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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

POSSESSOS

29. – Vieram, em seguida, a Cafarnaum; Jesus entrando a princípio, no dia de sábado, na sinagoga, instruiu-os; e eles se espantaram com sua doutrina, porque ele os intuía como tendo autoridade, e não como os escribas.

Ora, encontrava-se na sinagoga um homem possuído de um Espírito impuro que bradava, – em dizendo: Que há entre vós e nós, Jesus de Nazaré? Sois vós vindos para nos perder? Eu sei o que vós sois: sois o Santo Deus. – Mas Jesus falando-lhe com ameaça, disse-lhe: cala-te e saia deste homem. – então, o Espírito impuro, agitando-se com violentas convulsões, e lançando um grande grito, saiu dele.

Todos o ficaram surpresos, que se indagavam uns dos outros: O que é isto? E qual é esta nova doutrina? Ele comanda com império, mesmo os Espíritos impuros e eles lhe obedecem. (São Marcos, cap. I, v. de 21 a 27)

30. – Após eles terem saído, apresentaram-lhe um homem mudo possuído do demônio. – O demônio tendo sido enxotado, o mudo falou e o povo em fuste na admiração, diziam eles: Nunca, jamais, vi semelhante coisa em Israel.

Mas os fariseus diziam ao contrário: É pelo príncipe dos demônios que ele enxota os demônios. (São Mateus, cap. IX, v.32 a 34)

31. – Quando ele veio ao lugar onde estavam os outros discípulos, viu uma grande multidão de pessoas em volta deles e escribas que disputavam com eles. – Logo, todo povo, tendo percebido Jesus, foi tomado de assombro e de pavor; acorrendo, eles o saudaram.

Então ele lhes indagou: Do que disputai em conjunto? – E um homem dentre o povo, tomando a palavra, disse-lhe: Mestre, eu vos trouxe meu filho que está possuído de um Espírito mudo; – e em qualquer lugar que ele se apodere de meu filho, ele o lança contra o chão e o menino espuma, trinca os dentes e fica todo seco. Pedi a vossos discípulos que o curassem, mas eles não o puderam.

Jesus lhe respondeu: Ó gente incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos acudirei? Conduzi-o a mim? – Eles levaram-no; e ele ainda não tinha visto Jesus quando o Espírito começou a se agitar com violência, e caiu por terra, onde ele rolava espumando.

Jesus indagou ao pai da criança: Quanto tempo há que isto aconteceu? Desde sua infância, disse o pai. – E o Espírito o tem frequentemente lançado, várias vezes no fogo e outras tantas na água para fazê-lo perecer; mas se podeis alguma coisa, tendes compaixão de nós e nos socorreis.

Jesus respondeu-lhe: Se vós puderdes crer, tudo é possível àquele que acredita. – Logo, o pai do menino, gritando, disse-lhe com lágrimas: Senhor, eu creio, ajudai-me em minha incredulidade.

E Jesus vendo que o povo acorria em massa, falou com ameaças ao Espírito impuro e lhe disse: Espírito surdo e mudo, saia da criança, eu te ordeno e não retorne mais aí. – Então, este Espírito, tendo soltado um grande grito e tendo se agitado em violentas convulsões, saiu e o menino permaneceu como morto, de sorte que vários disseram que ele estava morto. – Mas Jesus tendo-o tomado pela mão e o erguendo, ele se levantou.

Logo que Jesus entrou na casa, seus discípulos lhe disseram em particular: De onde provém não termos podido expulsar este demônio? – Ele respondeu-lhes: Esta sorte de demônio não pode ser caçada por nenhum outro meio senão pela prece e pela abstinência. (São Marcos, cap. IX, v.13 a 28)

32. – Então, foi-lhe apresentado um possesso cego e mudo, e ele o curou, de sorte que ele começou a falar e a ver. – Todo o povo ficou cheio de admiração e lhe disseram: Não é este exatamente o filho de David?

Mas os fariseus ouvindo isto, disseram: Este homem só expulsa o demônio pela virtude de Belzebu, príncipe dos demônios.

