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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

APARIÇÕES DE JESUS APÓS SUA MORTE

56. – Mas Maria (Madalena) manteve-se fora, perto do sepulcro, vertendo lágrimas. E como ela chorava, abaixando-se para olhar no sepulcro, – ela viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde havia estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. – Eles lhe disseram: Mulher, por que vos chorai? Ela lhes respondeu: É que levaram meu senhor e eu não sei onde ele foi posto.

Tendo dito isto, ela se voltou e viu Jesus em pé, sem saber sequer que este foi Jesus. – Então, Jesus lhe disse: Mulher, por que vós chorais? O que procurais? Ela, pensando que se tratasse do coveiro, disse-lhe: Senhor, se fostes vós que o conduziu, diga-me aonde o pôs e eu o transportarei.

Jesus lhe disse: Maria. Logo, ela se voltou e lhe disse: Raboni, isto é, Meu Mestre. – Jesus lhe respondeu: Não me toques, porque eu ainda não subi até meu pai; mas ide encontrar meus irmãos e dize-lhe de minha parte: Eu subo até meu Pai e vosso Pai, até meu Deus e vosso Deus.

Maria Madalena veio, pois, dizer aos discípulos que ela havia visto o Senhor, e que ele lhe tinha dito estas coisas (São João, cap. XX, v.14 a 18)

57. – Este dia lá mesmo, dois dentre eles foram a uma aldeia chamada Emaús, longe a sessenta estádios de Jerusalém, – falando reunidos de tudo o que havia passado. – E ocorreu que quando se entretinham e conversavam juntos sobre lá, Jesus veio, ele próprio se juntar e se pôs a caminhar com eles; – mas seus olhos estavam cerrados, a fim de que não pudessem reconhecê-lo. – E ele lhes disse: De que conversais assim, caminhando e de onde vindes que estais tão tristes?

Um deles, chamado Cleófas, tomando a palavra, disse-lhe: Estais sós tão por fora em Jerusalém que não sabeis o que se passou esses dias aqui? – E o quê? Indagou-lhe. Eles lhe responderam: Tocando Jesus de Nazaré, que foi um profeta, poderoso ante Deus e ante todo o povo; – e de que maneira os príncipes dos sacerdotes e nossos senadores liberaram para ser condenado à morte e o crucificaram. – Ora, esperávamos que fosse ele que resgataria Israel, e, entretanto, após tudo isso, eis o terceiro dia que estas coisas se passaram. – É verdade que algumas mulheres das que estavam conosco nos pasmaram; porque indo antes do amanhecer a seu sepulcro, – e não encontrando o seu corpo elas vieram dizer que anjos mesmo, apareceram a elas e lhes dissera que ele vivia. – E alguns dos nossos, tendo estado também no sepulcro, encontraram todas as coisas como as mulheres lhes haviam reportado; mas por ele, nada encontraram.

Então, ele lhes disse: ó insensatos cujo coração tarda a crer em tudo o que os profetas disseram! Não era preciso que o Cristo sofresse todas essas coisas e que entrasse assim na glória? – E começando por Moisés, em seguida por todos os profetas, explicava-lhes em todas as Escrituras o que tinha sido dito dele.

Quando estavam próximos da aldeia para onde iam, pareceu que ele ia mais longe. – Mas eles o forçaram a ficar, dizendo-lhe: Demorai conosco, porque é tarde e que o dia já está em seu declínio, e ele entrou com os dois. – Estando com eles à mesa, tomou o pão e o benzeu e tendo-o partido, deu-o a eles. – Ao mesmo tempo seus olhos se abriram e eles o reconheceram, mas ele desapareceu de diante de seus olhos.

Então eles se disseram, um ao outro: Não é verdade que nosso coração estava todo ardente em nós quando ele nos falou no caminho e que nos explicou as Escrituras? E se erguendo à mesma hora, eles voltaram a Jerusalém e encontraram os onze apóstolos e os que permaneciam com eles estavam reunidos, – e disseram: O Senhor está realmente ressuscitado e apareceu a Simão. – Então, eles narraram também o que lhes acontecera no caminho, e como o tinham reconhecido no fracionamento do pão.

Enquanto se entretinha, assim, Jesus se apresentou no meio deles, e lhes disse: A paz esteja convosco; sou eu; não tenhais medo. – Mas, na confusão e o pavor que estavam possuídos, eles imaginaram que viam um Espírito.

