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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO XVII – PREDIÇÕES DO EVANGELHO

SEGUNDA VINDA DO CRISTO

43. – Então Jesus disse a seus discípulos: se alguém quiser vir após mim, que renuncie a si próprio, que se encarregue de sua cruz, e que me siga; – porque aquele que quiser salvar sua vida perdê-la-á e o que perder sua vida por amor a mim, a reencontrará.

E que serviria a um homem ganhar todo o mundo, e perder sua alma? Ou, por que troca o homem, poderia ele resgatar sua alma após tê-la perdido? Pois o Filho do homem deve vir na glória de seu pai com seus anjos, e então, renderá a cada um conforme suas obras.

Eu vos digo, em verdade, há alguns dos que estão aqui que não experimentarão a morte senão enquanto não virem o Filho do homem vir em seu reino. (São Mateus, XVI, v. 24 a 28)

44. – Então, o sumo sacerdote, erguendo-se no meio da assembleia, interrogou Jesus e lhe disse: Não respondeis nada àqueles que depõem contra vós? – Mas Jesus permaneceu no silêncio e não respondeu nada. O sumo sacerdote interrogou-o ainda e disse: Sois vós o Cristo, o Filho de Deus bendito para sempre? – Jesus lhe respondeu: Eu o sou e vereis um dia o Filho do homem sentado à direita da majestade de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.

Logo, o sumo sacerdote, despedaçando suas vestes, disse-lhe: Que temos nós mais necessidade de testemunhas? (São Marcos, cap. XIV, v. 60 a 63)

45. – Jesus anuncia sua segunda chegada, mas não diz, absolutamente, que voltará sobre a Terra com um corpo carnal nem que o Consolador será personificado nele. Ele se apresenta como devendo vir em Espírito, na glória de seu pai, julgar o mérito e o demérito e levar a cada um conforme suas obras quando os tempos foram chegados.

Esta palavra: “Há alguns dos que estão aqui que não experimentarão a morte se não tiverem visto o Filho do homem vir em seu reino” mostra uma contradição que já é certo que ele não virá aos viventes de alguns destes que estavam presentes. Jesus não podia, entretanto, enganar-se numa previsão desta natureza, e sobretudo por uma coisa contemporânea que lhe concernia pessoalmente; é preciso, a princípio, indagar se estas palavras sempre tiveram sido bem fielmente encontradas. Pode-se duvidar, se sonho que não tenha nada escrito; que eles só tenham aparecido após sua morte; e quando se vê o mesmo discurso quase sempre reproduzido em termos diferentes em cada evangelista, é uma prova evidente que estas não são as expressões textuais de Jesus. É por outro lado, provável que o sentido deva, por vezes ser alterado ao passar-se para traduções sucessivas.

De outro lado, é certo que, se Jesus tivesse dito tudo o que tivesse podido dizer, ele teria se expressado sobre todas as coisas de uma maneira limpa e precisa que não teria dado nenhum equívoco, como é feito pelos princípios morais, enquanto que deveu cobrir seu pensamento sobre os assuntos que ele não julgou a propósito de se aprofundar. Os apóstolos, persuadidos de que a geração presente devia ser testemunha do que ele anunciava, deveram interpretar o pensamento de Jesus conforme sua ideia; puderam, por consequência, redigi-la no sentido do presente de uma maneira mais absoluta, que não pôde, talvez, fazer ele mesmo. Qualquer que seja o fato é aí que prova que as coisas não aconteceram assim como se crê.

46. – Um ponto capital que Jesus não pôde desenvolver, porque os homens do seu tempo não estavam suficientemente preparados a esta ordem de ideias e a suas consequências, mas do que, entretanto, apresentou o princípio, como fizera por todas as coisas, é a grande e importante lei da reencarnação. Esta lei, estudada e posta à luz dos nossos dias pelo Espiritismo, é a chave de várias passagens do Evangelho que, sem ela, parecem contrassenso.

É nesta lei que se pode encontrar a explicação racional das palavras acima, admitindo-as como textuais. Já que elas não podem se aplicar à pessoa dos apóstolos, é evidente que se reportam ao reino futuro do Cristo, ou seja, no tempo em que sua doutrina, melhor compreendida, será a lei universal. Dizendo-lhe que alguns dos que estão presentes verão seu acontecimento, isso não podia se estender senão no sentido de que reviveriam a esta época. Mas os judeus figuraram que eles iriam ver tudo o que Jesus anunciava e tomaram suas alegorias ao pé da letra.

De resto, alguns anos de suas predições cumpriram-se em seu tempo, tais como a ruína de Jerusalém, as maldições que se seguiram, e a dispersão dos judeus; mas ele leva sua visão mais longe e, em falando do presente, ele faz constantemente alusão ao futuro.