[layerslider id=”3″]

A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
Print Friendly, PDF & Email

CAPÍTULO XI – GÊNESE ESPIRITUAL

REENCARNAÇÃO

32. – O PRINCÍPIO DA REENCARNAÇÃO É UMA CONSEQÜÊNCIA FATAL DA LEI DO PROGRESSO. Sem a reencarnação, como explicar a diferença que existe entre o estado social atual e o dos tempos de barbáries? Se as almas são criadas ao mesmo tempo em que os corpos, as que nascem atualmente são todas também novas, todas também primitivas que as que viveram há mil anos; aditemos que não haja entre elas nenhuma conexão, nenhuma relação necessária; que elas sejam completamente independente umas das outras; por que, então, as almas da atualidade seriam melhores dotadas por Deus que as predecessoras? Por que elas compreenderiam melhor? Por que teriam instintos mais apurados, usos mais doces? Por que teriam intuições de certas coisas sem lhes ter ensinado? Desafiamos de sair daí, a menos que se admita que Deus criasse almas de diversas qualidades, conforme os tempos e os lugares, proposição inconciliável com a ideia de uma soberana justiça.

Ditas, ao contrário, que as almas atuais já viveram nos tempos recônditos; que puderam ser bárbaras como seu século, mas que progrediram; que a cada nova existência elas levem as aquisições das existências anteriores; que, por consequência, que as almas dos tempos civilizados são almas não criadas mais perfeitas, mas que se aperfeiçoaram elas mesmas com o tempo, e tereis a única explicação plausível da causa do progresso social. (O Livro dos Espíritos, capítulo IV e V).

Algumas pessoas pensam que as diferentes existências da alma efetuam-se de mundo em mundo, e não sobre um mesmo globo onde cada Espírito só aparece uma única vez.

Esta doutrina seria admissível se todos os habitantes da Terra estivessem exatamente ao mesmo nível intelectual e moral; eles não poderiam então progredir senão em indo num outro mundo e sua reencarnação na Terra seria sem utilidade; ora, Deus não faz nada de inútil. Desde o instante que aí se encontram todos os graus de inteligência e de moralidade, a partir da selvageria que costeia o animal até a civilização a mais avançada, ela apresenta um vasto campo de progresso; perguntar-se-ia porque o selvagem seria obrigado ir procurar em outro lugar o grau acima dele quando se encontra a seu lado, e assim, de próximo em próximo; porque o homem avançado não teria podido fazer suas primeiras etapas senão em mundos inferiores, enquanto que os análogos de todos esses mundos estão em torno dele; que há diferentes graus de progresso não somente de povo a povo, mas no mesmo povo, mas no mesmo povo e na mesma família? Em sendo assim, Deus teria feito algo de inútil, colocando lado a lado a ignorância e o saber, a barbárie e a civilização, o bem e o mal, ao passo que é precisamente este contato que faz avançar os retardatários.

Não há, pois, mais necessidade ao que os homens troquem de mundo a cada etapa. Como não o há para que um escolar troque de colégio a cada classe; longe disso, foi uma vantagem para o progresso o que seria um entrave, porque o Espírito estaria privado do exemplo que lhe oferece a vida dos graus superiores, e da possibilidade de reparar seus danos no mesmo meio e à atenção dos que tenha ofendido, possibilidade que lhe é o mais poderoso meio de adiantamento moral. Após uma curta coabitação, os Espíritos, dispersando-se e tornando-se estranhos uns dos outros, os laços de família e de amizade, não tendo tempo de se consolidar, seriam rompidos.

Que os Espíritos deixem por um mundo mais avançado aquele que eles não possam mais nada adquirir, deve acontecer e o é; tal é o princípio. Se o é que o deixem ir adiante, é sem dúvida por causa individual que Deus pesa em sua sabedoria.

Tudo tem um objetivo na criação, sem o que Deus não seria nem prudente nem sábio; ora, se a Terra não devesse ser senão uma só etapa para o pregresso de cada indivíduo, que utilidade teria ela para os jovens em tenra idade de ai vir passar alguns anos, alguns meses, algumas horas, durante as quais eles nada podem adquirir? Da mesma forma, para os idiotas e os cretinos. Uma teoria só é boa quando a condição resolve todas as questões que a ela se amarram. A questão do morto prematuro tem sido uma pedra de tropeço para todas as doutrinas, exceto para a doutrina espírita que é a única que tem solução de maneira racional.

Para os que percorrem sobre a Terra uma carreira normal, há para o progresso, uma vantagem real a se reencontrar no mesmo meio, para aí continuar o que deixaram inacabado, durante a mesma família ou em contato com as mesmas pessoas, para reparar o mal que tenham podido fazer, ou por sofrer a pena de talião.

Print Friendly, PDF & Email