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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

DUPLA VISÃO

Entrada de Jesus em Jerusalém

5. – Logo que se aproximaram de Jerusalém, e que chegaram a Bethfagê, próximo da montanha das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos – e lhes disse: ide a esta aldeia que está ante vós e aí encontrareis chegando uma asna presa e seu asninho ao pé da mesma; desamarrai-a e me trazei-os. – Se alguém vos disser alguma coisa, dizei-lhe que o Senhor tem-lhe necessidade, e, dessa maneira, deixarão trazê-los. – Ora, tudo isto é feito a fim de que esta palavra do profeta fosse cumprida: – Dizei à filha de Sion: Eis aqui vosso rei que vem a vós, cheio de doçura, montado sobre uma asna e sobre um asnozinho daquela que está sob o jugo.

Os discípulos em se foram, pois, e fizeram o que Jesus os havia mandado. – E indo em busca da asna e do asninho, cobriram-nos com suas vestimentas e o fizeram montar sobre eles. (São Mateus, cap. XXI, v.1 a 7)

 

Beijo de Judas

6. – Erguei-vos, vamos, aquele que deve me trair está perto daqui. – Não tinha ainda terminado estas palavras, que Judas, um dos doze, chegou e, com ele, uma tropa de pessoas armadas de espada e bastões, que tinham sido enviados pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. – Ora, aquele que o traíra tinha-lhe dado um sinal para reconhecê-lo em lhe dizendo: Aquele que eu beijar é o próprio que procurais; agarrai-o. – Logo, pois, aproximou-se de Jesus e lhe disse: – Mestre, eu vos saúdo; e o beijou. – Jesus respondeu-lhe: Meu amigo, o que vindes fazer aqui? E, ao mesmo tempo, os demais avançando, lançaram-se sobre Jesus e apoderaram-se dele. (São Mateus, cap. XXVI, v.46 a 50)

 

Pesca miraculosa

7. – Um dia em que Jesus estava nas margens do lago de Genezaré, encontrando-se oprimido pela multidão do povo que se comprimia para escutar a palavra de Deus, – ele viu dois barcos chegando à margem do lago dos quais os pescadores tinham descido e levavam suas redes. – Ele entrou, então, em um dos barcos que era de Simão e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra; e, estando sentado, ele ensinava o povo de dentro da embarcação.

Assim que acabou de falar, disse a Simão: avançai ao largo das águas e lançai vossa rede de pescar. – Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada pegar, entretanto, sobre vossa palavra, eu lançarei a rede. – Tendo-a lançado, então, pegaram uma tão grande quantidade de peixes que sua rede se rompeu. – E fizeram sinal a seus companheiros que estavam no outro barco, para vir ajudá-los. Eles o vieram e encheram de tal forma seus barcos que faltou pouco para que eles não fossem ao fundo. (São Lucas, cap. V, v.1 a 7)

 

Vocação de Pedro, André, Jacó, João e Mateus

8. – Ora, Jesus caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos Simão chamado Pedro e André seu irmão que lançavam suas redes ao mar porque eram pescadores, – e ele lhes disse: Segui-me e eu vos farei pescadores de homens. – Tão logo eles deixaram suas redes e o seguiram.

Dali, avançando, viu dois outros irmãos, Jacó filho de Zebedeu e João seu irmão que estavam em um barco com Zebedeu, pai deles e que arrumavam suas redes, e ele chamou-os. Ao mesmo tempo, abandonaram suas redes e seu pai e o seguiram. (São Mateus, cap. IV, v.18 a 22)

Jesus, saindo de lá, viu passando um homem assentado numa mesa de impostos, de nome Mateus, ao qual disse: Segui-me e ele logo se levantou e seguiu-o. (São Mateus, cap. IV, v.9)

9. – Estes fatos nada têm de surpreendente quando se conhece o poder da dupla visão e a causa muito natural desta faculdade. Jesus a possuía ao supremo grau e pode-se dizer que ela era seu estado normal, o que atestam um grande número de atos de sua vida e o que explicam atualmente os fenômenos magnéticos e o Espiritismo.

A pesca qualificada, de miraculosa explica-se igualmente pela dupla visão. Jesus nunca teria produzido espontaneamente peixes lá onde não o existissem; ele viu como poderia fazê-lo um lúcido vidente, pela visão da alma, o local onde eles se encontravam e pôde dizê-lo com segurança aos pescadores onde lançar suas redes.

A penetração do pensamento e, por conseguinte, certas previsões são a consequência da vida espiritual. Quando Jesus chamou a si Pedro, André, Jacó (a), João e Mateus, era preciso que conhecesse suas disposições íntimas para saber que eles o seguiriam e que seriam capazes de preencher a missão da qual os devia encarregar. Era necessário que eles próprios tivessem a intuição desta missão para se abandonarem a ele. É o mesmo quando, no dia da ceia, anuncia que um dos doze o trairia e que o designa em dizendo que é aquele que coloca a mão na baixela e quando diz que Pedro o renegará.

Em vários trechos do Evangelho é dito: “mas Jesus conhecendo seus pensamentos, lhe diz…” Ora, como podia ele conhecer seu pensamento, se isto não é, por sua vez, pela suas radiações fluídicas, senão que a ele aportara este pensamento e a visão espiritual que lhes permitia lesse no foro íntimo dos indivíduos?

Então, frequentemente, que se creia um pensamento profundamente escondido no recôndito da alma, não se duvida que se leva consigo um espelho que a reflete, um revelador em sua própria radiação fluídica que nela está impregnada. Caso se visse o mecanismo do mundo invisível que nos envolve, as ramificações destes fios condutores do pensamento que religam todos os seres inteligentes, corpóreos e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das impressões do mundo moral, e que, como correntes de ar atravessando o espaço, seriam menos surpreendentes sobre certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso (Cap. XIV, n° 22 e seguintes)


NOTAS DO TRADUTOR

(a) Jacques em francês)

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