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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XI – GÊNESE ESPIRITUAL

RAÇA ADAMICA

36. – Conforme o ensinamento dos Espíritos, é uma dessas grandes imigrações, ou, se o queira, uma destas colônias espirituais vinda de uma outra esfera que deu nascimento à raça simbolizada na personalidade de Adão e, por esta razão, denominada raça adâmica. Quando ela chegou, a Terra era povoada desde tempos imemoriais, como a América quando vieram os europeus.

A raça adâmica, mais avançada do que aquelas que a tinham precedido na Terra, é, em efeito, a mais inteligente; é ela que empurra todas as outras ao progresso. A Gênese no-la mostra-nos, desde seu começo, industriosa, apta às artes e às ciências, sem ter passado pela infância intelectual, o que não é próprio das raças primitivas, mas que concorda com a opinião de que ela se compunha de Espíritos tendo já progredido. Tudo prova que ela não é anciã sobre a terra, e nada se opõe ao que ela só esteja aqui após alguns milhares de anos, o que não estaria em contradição nem com os fatos geológicos, nem com as observações antropológicas, e tenderia, ao contrário, em confirmá-las.

37. – A doutrina que faz proceder todo o gênero humano de uma só individualidade após seis mil anos, não é admissível no estado atual dos conhecimentos. As principais considerações que a contradizem, tiradas da ordem física e da ordem moral, resumem-se nos seguintes pontos:

38. – No ponto de vista fisiológico, certas raças apresentam tipos particulares característicos que não permitem de lhes assinalar uma origem comum. Há diferenças que não são evidentemente o efeito do clima, já que os brancos que se reproduzem nos países dos negros não se tornam negros, e reciprocamente. O ardor do Sol grelha e brune a epiderme, mas, jamais transformou um branco em negro, achatando o nariz, trocando a forma dos traços da fisionomia, nem tornou encrespado e lanoso os cabelos longos e sedosos. Sabe-se atualmente que a cor do negro provém de um tecido particular subcutâneo que possui a espécie.

É preciso, pois, considerar as raças negras mongólicas, caucásicas, como tendo suas origens próprias e tendo nascimento simultaneamente ou sucessivamente sobre diferentes partes do globo; seu cruzamento produziu raças mistas secundárias. Os caracteres fisiológicos das raças primitivas são o indicativo evidente de que elas provêm de tipos especiais. As mesmas considerações existem, pois, para o homem como para os animais, quanto à pluralidade das estirpes.

39. – Adão e seus descendentes são representantes na Gênese como homens essencialmente inteligentes, já que, desde a segunda geração, eles constroem cidades, cultivam a terra, talham os metais. Seus progressos nas artes e nas ciências foram rápidos e constantemente sustentados. Não se conceberia, pois, que esta cepa tenha tido por rebentos povos numerosos tão atrasados, de uma inteligência tão rudimentar, que eles costeiam, ainda, em nossos dias, com a animalidade; que teriam perdido todo traço e até a menor lembrança tradicional do que o que faziam seus pais. Uma diferença tão radical nas aptidões intelectuais e no desenvolvimento moral atesta, com não menos evidência, uma diferença de origem.

40. – Independentemente dos fatos geológicos, a prova da existência do homem sobre a terra antes da época fixada pela Gênese é tirada da população do globo.

Sem falar da cronologia chinesa, que remonta, diga-se, a trinta mil anos, dos documentos mais autênticos que atestam que o Egito, a Índia e outros países eram povoados e florescentes pelo menos três mil anos antes da era cristã, mil anos, por consequência, após da criação do primeiro homem, conforme a cronologia bíblica. Documentos e observações recentes não parecem deixar nenhuma dúvida atualmente sobre as relações que existiram entre a América e os velhos Egípcios; de onde é preciso concluir que esta região já era povoada por esta época. É necessário, pois, admitir que em mil anos a posteridade de um só homem tenha podido cobrir a maior parte da Terra; ora, uma tal fecundidade seria contrária a todas as leis antropológicas. A Gênese, ela própria nunca atribuiu aos primeiros descendentes de Adão uma fecundidade anormal, já que ela dá a enumeração nominal até Noé.

41. – A impossibilidade torna-se mais evidente si se admitir, com a Gênese que o dilúvio destruiu todo o gênero humano, à exceção de Noé e de sua família, que não era numerosa, no ano do mundo 1656, ou seja, 2348 anos antes de Jesus Cristo. Não seria, pois, em realidade, senão de Noé que dataria o povoamento do globo; ora, por esta época, a História designa Menés como rei do Egito. Quando os hebreus se estabeleceram neste último país, 642 anos depois do dilúvio, já era um poderoso império que teria sido povoado, sem falar das outras regiões, em menos de seis séculos, somente pelos descendentes de Noé, o que não é admissível.

Remarquemos, de passagem, que os egípcios acolheram os hebreus como estrangeiros; seria espantoso que tivessem perdido a lembrança de uma comunidade de origem também próxima, naquele tempo em que conservavam religiosamente os monumentos de sua História.

Uma rigorosa lógica, corroborada pelos fatos, demonstra, pois, da maneira a mais peremptória, que o homem está sobre a Terra desde um tempo indeterminado, bem anterior à época assinalada pela Gênese. Do mesmo modo, a diversidade das raças primitivas, por demonstrar a impossibilidade de uma proposição, é demonstrar a proposição contrária. Se a Geologia descobre traços autênticos da presença do homem antes do grande período diluviano, a demonstração será ainda mais absoluta.

 

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