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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

Capítulo VI – Uranografia Geral

Considerações Morais

61. – Vós nos tendes seguido em nossas excursões celestes e tendes visitado conosco regiões imensas do espaço. Sob nosso olhar, os sóis têm se sucedido aos sóis, os sistemas aos sistemas, as nebulosas às nebulosas; o panorama esplêndido da harmonia do cosmos se desenrolam ante nossos passos, e temos recebido um antegozo de ideia de infinito que não pudemos compreender em toda sua plenitude senão conforme nossa perfectibilidade futura. Os mistérios do éter têm desfeito seu enigma até então indecifrável e concebemos, ao menos, a ideia de universalidade das coisas. Importa, agora, de avançarmos e de refletirmos.

62. – É bonito sem dúvida, ter reconhecido o infinito daqui da terra e sua medíocre importância na hierarquia dos mundos; é belo ter-se combatido a presunção humana que nos é tão cara e de nos termos humilhado ante a grandeza absoluta; mas será mais belo ainda interpretarmos sob o senso da moral o espetáculo do qual fomos testemunha. Quero falar do poder infinito da natureza e da ideia que devemos fazer de seu modo de agir nas diversas levas do vasto universo.

63. – Habituados, como estamos, a julgar coisas por nossa pobre pequena estada, imaginamos que a natureza não pôde ou não deveu agir sobre os outros mundos senão dentro de regras que temos reconhecido aqui em baixo. Ora, é precisamente lá que importa reformular nosso julgamento. Lançai por instante o olhar sobre uma região qualquer de vosso globo e sobre uma das produções de vossa natureza; não reconheceríeis a chancela de uma variedade infinita e a prova de uma atividade sem igual? Não vedes sobre a asa de um pequeno pássaro das Canárias sobre a pétala de um botão de rosa entreaberto, a prestigiosa fecundidade desta bela natureza?

Que vossos estudos se apliquem aos seres que planam nos ares; que se estendam na violeta dos bosques; que se chafurdem sob as profundezas do oceano em toda e por toda parte, lereis esta verdade universal: a natureza toda poderosa atua conforme os lugares, os tempos e as circunstâncias; ela é única em sua harmonia geral, mas múltipla em suas produções; ela zomba de um sol como uma gota d’água; ela povoa de seres vivos mundo imenso com a mesma facilidade com que faz eclodir o ovo depositado por uma borboleta do outono.

64. – Ora, se tal é a variedade que a natureza tem podido nos descrever em todos os lugares sobre este pequeno mundo, tão estreito, tão limitado, quanto mais deveis entender este modo de ação sonhando com as perspectivas de vastos mundos? Quanto mais a deveis desenvolver e reconhecer a poderosa extensão em aplicando a estes mundos maravilhosos que, muito mais que a Terra, atestam sua incomensurável perfeição?

Não veja, pois, nunca, em torno de cada um dos sóis do espaço, sistemas semelhantes ao vosso sistema planetário; não vejais nunca sobre estes planetas supostos os três reinos da natureza que ocorrem em torno de vós, mas sonhai que, da mesma forma nenhuma visagem do homem corresponde a outra visagem no gênero humano integral, também uma diversidade prodigiosa, inimaginável, tem sido suspensa nas moradas etéreas que vagueiam dentro dos espaços.

Do que nossa natureza animada começa no zoófito para terminar no homem; do que a atmosfera alimenta a vida terrestre, do que o elemento líquido a renova sem cessar, do que vossas estações fazem suceder nesta vida fenômenos que a repartem, não conclua nunca que milhões de milhões de terras que vagueiam na extensão semelhantes a eles próprios; longe disso, eles diferem segundo as condições diversas que lhes sejam devolvidas e conforme o papel respectivo sobre a cena do mundo; estas são as peças variadas de um imenso mosaico, as flores diversificadas de um admirável jardim.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.