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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

RESSURREIÇÃO

Filha de Jairo

37. – Jesus, estando ainda a passar no barco para a outra borda, tão logo ficou próximo do mar, uma grande multidão de pessoas se reuniu em volta dele. E um dirigente da sinagoga, chamado Jairo, veio encontrá-lo; e o encontrando, lançou-se a seus pés, – e suplicava-lhe com grande instância, dizendo-lhe: Tenho uma filha que está terminal; vinde lhe impor as mãos para curá-la e salvar-lhe a vida.

Jesus se foi com ele e era seguido de uma grande massa de pessoas que o comprimia

Enquanto ele, Jairo, falava ainda, veio gente do chefe da sinagoga que lhe disse: vossa filha está morta; por que quereis dar ao Mestre a pena de ir mais longe? – Mas Jesus tendo percebido estas palavras, disse ao dirigente da sinagoga: Não temeis jamais, crede somente. – E não permitiu que ninguém o seguisse, apenas Pedro, Jacó e João, irmão de Jacó.

Estando chegado à casa do dirigente da Sinagoga, ele aí viu um grupo confuso de pessoas que choravam e que lançaram grandes gritos; – e, entrando-lhe, disse-lhes: por que fazeis tanto barulho e por que chorais? Esta filha não está morta, ela apenas está adormecida. – E eles zombaram dele. Tendo feito sair todo mundo, ele tomou o pai e a mãe da criança e os que tinham vindo com ele, e entrou no lugar onde a filha estava deitada. – Tomou-a pela mão e lhe disse Talitha cumi, ou seja: Minha filha, levantai-vos, eu comando. – No mesmo instante, a filha se levantou e se pôs a caminhar; porque tinha doze anos, ficaram maravilhosamente pasmos. (São Marcos, cap. V, v.21 a 43)

 

Filho da viúva de Naim

38. O dia seguinte Jesus ia a uma cidade chamada Naim, e seus discípulos o acompanhariam com uma grande multidão de povo. – Quando estava perto da entrada da cidade, encontrou-se com um préstito que trazia um morto para enterro, que era filho único de sua mãe e esta mulher era viúva e havia uma grande quantidade de pessoas da cidade com ela. – O Senhor, tendo-a visto, foi tocado de compaixão por ela, e lhe disse: Não chore mais. – Depois, aproximando-se, tocou o caixão e os que o conduziam retiveram-se. Então, ele disse: Jovem homem, levantai-vos, eu vos comando. – Ao mesmo tempo, o morto se elevou sobre seu assento e começou a falar; e Jesus rendeu-o à sua mãe.

Todos os que estavam presentes foram tomados de medo e glorificaram Deus dizendo: Um grande profeta apareceu no meio de nós e Deus visitou seu povo. – O rumor deste milagre que ele havia feito se espalhou por toda a Judéia e em todos os países em volta. (São Lucas, cap. VII, v.11 a 17)

 

39. – O fato do retorno à vida corpórea de um indivíduo realmente morto, seria contrário às leis da natureza, e por consequência, miraculoso. Ora, não é necessário recorrer a esta ordem de fatos para explicar as ressurreições operadas pelo Cristo.

Se, entre nós, as aparências enganam, por vezes os gênios da arte, os acidentes desta natureza deviam ser, senão frequentes num país onde não se tomasse nenhuma precaução e onde o sepultamento fosse inédito. (2) Há, pois, toda a probabilidade que nos dois exemplos anteriores só devesse haver síncope ou letargia. Jesus, ele mesmo o disse positivamente, da filha de Jairo: Esta filha, diz ele, não está morta; ela apenas dorme. A partir do poder fluídico que possuía Jesus, nada há de extraordinário ao que o fluido vital dirigido por uma forte vontade, tenha reanimado os sentidos entorpecidos; que tenha, mesmo, podido voltar ao corpo o Espírito prestes a deixa-lo, tanto que o laço perispiritual não estava definitivamente rompido. Para os homens desse tempo que acreditavam que o indivíduo estivesse morto desde que ele não respirasse mais, haveria ressurreição, e eles puderam afirmar de muito boa fé: mas havia, em realidade, cura e não ressurreição na acepção do termo.

 

40. – A ressurreição de Lázaro, o que quer que se diga, não anula de modo nenhum, este princípio. Ele estava, dizia-se após quatro dias, no sepulcro, mas sabe-se que há letargias que duram oito dias ou mais. Junte-se que ele recendia mal, que é um sinal de decomposição. Esta alegação não prova nada, não mais, atentando que, entre certos indivíduos existe decomposição parcial do corpo, mesmo antes da morte e que exalam um odor de putrefação. A morte não chega senão quando os órgãos essenciais à vida são atacados.

E quem poderia saber se ele se sentia mal? É sua irmã Marta que o diz, mas como o sabia ela? Lázaro estando enterrado após quatro dias, ela poderia supô-lo, mas não em ter certeza. (Cap. XIV, n°. 29) (3)


NOTAS

(2) Uma prova deste costume se encontra nos Atos dos Apóstolos, cap. V, v.5 e sequentes:

“Ananias, tendo escutado estas palavras, caiu e encontrou o Espírito; e todos os que escutaram falar foram tomados de um grande medo. – Logo, alguns jovens vieram tomar seu corpo, e tendo-o carregado, eles o enterraram. Aproximadamente três horas após, sua mulher (Safira), que não sabia o que estava chegando, entrou. E Pedro lhe disse…, etc. – No mesmo momento, ela caiu a seus pés e encontrou o Espírito. Estes jovens homens, entrando, encontraram-na morta; e, conduzindo-a, eles enterraram-na próximo de seu marido.”

(3) O fato seguinte prova que a decomposição precede, por vezes, a morte. No convento do Bom Pastor, fundado em Toulon pelo abade Marin, capelão dos presídios para filhas arrependidas, encontrava-se uma jovem mulher que tinha experimentado os mais terríveis sofrimentos com a calma e a impassibilidade de uma vítima expiatória. Ao meio das dores ela parecia sorrir ante uma celeste visão; como santa Teresa, ela pedia sofrer ainda; sua carne se ia em farrapos, a gangrena ganhava seus membros; por uma sábia providência, os médicos tinham recomendado que fizessem a inumação do corpo imediatamente após o óbito. Coisa estranha! Mal ela deu o último suspiro, que todo o trabalho de decomposição parou; as exalações cadavéricas cessaram; durante trinta e seis horas ela ficou exposta às preces e às venerações da comunidade.