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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO X – GÊNESE ORGÂNICA

PRINCÍPIO VITAL

16. – Dizendo-se que as plantas e os animais sejam formados dos mesmos princípios constitutivos dos minerais, é preciso que se entenda o sentido exclusivamente material; também só se trata aqui a questão do corpo.

Sem falar do princípio inteligente, que é uma questão à parte, existe na matéria orgânica um princípio especial imperceptível e que não pôde ainda ser definido: é o princípio vital. Este princípio, que é ativo entre o ser vivo, está apagado entre o ser morto, mas, ele não lhe proporciona menos à substância das propriedades características que a distinguem das substâncias inorgânicas. A Química que decompõe e recompõe a maior parte dos corpos inorgânicos, pôde decompor os corpos orgânicos, mas jamais conseguiu reconstituir sequer, uma folha morta, prova evidente que existe nela alguma coisa que não existe nos outros.

17. – O princípio vital (f), é ele algo distinto, tendo uma existência própria? Ou bem, para entrar no sistema de unidade do elemento gerador, seja apenas um estado particular, um das modificações do fluido cósmico universal que se torna princípio de vida, como se torna luz, fogo, calor, eletricidade? É neste último sentido que a questão é resolvida pelas comunicações reportadas anteriormente. (Cap. VI, Uranografia geral).

Mas, qualquer que seja a opinião que se faça sobre a natureza do princípio vital, ele existe já que se veem seus efeitos. Pode-se, pois, admitir logicamente que em se formando, os seres orgânicos estão assimilados ao princípio vital que era necessário o seu destino; ou, como se queira, que este princípio se desenvolveu em cada indivíduo pelo próprio efeito da combinação de elementos, como se vê, sob o comando de certas circunstâncias, desenvolver-se o calor, a umidade e a eletricidade.

18. O oxigênio, o hidrogênio, o nitrogênio e o carbono, combinando-se sem o princípio vital só formam um mineral ou corpo inorgânico; o princípio vital, modificando a constituição molecular deste corpo, dá-lhe as propriedades especiais. Em lugar de uma molécula mineral, tem-se uma molécula de matéria orgânica. (g)

A atividade do princípio vital é mantida durante a vida pela ação do jogo dos órgãos, como o calor pelo movimento de rotação de uma roda; que esta ação cessa pela morte, o princípio vital se esvai como o calor, quando a roda cessa de girar. Mas o efeito produzido sobre o estado molecular do corpo pelo princípio vitral subsiste após a extinção deste princípio, como a carbonização da lenha persiste após a extinção do calor e a cessação do movimento da roda. Na análise dos corpos orgânicos, a química reencontra bem os elementos constituintes: oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e carbono, mas não pode se reconstituir, porque a causa não existindo mais, não poderá reconstituir o efeito, enquanto que pode reconstituir uma pedra.

19. – Tomamos por comparação o calor desenvolvido pelo movimento de uma roda, porque é um efeito vulgar, conhecido de todo mundo, e mais fácil de compreender; mas, teria sido mais exato dizer que, na combinação desses elementos para formar os corpos orgânicos, desenvolve-se a eletricidade. Os corpos orgânicos seriam, assim, verdadeiras pilhas elétricas que funcionam contanto que os elementos desta pilha estejam em condições necessárias para produzir eletricidade: é a vida; que se arrestam quando cessam as condições: é a morte. Após isto, o princípio vital não seria outro senão a espécie particular de eletricidade designada sob o nome de eletricidade animal, engajada durante a vida pela ação dos órgãos, e cuja produção é arrestada na morte pela cessação desta ação.


NOTAS DO TRADUTOR

(f) Pode-se assimilar o conceito de “princípio vital” ao de “agente estruturador” (framework) hoje, como já foi dito, admitido como causa da modulação da energia fundamental do universo, antes conhecida como “fluido cósmico universal”.

(g) Atualmente, depois dos estudos de Murray Gell Mann no acelerador de partículas da Stanford University, tem-se como certo que, até uma simples subpartícula atômica é constituída a partir do anteriormente aludido agente estruturador (frameworks) externo ao domínio material compatível com a forma estrutural, sem o quê, a energia fundamental do universo jamais se alteraria para dar forma e vida à matéria ou aos corpos ditos materiais, quer minerais, quer biológicos. Contudo, estes agentes não lhe dão vida, senão existência mineral. Portanto, é de se admitir que a alma seja uma forma deles, porém, com predicados biológicos.

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