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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo VI – Uranografia Geral

Notas do Tradutor

(a) Com Einstein e suas duas teorias da relatividade, o conceito de espaço passou a ser restrito a situações e, do mesmo modo, o infinito, além do conceito geométrico de ser onde duas paralelas se encontram, passou a ter duas interpretações, a trigonométrica, em que se tenha uma circunferência onde não se sabe qual é o ponto do início da curva nem o de seu fim, e a concepção física de que o ponto do infinito é aquele que se afasta de nós com uma velocidade superior à que nos permita aproximar dele e, com isto, cada vez, fica mais distante.

(b) Naquela época ainda se desconhecia a existência do átomo e considerava-se a molécula como sendo a menor parte da matéria, daí, serem as substâncias ditas simples o fundamento da existência das demais. Os estudos atômicos de Sir Rutterford of Nelson vieram três décadas após este livro de Kardec. Por esse motivo é que veremos neste item que se segue falar de matéria cósmica já que a ideia de energia – então tida como um fluido – só surgiu no século XX. Daí, também, a conclusão do item 7. Este mesmo conceito de “matéria cósmica” vai ser repetido daqui para diante; o leitor terá em vista que se trata, exatamente da energia fundamental que forma o Universo e, a partir da qual, tudo mais tem forma e existência. Pura questão de linguagem concernente ao conhecimento da época.

(c) Naquela época não se tinha a menor ideia a respeito da constituição cósmica o Universo e nem se imaginava que este fosse pleno de uma energia fundamental amorfa que, por si só, seria incapaz de se alterar. E que a transformação desta energia é que seria a causa da existência de tudo, deste a matéria em si até as emissões quânticas de energia como o som, o calor, as ondas eletromagnéticas e que mais.

(d) Veja que já aqui Kardec admite a existência única de uma forma fundamental de matéria, hoje conhecida como energia cósmica, origem de tudo, contrariando a própria Ciência da época e só tendo a confirmação dos seus conceitos – guardadas as correlações referentes a termos desconhecidos em seu tempo – agora, com o conhecimento da energia.

Quanto às forças, hoje são conhecidas cinco delas, as quatro tradicionais, peso (gravidade), fem, forças fracas e forças fortes do átomo e a dita quinta força do Universo, ou “peso sem massa” descoberta no final do século XX – e que, pelo que tudo indica, seja a ação espiritual sobre a energia cósmica para dar-lhe as ditas formas. Esta quinta força, atuando sobre a poeira cósmica, é a responsável pela formação dos planetas e provavelmente, represente o que atualmente é chamado de frameworker – ou agente estruturador –, responsável pela elaboração das partículas atômicas.

(e) Provavelmente Kardec se refira, falando em hipóstases a um princípio grego relativo à realidade em oposição ao que seja aparente.

(f) Sobre geração espontânea, há uma corrente atual, baseada no estudo dos agentes estruturadores (frameworks) que admite que este princípio vital haja atuado nas primitivas cadeias carbônica dissolvidas nas águas do globo terrestre para dar-lhe a forma e a vida primitiva dos plânctons, única explicação plausível, até agora, encontrada para definir o surgimento deste tipo de vida biológica primitiva. Os demais seres foram surgindo segundo uma escala evolutiva, a partir deste ser zoófito primitivo.

(g) Atualmente, a posição da Ciência a respeito da formação do Universo nos diz que ele é “pulsante e anisotrópico”, ou seja, como se apresenta em expansão, ele ira se dissipar, quando perder essa expansibilidade; como tal, será reagrupado em um novo fulcro a partir do qual haverá nova expansão, daí, ser dito pulsante, ou seja, expande e retrai; porém, como a implosão não é inversa à expansão, ele será anisotrópico, pois os isotrópicos, como o movimento pendular, são aqueles que apresentam movimentos inversos nos seus pulsos repetitivos.

(h) Ao equacionar os movimentos da Lua, Galileu concluiu que ela deveria ser um ovoide em face da posição do seu baricentro, porque não podia prever que seu movimento fosse ocasionado por três luas das quais as outras duas se escondem atrás da maior, motivo pelo qual não são vistas da Terra. Isto, todavia, só foi possível se saber depois que as sondas espaciais contornaram a Lua para verificar seu lado oposto à Terra.

(i) Com relação a Marte, sabe-se, atualmente, que é um planeta com dois satélites, mas que provavelmente não existissem antes. Presume-se, mesmo, que eles sejam asteroides que saíram de sua região e acabaram se tornando satélites de Marte.

(j) Lamentavelmente, Kardec baseou-se no conhecimento da época, cometendo o que atualmente, seria considerado um impropério relativo à formação dos planetas e seus satélites. Mas na verdade, ele se baseou rigorosamente dentro das hipóteses vigentes ao seu tempo e tidas como verdade. O mesmo irá acontecer com o tópico seguinte, porque, naquela época, tinha-se o cometa como sendo um astro luminoso e não se sabia que sua cauda era de vapores d’água, iluminada pelo Sol. Temos que entender, pois, que o codificador ficou cingido à linguagem e ao conhecimento existentes.

(l) Aqui fica patente a opinião de Kardec perante as Santas Escrituras que têm a Terra como sendo a obra prima do Universo. Sem entrar nesse mérito, o texto mostra que, pela nossa insignificância perante tudo mais que existe no espaço sideral, somos, apenas, minúscula poeira de existência e que, como tal, não seria a “obra prima” da Criação.

(m) Resumindo, o que Kardec expressa aqui é que a lei universal é uma só para tudo. E o item que se segue é assaz coerente com a tese atual do Universo pulsante.

(n) Faltou, aqui, apenas, uma observação: os cientistas, até então, procuram mundos semelhantes à Terra, como se só ela e semelhantes tivessem condições de vida. Ainda preso ao conceito bíblico de Deus criando seres humanos. É de se supor, porém, que, para Espíritos mais adiantados tenham que existir mundos superiores ao nosso, a fim de que neles os mesmos possam habitar. E, da mesma forma, para Espíritos inferiores, os mundos seriam tão atrasados quanto eles.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

 

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