E Jesus lhes disse: Por que vos perturbais? E por que se cria tanto pensamento em vossos corações? – Olhai minhas mãos e meus pés e reconheceis que sou eu mesmo; tocai-me e considerai que um Espírito não tem nem carne nem osso, como em mim, como vedes que eu os tenho. – Após ter dito isto, mostrou-lhes suas mãos e seus pés.

Mas, como não acreditavam ainda, de tanto que estavam transportados de alegria e admiração, ele lhes disse: Tendes aqui alguma coisa para comer? – Eles apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado e um favo de mel. – Ele os comeu ante eles e tomando os restos, deu-os a eles, e lhes disse: Eis o que vos dizia estando ainda convosco: que era necessário que tudo o que tenha sido escrito de mim na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos se cumpriu.

Ao mesmo tempo, abriu-lhes o espírito a fim de que entendessem as Escrituras; – e lhes disse: É assim que está escrito e é assim que era preciso que Cristo sofresse e que ressuscitasse dentre os mortos ao terceiro dia; – e que se pregasse em seu nome a penitência e a remissão dos pecados em todas as nações, em começando por Jerusalém. – Ora, sois testemunhas destas coisas. – E eu vou vos enviar o dom de meu pai, que vos prometi; mas, entretanto, demorais, na cidade até que vos sejais revestidos da força do Alto. (São Lucas, cap. XXIV, v.13 a 49)

58. – Ora, Tomé, um dos doze apóstolos chamado Dídimo, não estava com eles quando Jesus veio. – Os outros discípulos lhe disseram então: Nós vimos o Senhor. Mas este lhes disse: Se eu não vir em suas mãos a marca dos cravos que os pregaram e se eu não colocar meu dedo no furo dos cravos, e minha mão na chaga de seu lado, eu nunca o creditarei.

Oito dias após, os discípulos estando ainda no mesmo lugar, e Tomé com eles, Jesus veio, as portas estando fechadas e ele se tocou no meio deles e lhes disse: A paz esteja convosco.

Ele disse, em seguida, a Tomé: colocai aqui vosso dedo e considerai minhas mãos: chegai também vossa mão e ponde lá em meu lado; e não sejais tão incrédulos, mas fiel. – Tomé lhe respondeu e lhe disse: Meu Senhor e meu Deus! – Jesus disse-lhe: Tendes acreditado Tomé porque visteis; feliz aquele que acreditou sem ter visto! (São João, cap. XX, v.20 a 29)

59. – Jesus se fez ver ainda, depois, a seus discípulos na borda do mar de Tiberíades e ele se fez ver desta sorte:

Simão Pedro e Tome, chamado Dídimo, Natanael que era de Cana, na Galileia, os filhos de Zebedeu e dois outros de seus discípulos, estavam reunidos. – Simão Pedro lhes disse: vou pescar. Eles lhe disseram: Nós iremos também convosco. Foram-se, pois, e entraram em um barco, mas nesta noite, lá, nada pegaram.

Tendo vindo a manhã, Jesus apareceu sobre a borda da praia sem que seus discípulos conhecessem que era Jesus.- Jesus lhes disse, então: Filhos, nada tendes para comer? Eles lhes responderam: Não. – Ele lhes disse: Lançai a rede do lado direito do barco, e vós os encontrareis. Eles a lançaram logo e não puderam mais retira-la de tanto que estava carregada de peixes.

Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro. É o Senhor. E Simão Pedro tendo percebido que era o Senhor, vestiu sua roupa (porque estava nu), e se lançou ao mar. – Os outros discípulos vieram com o barco; e como não estavam longe da terra, senão em torno de duzentos côvados, eles aí tiraram a rede cheia de peixes. (São João, cap. XXI, v.1 a 18)

60. – Após isso, ele os levou afora, para Betânia; e tendo lavado as mãos, ele os benzeu; – e em benzendo, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.

