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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO IX – REVOLUÇÕES DO GLOBO

DILÚVIO BÍBLICO

3. – Pela inspeção dos terrenos dilacerados pelo soerguimento das montanhas e das camadas é que, formando os contrafortes, pode-se determinar sua idade geológica. Por idade geológica das montanhas não é necessário entender o número de anos de sua existência, mas o período durante o qual elas foram formadas e, por conseguinte sua ancianidade relativa. Seria um erro crer que esta ancianidade estaria em razão de sua elevação ou de sua natureza exclusivamente granítica, entendendo que a massa de granito, em se erguendo, pode ter perfurado e separado as camadas superpostas.

Constatou-se, assim, pela observação, que as montanhas dos Vosgas, da Bretanha e da Costa do Ouro, na França, que não são muito elevadas, pertenceram às mais antigas formações; elas datam do período de transição e são anteriores aos depósitos hulhíferos. O Jurássico formou-se por volta do período secundário; é contemporâneo dos répteis gigantescos. Os Pirineus formaram-se mais tarde, ao começo do período terciário. O Monte Blanco e o grupo dos Alpes ocidentais são posteriores aos Pirineus e datam por volta do período terciário. Os Alpes orientais, que compreendem as montanhas do Tirol, são mais recentes ainda, porque só se formaram por volta do fim do período terciário. Algumas montanhas da Ásia são até posteriores ao período diluviano ou lhe são contemporâneos.

Estes soerguimentos têm dado ocasionar grandes perturbações locais e inundações mais ou menos consideráveis pelo deslocamento das águas, a interrupção e mudança de curso de rios (1).

4. – O dilúvio bíblico, designado também sob o nome de grande dilúvio asiático, é um fato cuja existência não pode ser contestada. Deve ter sido ocasionado pelo soerguimento de uma parte de montanhas deste continente, como o do México. O que vem em apoio desta opinião é a existência de um mar interior que se estendia outrora do mar Negro ao oceano boreal (Ártico), atestado pelas observações geológicas. O mar de Azoff, o mar Cáspio, no qual as águas são salinas, embora não se comunicando com nenhum outro mar; o lago Aral e os inúmeros lagos conhecidos nas imensas planícies da Tartária e as estepes da Rússia parecem ser restos deste antigo mar. Desde o levantamento das montanhas do Cáucaso, uma parte destas águas foi comprimida ao norte sobre o oceano Boreal; a outra, do meio, sobre o oceano Índico. Estas aqui inundaram e assolaram precisamente a Mesopotâmia e toda a região habitada pelos ancestrais do povo hebreu. Embora este dilúvio se fizesse estender sobre uma assaz enorme superfície, um ponto avaliado atualmente é que teria sido local; que não pôde ser causado pela chuva, porque, bastante abundante e contínua que fosse durante quarenta dias, o cálculo prova que a quantidade de água tombada não poderia ser assaz grande para cobrir toda a Terra até por sobre as mais altas montanhas.

Para os homens da época, que só conheciam uma extensão deveras limitada da superfície do globo e que não tinham nenhuma ideia de sua configuração, desde o instante que a inundação tinha invadido os países conhecidos, para eles isto devia ser toda a Terra. Se a esta crença juntarmos a forma imaginosa e hiperbólica ao estilo oriental, não será surpresa o exagero da narração bíblica.

5. – O dilúvio asiático é evidentemente posterior à aparição do homem sobre a Terra, já que a memória se conservou pela tradição entre todos os povos desta parte do mundo, que se consagraram em suas teogonias.

É igualmente posterior ao grande dilúvio universal que marcou o período geológico atual; e quando se fala de homens e de animais antediluvianos, a isso se entende deste primeiro cataclismo.

 


NOTAS

(1) O último século oferece um exemplo remarcável de um fenômeno deste gênero. A seis jornadas de marcha da cidade do México encontrava-se, em 1750, um campo fértil e bem cultivado, onde cresciam em abundância o arroz, o milho e as bananas. No mês de junho, assustadores tremores de terra agitaram o solo e estes tremores se repetiam sem cessar durante dois meses inteiros. Na noite de 28 para 29 de setembro, a terra teve uma violenta convulsão; um terreno de várias léguas de extensão se elevara pouco a pouco e terminou por atingir uma altura de 500 pés, sobre uma superfície de 10 léguas quadradas. O terreno ondulava como as vagas do mar sob o sopro da tempestade; milhares de montículos se elevavam e se abismavam a seu turno; enfim, um abismo de aproximadamente 3 léguas abriu-se; fumaça, fogo, pedras abrasadas, cinzas, foram lançadas a uma altura prodigiosa. Seis montanhas surgiram deste abismo escancarado, dentre os quais o vulcão ao qual se deu o nome de Jorullo eleva-se atualmente a 550 metros acima da antiga planície. No momento em que começa o abalo do solo, os dois rios Cuitimba e São Pedro, refluindo para montante, inundaram toda a planície ocupada até então pelo Jorullo; mas, no terreno que surgia sempre, uma rachadura se abriu e os devorou. Elas ressurgiram a oeste, sobre um ponto muito distante de seu antigo leito. (Louis Figuier, La Terre avant le déluge, pág. 379).