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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

TENTAÇÃO DE JESUS

52. – Jesus transportado pelo diabo ao alto do templo, depois sobre uma montanha e tentado por ele é uma destas parábolas que lhe eram tão familiares e que a credulidade pública transformou em fatos materiais (5).

 

53. – “Jesus não foi arrebatado, mas queria fazer compreender aos homens que a humanidade está sujeita a falir e que deva estar sempre em guarda contra as más inspirações àquelas que sua natureza fraca leva a ceder. A tentação de Jesus é, pois, uma figura e é preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como quereis que o Messias, o verbo de Deus encarnado se submetesse por uns tempos, por mais curto que fosse, às sugestões do demônio e que, como diz o Evangelho de Lucas, o demônio o tenha detido por um tempo, o que daria que pensar que ele fosse ainda submisso a seu poder. Não; compreendais melhor os ensinamentos que vos tenham sido dados. O Espírito do mal não podia nada sobre a essência do bem. Ninguém diz que viu Jesus sobre a montanha nem sobre a cúpula do templo; certamente, este teria sido um fato de natureza tal que se espalharia entre todas as pessoas. A tentação não foi, pois, um ato material e físico. Quanto ao ato moral, podeis admitir que o Espírito das trevas pudesse dizer a quem conheça sua origem e seu poder: ‘Adora-me e eu te darei todos os reinos da Terra?’ O demônio teria, pois, ignorado quem era aquele a quem fazia tais ofertas, o que não é provável; se ele o conhecia, sua proposição era uma falta de senso, porque ele sabia bem que seria repelido por aquele que vinha arruinar seu império sobre os homens.”

“Compreendeis, pois o sentido desta parábola, porque o é uma, tal e qual a do Filho pródigo e do Bom Samaritano. Uma nos mostra os perigos que correm os homens, se não resistirem a esta voz íntima que a ele grita sem cessar: ‘Tu podes ser mais do que és; tu podes possuir mais do que o possuis, tu podes crescer, alcançar; cede à voz da ambição e todos os teus votos estarão satisfeitos.’ Ela vos mostra o perigo e o meio de evita-lo, em dizendo às más inspirações: Retira-te, Satã! Senão, dize: Para trás, tentação!”

“As duas outras parábolas que lembrei vos mostram o que pode ainda esperar aquele que, muito fraco para repelir o demônio, sucumbiu a suas tentações. Elas vos mostram a misericórdia do pai de família entendendo sua mão sobre a fronte do filho arrependido e lhe concedendo com amor o perdão esperado. Elas vos mostram o culpado, o cismático, o homem rejeitado pelos seus irmãos, valendo melhor aos olhos do Juiz supremo, do que aqueles que o desprezaram, porque pratica as virtudes ensinadas pela lei do amor.”

“Pesai bem os ensinamentos dados nos Evangelhos; saber distinguir o que está no sentido próprio ou no sentido figurado, e seus erros que vos tendes cegado durante tantos séculos, esfacelar-se-ão pouco a pouco, para fazer lugar à resplandecente luz da verdade.” (Bordéus, 1862. João Evangelista).

Prodígios à morte de Jesus

54. – Ora, depois da sexta hora do dia até a nona, toda a Terra tornou-se coberta de trevas.

Ao mesmo tempo, o véu do Templo se dilacerara em dois desde em cima até em baixo; a Terra tremera, as pedras fenderam-se; – os sepulcros se abriram e vários corpos dos santos, que estavam no sono da morte, ressuscitaram; – e saindo de suas tumbas após sua ressurreição, vieram para a cidade santa, e foram vistos por várias pessoas. (São Mateus, cap. XXVII, v.45, 51 a 53)

55. – É estranho que tais prodígios, acontecendo no mesmo momento em que a atenção da cidade estava fixa no sepulcro de Jesus, que era o acontecimento do dia, não tenha sido notado já que nenhum historiador faça menção dele. Parece impossível que um tremor de terra e toda a Terra coberta pelas trevas durante três horas, em um país onde o céu está sempre de uma perfeita limpidez, tenha podido passar a despercebido.

A duração desta obscuridade está bem próxima da de um eclipse do Sol, mas estas sortes de eclipse só se reproduzem na lua nova e a morte de Jesus ocorreu durante o plenilúnio, dia 14 do mês de nissan, dia da páscoa dos judeus.

O obscurecimento do Sol pode também ser produzido pelas nódoas que se nota em sua superfície. Em caso semelhante, a claridade da luz fica sensivelmente debilitada, mas jamais ao ponto de produzir a escuridão e as trevas. Supondo-se que um fenômeno deste gênero tenha tido lugar nesta época teria sido uma causa perfeitamente natural. (6)

Quanto aos mortos ressuscitados, é possível que algumas pessoas tenham tido visões ou aparições o que não e nada excepcional; mas como então não se conhecia a causa deste fenômeno, afigurava-se que as aparições de indivíduos saíram do sepulcro.

Os discípulos de Jesus, emocionados com a morte de seu mestre, sem dúvida, ligariam quaisquer fatos particulares aqueles que não tivessem prestado nenhuma atenção em outros tempos. Seria suficiente que um fragmento de rocha se solte neste momento para que gentes predispostas às maravilhas aí vejam um prodígio e que, em amplificando o fato, tenham dito que as pedras se fenderam.

Jesus é grande por suas obras e não pelos quadros fantásticos do qual um entusiasmo pouco claro acreditou-se dever envolve-lo.


NOTAS

(5) A explicação seguinte é tirada textualmente de uma instrução dada a este assunto por um Espírito.

(6) Há constantemente na superfície do Sol nódoas fixas que seguem seu movimento de rotação e têm servido para determinar-lhe a duração. Mas estas nódoas aumentam, por vezes, de número em extensão e em intensidade, e é então que se produz uma diminuição na luz e no calor. Este aumento no número das nódoas parece coincidir com certos fenômenos astronômicos e a posição relativa de certos planetas o que lhe causa o retorno periódico. A duração desse obscurecimento é muito variável; por vezes não é mais do que duas ou três horas, mas, em 535 houve um que durou quatorze meses.

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