Por eles, após tê-lo adorado, voltaram a Jerusalém, cheios de alegria; – e estavam sem cessar no templo louvando e bendizendo Deus. Amém. (São Lucas, cap. XXIV, v.50 a 53)

61. – As aparições de Jesus após sua morte são reportadas por todos os evangelistas com pormenores circunstanciados que não permitem duvidar da realidade do fato. Elas se explicam, aliás, perfeitamente, pelas leis fluídicas e as propriedades do perispírito e não apresentam nada de anormal com os fenômenos do mesmo gênero dos quais a História Antiga e a Contemporânea oferecem numerosos exemplos, sem excetuar a tangibilidade. Salvo se observe as circunstâncias que acompanharam suas diversas aparições, reconhece-se nele, nestes momentos, todos os caracteres de um ser fluídico. Ele aparece inopinadamente e desaparece do mesmo jeito; – é visto por uns e não pelos outros, sob aparência que não o fazem reconhecido mesmo por seus discípulos; ele se mostra em lugares fechados onde um corpo carnal não poderia penetrar; sua linguagem, mesmo, não tem a verve da de um ser corpóreo; tem o tom breve e sentencioso particular dos Espíritos que se manifestam desta maneira; todas suas passadas, em uma palavra, têm algo que não é do mundo terrestre. Sua visão causa por vez surpresa e de outras, temor; seus discípulos em o vendo não lhe falam com a mesma liberdade; sentem que não é mais o homem.

Jesus mostrou-se, pois com seu corpo perispiritual, o que explica que só tenha sido visto por aqueles a quem tenha querido se fazer ver; se tivesse tido um corpo carnal, seria visto pela primeira vinda, como um ser vivo. Seus discípulos ignorando a causa primária do fenômeno das aparições, não se deram conta destas particularidades que eles não notavam, provavelmente; eles viam Jesus e o tocavam, para eles este devia ser seu corpo ressuscitado. (Cap. XIV, n° 14 e 35 a 38)

62. – Naquele tempo que a incredulidade rejeitava todos os fatos executados por Jesus tendo uma aparência sobrenatural, e os considerava, sem exceção, como lendários, o Espiritismo dá à maior parte destes fatos uma explicação natural; prova-lhe a possibilidade, não somente pela teoria das leis fluídicas, mas pela identidade com os fatos análogos produzidos por uma multidão de pessoas nas condições as mais vulgares. Já que estes fatos estão, de alguma sorte, no domínio público, não provam nada, em princípio, tocante à natureza excepcional de Jesus. (7)

63. – O maior dos milagres que Jesus fez foi o que atesta verdadeiramente sua superioridade, e a revolução que seus ensinamentos operaram no mundo malgrado a exiguidade de seus meios de ação.

Em efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na condição a mais humilde, entre um pequeno povo quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, não prega senão por três anos; durante este curto espaço de tempo, ele é menosprezado e perseguido por seus concidadãos, caluniado, tratado como impostor; é obrigado a fugir para não ser apedrejado; é traído por um de seus apóstolos, renegado por outro, abandonado por todos no momento em que cai nas mãos de seus inimigos. Ele só fez o bem e isso não o colocava ao abrigo da malquerença que voltou contra ele os próprios serviços que prestava. Condenado ao suplício reservado aos criminosos, morre ignorado do mundo porque a História sua contemporânea cala-se sobre seu compto. (8) Não há nada escrito e, entretanto ajudado por alguns homens obscuros como ele, sua palavra foi suficiente para regenerar o mundo, sua doutrina matou o paganismo todo-poderosos e se tornou a bandeira da civilização. Tinha, pois, contra ele, tudo o que se pode fazer gorar os homens, é pelo que dizemos que o triunfo da sua doutrina é maior do que seus milagres, ao mesmo tempo em que prova sua missão divina. Se, em lugar de princípios sociais e regeneração fundamentados sobre o futuro espiritual do homem, ele só teria oferecido à posteridade alguns fatos maravilhosos sob pena de se conhecê-lo, talvez, de nome, atualmente.


NOTAS

(7) Os numerosos fatos contemporâneos de curas, aparições, possessões, dupla vista e outros, que estão relatados na Revista Espírita são lembrados nas referências acima, oferecem, até nas circunstâncias de pormenores, uma analogia tão marcante com as que reporta o Evangelho, que a similitude dos efeitos e das causas permanece evidente. Pergunta-se, pois, porque o mesmo fato teria uma causa natural, atualmente e sobrenatural outrora; diabólico entre alguns e divino entre outros. Se fosse possível de os colocar aqui a respeito de uns dos outros, a comparação seria muito fácil; mas o número e os desenvolvimentos que a maior parte necessita, não o permitem.

(8) O historiador judeu Joseph é o único que fala dele e diz muito pouca coisa.

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