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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO XVII – PREDIÇÕES DO EVANGELHO

UM SÓ REBANHO E UM SÓ PASTOR

31. Tenho ainda outras ovelhas negras que não são deste curral; é preciso também que eu as conduza; elas escutarão minha voz e só haverá um único rebanho e um pastor. (São João, cap. X, v. 6)

32. – Por estas palavras, Jesus anuncia claramente que um dia os homens se reunião a uma crença única; mas como esta unificação poderá ser feita? A coisa parece difícil, caso se considere as diferenças que existem entre as religiões, o antagonismo que elas mantêm entre seus adeptos respectivos, suas obstinações a se crer em posso exclusiva da verdade. Todas querem bem a unidade, mas todas se lisonjeiam de que ela se fará a seu proveito, e nenhuma pretende fazer concessões em suas crenças.

Entretanto, a unidade se fará em religião como tende a se fazer socialmente, politicamente, comercialmente, pelo aviltamento das barreiras que separam os povos, pela assimilação dos costumes, dos usos, da linguagem; os povos do mundo inteiro fraternizam-se já, como os de província do mesmo império; pressente-se esta unidade, deseja-se a. Far-se-á pelas forças das coisas porque se tornará uma necessidade para estreitar os liames de fraternidade entre as nações; ela se fará pelo desenvolvimento da razão humana que fará compreender a puerilidade dessas dissidências; pelo progresso da ciência que demonstra cada dia os erros materiais sobre os quais se apoia, e destaca pouco a pouco as pedras carcomidas de seus assentamentos. Se a ciência demoliu, nas religiões o que é obra dos homens e é fruto da sua ignorância das leis da natureza ela não pode destruir, apesar da opinião de alguns, o que é a obra de Deus e de eterna verdade, desentulhando os acessórios ela prepara as vias da unidade.

Para chegar à unidade, as religiões deverão se encontrar em um terreno neutro, entretanto comum a todas; para isso, todas terão que fazer concessões e sacrifícios maiores ou menores conforme a multiplicidade de seus dogmas particulares. Mas em virtude do princípio de imutabilidade que professam todas, a iniciativa das concessões não poderia vir do campo oficial; ao lugar de tomar seu ponto de partida do alto, elas o tomam por baixo pela iniciativa individual. Opera-se, após algum tempo, um momento de descentralização eu tende a adquirir uma força irresistível. O princípio da imutabilidade que as religiões consideravam até aqui como uma égide conservadora, tornar-se-á um elemento destruidor, atentando para o fato de que os cultos imobilizando-se, ao passo que a sociedade marcha para a frente, eles serão contornados, após, absorvidos na corrente de ideias de progressão.

Entre as pessoas que se destacam no todo ou em parte dos troncos principais e do qual o número engrossa sem cessar, se alguns não quiserem nada, a imensa maioria que não se acomoda anulando-se do nada, quer alguma coisa; esta alguma coisa nada está ainda definida em seu pensamento, mas pressentem-nas; tendem ao mesmo fim por vias distintas e será por elas que começará o movimento de concentração sobre a unidade.

No estado atual de opiniões e de conhecimentos, a religião que devera relacionar um dia todos os homens sob uma mesma bandeira, será a que satisfará melhor a razão e as legítimas aspirações do coração e do Espírito; que não será de nenhuma forma desmentida pela ciência positiva; que, em lugar de se imobilizar, seguirá a humanidade em sua marcha progressiva sem se deixar jamais ultrapassar; que não será nem exclusiva nem intolerante; que será emancipadora da inteligência, admitindo apenas a fé racional, aquela cujo código de moral será o mais puro, o mais racional, o mais em harmonia com as necessidades sociais, a mais apropriada, enfim, a fundar sobre a Terra o reino do bem, pela prática da caridade e da fraternidade universal.

Entre as religiões existentes, aquelas que mais se aproximam destas condições terão menos concessões que fazer; se uma delas se as preencher completamente, tornar-se-á naturalmente o eixo da unidade futura; esta unidade se fará em torno daquela que menos deixará a desejar pela razão, não por uma decisão oficial, porque não se regulamenta a consciência, mas pelas adesões individuais e voluntárias.

O que entretém o antagonismo entre as religiões é a ideia que elas têm cada qual do seu Deus particular, e sua pretensão de ter a única verdade e a mais poderosa e que está em hostilidade constante com os deuses dos outros cultos, e ocupada a combater sua influência. Quando se convencerem que só existe um único Deus no Universo e que, em definitivo, é o mesmo que eles adoram, sob o nome de Jeová, Alá ou Deus; quando estiverem de acordo sobre seus atributos essenciais, compreenderão que um Ente único só pode ter uma única vontade; elas se estenderão as mãos como os servidores de um mesmo Mestre e os filhos de um mesmo pai e terão feito um grande passo sobre a unificação.