concurso inteligente do homem. Mas ela está ainda na plenitude do trabalho de produção do progresso moral. Lá, será a causa de suas maiores comoções. Até que a humanidade tenha suficientemente grandeza em perfeição por inteligência e a ponha em prática nas leis divinas, as maiores perturbações serão feitos dos homens mais do que a natureza; isto é, serão mais morais e sociais que física.

OBS. Aqui termina o texto de Kardec. Edições há que acrescentaram ao capítulo certa mensagem de Galileu que não consta do original deste capítulo.


NOTAS

(5) O cometa de 1861 cruzou a rota da Terra a vinte horas de distância à frente dela, que deveu se encontrar mergulhada em sua atmosfera, sem que disso resultasse nenhum acidente.