Ora, Jesus conhecendo seus pensamentos, lhes disse: Todo reino dividido contra ele próprio será arruinado e toda cidade ou casa que esteja dividida contra ela própria, não poderá subsistir. Se Satã dá caça a Satã, ele está dividido contra ele próprio, como, pois, sue reino subsistirá? E se é por Belzebu que expulso os demônios, por quem vossos filhos lhe dão caça? É por isso que eles serão os próprios vossos julgadores. – Se eu dou caça aos demônios pelo Espírito de Deus, o reino de Deus está, pois, vindo até vós. (São Mateus, cap. XII, v.22 a 28)

33. – As libertações de possessos figuram, com as curas, entre os atos os mais numerosos de Jesus. Entre os fatos desta natureza existe aquele como aquele que foi reportado acima no n°. 30 onde a possessão não é evidente. É provável que àquela época, como acontece ainda em nossos dias, atribuía-se à influência dos demônios todas as doenças cuja causa fosse desconhecida, principalmente o mutismo, a epilepsia e a catalepsia. Mas acontece onde a ação dos maus Espíritos não é duvidosa; tem aqueles dos quais somos testemunhas, uma analogia tão tocante que neles se reconhecem todos os sintomas deste gênero de afecção. A prova da participação de uma inteligência oculta, em casos semelhantes, resulta de um fato material; são as numerosas curas radicais obtidas em alguns Centros espíritas pela simples evocação e a moralização dos Espíritos obsessores sem magnetização nem medicamentos e frequentemente na ausência à distância do paciente. A imensa superioridade do Cristo dava-lhe uma tal autoridade sobre os Espíritos imperfeitos, então chamados de demônios, que lhe era suficiente comanda-los a se retirar para que eles não pudessem resistir a esta injunção. (Cap. XIV, n° 46)

34. – O fato de maus Espíritos enviados aos corpos de porcos é contrário a todas as probabilidades. Um Espírito mau não é menos do que um Espírito humano ainda assaz imperfeito para fazer o mal depois da morte como o fizesse antes e é contra as leis da natureza que possa animar corpos de um animal; é preciso, pois, ver nisso uma de suas amplificações comuns de um fato real na época de ignorância e de superstição, ou talvez uma alegoria para caracterizar as tendências imundas de certos Espíritos.

35. – Os obsedados e os possessos parece terem sido muito numerosos na Judéia, ao tempo de Jesus, o que lhe dava ocasião de curá-los bastante. Os maus Espíritos tinham, sem dúvida, feito invasão neste país e causado uma epidemia de possessões. (Cap. XIV, n° 49)

Sem estar num estado epidêmico, as obsessões individuais são extremamente frequentes e se apresentam sob aspectos muito variados que um conhecimento aprofundado do Espiritismo faz facilmente reconhecer; podem frequentemente ter consequências importunas para a saúde, quer em agravando as afecções orgânicas, quer em as determinando. Elas serão incontestavelmente colocadas um dia entre as causas patológicas requerentes, por sua natureza especial, meios de tratamento especiais. O Espiritismo em fazendo conhecer a causa do mal, abre uma nova via à arte de curar e fornece a ciência o meio de conseguir aí onde ela só encalha frequentemente pela falta de atacar a causa primeira do mal. (Livro dos Médiuns, cap. XXIII)

36. – Jesus era acusado pelos fariseus de expulsar os demônios pelo demônio; o bem propriamente dito que ele fazia era, segundo os mesmos, a obra de Satã sem refletir que Satã se caçando a si mesmo fazia um ato de insensatez. Esta doutrina é ainda a que a Igreja procura fazer prevalecer atualmente contra as manifestações espíritas. (1)


NOTA

(1) Todos os teólogos estão longe de professar opiniões também absolutas sobre a doutrina demoníaca. Eis a de um eclesiástico do qual o clero não poderá contestar o valor. Encontra-se a passagem seguinte na Conferência sobre a religião, por Monsenhor Freyssinous, bispo de Hermópolis, tomo II, p. 341, Paris, 1825.