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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO VIII – TEORIAS DA TERRA

TEORIA DA INCRUSTAÇÃO

4. – Não mencionamos esta teoria senão por memória, atentando que ela nada tem de científica, mas unicamente porque teve certa ressonância nestes últimos tempos e que seduziu algumas pessoas. Resume-se na carta seguinte:

Deus, conforme a Bíblia, criara o mundo em seis dias, quatro mil anos antes da era cristã. Eis lá o que os geólogos contestam pelo estudo dos fósseis e os milhares de caracteres incontestáveis de vetustez que fazem remontar a origem da Terra a dez milhões de anos, e, portanto a Escritura disse a verdade e os geólogos também, e é um simples camponês (3) que os pôs de acordo em nos apresentando que nossa Terra é apenas um planeta incrustativo considerável moderno, composto de materiais deveras antigos.”

“Após o arrebatamento do planeta desconhecido, chegado à maturidade ou em harmonia com o que existia no lugar que ocupamos atualmente, a alma da Terra recebeu a ordem de reunir seus satélites para formar nosso globo atual conforme as regras do progresso em tudo e por tudo. Quatro destes astros somente consentiram na associação que lhe era proposto; a Lua apenas persistiu em sua autonomia, porque os globos têm também seu livre arbítrio. Para proceder a esta fusão, a alma da Terra dirigiu sobre os satélites um raio magnético atrativo tornou cataléptico todo seu mobiliário vegetal, animal e hominal que aportaram à comunidade. A operação só teve por testemunho a alma da Terra e os grandes mensageiros celestes que a ajudaram nesta grande obra, abrindo os globos para colocar suas entranhas em comum. A soldadura após operada, as águas se escoaram nos vazios deixados pela ausência da Lua. As atmosferas se confundiram, e a alvorada ou a ressurreição dos germens catalépticos começou; o homem foi tirado em último lugar de seu estado de hipnotismo, e se viu cercado da vegetação luxuriante do paraíso terreal e dos animais que pascentavam em paz em volta dele. Tudo isto podia se fazer em seis dias com operários também poderosos que os que Deus tinha encarregado desta tarefa. O continente Ásia nos trouxe a raça amarela, a mais civilizada anciã; a África, a raça negra; a Europa, a raça branca e a América, a raça vermelha. A Lua nos teve trazido provavelmente, a raça verde ou azul.

“Assim, certos animais, dos quais só se encontram vestígios, não teriam nunca vivido sobre nossa Terra atual, mas teriam sido trazidos de outros mundos deslocados pela velhice. Os fósseis se encontram nos climas onde eles não teriam podido existir aqui em baixo, viveram, sem dúvida nas zonas bem diferentes, sobre os globos onde nasceram. Tais vestígios se encontram nos polos entre nós que viviam no equador entre eles”.

5. – Esta teoria tem contra ela os dados, os mais positivos da ciência experimental, outra, que ela deixe toda inteira a questão da origem que pretende resolver. Ela diz bem como a Terra seria formada, porém não diz como seriam formados os quatro mundos reunidos para constituí-la.

Se as coisas se estivessem passado assim, como se faria se não se encontra em nenhuma parte os traços destas imensas soldaduras, indo desde as entranhas do globo? Cada um desses mundos trazendo seus materiais próprios, a Ásia, a África, a Europa, a América tendo cada uma sua geologia particular diferente, o que não acontece. Vê-se ao contrário, a princípio o núcleo granítico uniforme de uma composição homogênea em todas as partes do globo, sem solução de continuidade. Pois, as camadas geológicas de mesma formação, idênticas na sua constituição, por toda parte superpostas na mesma ordem, constituindo-se sem interrupção de um lado a outro dos mares, da Europa à Ásia, à África, à América e reciprocamente. Estas camadas, testemunhas das transformações do globo, atestam que estas transformações estão executadas sobre toda sua superfície, e não sobre uma parte; elas nos mostram os períodos de aparição, de existência e de desaparecimento das mesmas espécies animais e vegetais igualmente nas diferentes partes do mundo; a fauna e a flora destes períodos recuados que andam por toda parte simultaneamente sob a influência de uma temperatura uniforme, trocando por toda parte simultaneamente sob a influência de uma temperatura uniforme, trocando por toda parte de caráter à medida que a temperatura se modifica. Um tal estado de coisas é inconciliável com a formação da Terra pela adjunção de vários continentes distintos.

Se este sistema foi concebido há um século somente, ele teria podido conquistar um lugar provisório nas cosmogonias especulativas puramente imaginárias, e fundamentados sem o método experimental; mas, atualmente, não há nenhuma vitalidade e não suporta sequer o exame, porque é contraditado pelos feitos materiais.

Sem discutir aqui o livre arbítrio atribuído aos planetas, nem a questão de sua alma, pede-se que seria tornado do mar, que ocupa o vazio deixado pela Lua, se esta não tivesse posto de má vontade a se reunir com suas irmãs; o que se adviria da Terra atual se um dia se tomasse a fantasia de a Lua vir retomar seu lugar e em expulsar o mar!

6. – Este sistema seduziu algumas pessoas, porque ele parecia explicar a presença das diferentes raças de homens sobre a Terra, e sua localização; mas, desde que estas raças puderam germinar sobre os continentes separados, por que não teriam eles podido fazer sobre pontos diversos do mesmo globo? É querer resolver uma dificuldade por uma dificuldade bem maior. De fato, com certa rapidez e alguma destreza que se seja feita a operação, esta adjunção não se poderia fazer sem abalos violentos; quanto mais tenha sido ela rápida, mais os cataclismos devam ter sido desastrosos; mostra-se pois, impossível que seres simplesmente adormecidos do sono cataléptico aí tenham podido resistir, para se revelar em seguida tranquilamente. Se não eram senão germens, em que se consistiam eles? Como seres totalmente formados teriam sido reduzidos ao estado de germens? Restaria sempre a questão de saber como estes germens se desenvolveram novamente. Seria ainda a Terra formada por via miraculosa, mas, por um outro procedimento menos poético e menos grandioso que o primeiro; ao passo que as leis naturais dão, pela sua formação, uma explicação bem de outra forma completa e, sobretudo, mais racional deduzida da experiência e da observação (4).


NOTAS

(3) O Sr. Michel, de Figagnieres (Varone), autor da “Chave da vida”.

(4) Quando um sistema semelhante se liga a toda uma cosmogonia, pergunta-se sobre qual base racional pode repousar o resto.

A concordância que se pretende estabelecer, por este sistema, entre a Gênese bíblica e a Ciência, é de uma feita ilusória, desde que seja contradita pela Ciência, mesmo. Por outro lado, todas as crenças derivadas do texto bíblico têm por pedra angular a criação de uma dupla única de onde saíram todos os homens. Tirada essa pedra e tudo o que é armado em cima se desmorona. Ora, este sistema, dando à humanidade uma origem múltipla, é a negação da doutrina que lhe dota de um pai comum.

O autor da carta acima, homem de grande saber, por momentos seduzido por esta teoria, viu desde cedo os lados vulneráveis, e não tardou a combatê-la com as armas da Ciência.