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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO XVII – PREDIÇÕES DO EVANGELHO

JULGAMENTO FINAL

62. – Ora, quando o Filho do homem vier na sua majestade, acompanhado de todos os anjos, ele assentará sobre o trono de sua glória; – e todas as nações estando reunidas ante ele, ele separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas de com os bodes, e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à esquerda. – Então, o Rei dirá àqueles que estejam à direita: Vinde vós que tendes sido benditos por meu Pai, etc. (São Mateus, cap. XXV, v. 31 a 46 – Evangelho conforme o Espiritismo, cap. XV)

63. – O bem, devendo reinar sobre a Terra, é preciso que os Espíritos endurecidos no mal e que poderiam aí levar a confusão o sejam excluídos. Deus os havia deixado o tempo necessário a seu melhoramento; mas o momento em que o globo deva se elevar na hierarquia dos mundos, pelo progresso moral de seus habitantes, estando chegado tal tempo como Espíritos e como encarnados, sê-lo-á interdito àquele que, não tendo aproveitado das instruções que eles tenham sido encarregados de receber. Serão exilados em mundos inferiores como o foram outrora, sobre a Terra os da raça adâmica, ao passo que serão substituídos por Espíritos melhores. É esta separação à qual presidirá Jesus que é ilustrada por estas palavras do juízo final: “Os bons passarão à minha direita e os mordazes à minha esquerda” (Cap. XI, n° 31 e seguintes)

64. – A doutrina de um julgamento final, único e universal, empregando a tudo jamais fim da humanidade, repugna à razão neste sentido em que implicaria a inatividade de Deus durante a eternidade que seguirá sua destruição. Pergunta-se de que utilidade teriam, então, o Sol, a Lua e as estrelas que, conforme a Gênese, foram feitos para clarear nosso mundo. É espantoso que uma obra tão imensa tenha sido feita por tão pouco tempo e ao proveito de seres dos quais, a maior parte estaria voltada para o avanço dos suplícios eternos.

65. – Materialmente, a ideia de um julgamento único era, até a um certo ponto, admissível para aqueles que não procuram a razão das coisas, então, que se creia toda humanidade concentrada sobre a Terra e que tudo no Universo tinha sido feito para seus habitantes; ela é inadmissível desde que se soube que há milhares de mundos semelhantes que perpetuam as humanidades durante a eternidade, e entre os quais a Terra é um ponto imperceptível, dos menos consideráveis.

Vê-se por este único fato que Jesus tinha razão de dizer a seus discípulos: “Há muita coisa que não posso vos dizer porque vós não o compreenderíeis” já que o progresso das ciências era indispensável para uma sadia interpretação de algumas de suas palavras. Certamente, os apóstolos, São Paulo e os primeiros discípulos teriam estabelecido de outra forma, outros dogmas se tivessem tido os conhecimentos astronômicos, geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que se possui atualmente. Também Jesus adiou o complemento de suas instruções e anunciou que todas as coisas deviam ser restabelecidas.

66. – Moralmente, um julgamento definitivo e sem apelo é inconciliável com a bondade infinita do Criador, que Jesus nos apresenta sem cessar como um bom Pai deixando sempre uma via aberta ao arrependimento e pronto a estender seus braços ao filho pródigo. Se Jesus tinha entendido o julgamento neste sentido, teria desmentido suas próprias palavras.

E depois, se o julgamento final deve assombrar os homens, de improviso, no meio de seus trabalhos ordinários, e as mulheres grávidas, indaga-se qual o objetivo de Deus, que não fez nada de inútil nem injusto, faria nascer crianças e criaria almas novas neste momento supremo, ao termo fatal da humanidade, para fazê-los passar em julgamento ao sair do seio da mãe antes que tivessem a consciência própria, então que outras tenham tido milhares de anos para se reconhecer? De que lado, à direita ou à esquerda, passariam essas almas que não são ainda nem boas nem más e a que todo caminho ulterior de progresso está de agora em diante fechado, já que a humanidade não existirá mais? (Cap. II, n° 19)

Que, os que a razão se contenta com iguais crenças que as conservam, é direito deles, e ninguém aí encontra a repetir; mas que se não encontre mal não mais que todo mundo nem seja de seu aviso.

67. – O julgamento por via de emigração, tal como foi definido acima (em 63), é racional; é fundado sobre a mais rigorosa justiça atentando que deixa eternamente ao Espírito seu livre arbítrio; que não constitui privilégio para ninguém; que uma igual latitude é dada por Deus a todas as suas criaturas, sem exceção, para progredir; que a porta do céu está sempre aberta para os que se tornam dignos de aí entrar; que o aniquilamento mesmo de um mundo, arrastando a destruição dos corpos, não levaria nenhuma interrupção à marcha progressiva do Espírito. Tal é a consequência da pluralidade dos mundos e da pluralidade das existências.

Conforme esta interpretação, a qualificação de julgamento final não é exata já que os Espíritos passam por semelhantes julgamentos criminais a cada renovação dos mundos que habitem até àquele que tenha atingido um certo grau de perfeição. Nunca há, pois, propriamente dito, julgamento final mas há julgamentos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, em seguido dos quais se operam as grandes emigrações e imigrações de Espíritos.