O Livro dos Espíritos

Existem Espíritos? de onde viemos? por que aqui estamos? e para onde vamos? Eternos enigmas aqui esclarecidos na forma de Perguntas & Respostas de uma forma lógica e racional, sob os aspectos CIENTÍFICO, FILOSÓFICO e RELIGIOSO pelo Professor Hyppolite Léon Denizard Rivail (Allan KArdec) no total de 1019 questões reunindo os ensinos dos ESPÍRITOS SUPERIORES através de diversos médiuns. Ele é o marco inicial de uma Doutrina que trouxe uma profunda repercussão no pensamento e na visão de vida de considerável parcela da Humanidade, desde 1857, data da primeira edição francesa.
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LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS
  1. A liberdade de consciência é uma conseqüência da liberdade de pensar?

      —A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem como todos os outros pensamentos.

  1. O homem tem o direito de pôr entraves à liberdade de consciência?

     — Não mais do que à liberdade de pensar, porque somente a Deus pertence o direito de julgar a consciência. Se o homem regula, pelas suas leis, a relação de homem para homem, Deus, por suas leis naturais, regula as relações do homem com Deus.

  1. Qual é o resultado dos entraves à liberdade de consciência?

     — Constranger os homens a agir de maneira diversa ao seu modo de pensar, o que é torná-los hipócritas. A liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização e do progresso.

  1. Toda crença é respeitável, ainda mesmo quando notoriamente falsa?

        — Toda crença é respeitável quando é sincera e conduz à prática do bem. As crenças reprováveis são as que conduzem ao mal.

  1. Somos repreensíveis por escandalizar em sua crença aquele que não pensa como nós?

       — Isso é faltar com a caridade e atentar contra a liberdade de pensamento.

  1. Será atentar contra a liberdade da consciência opor entraves às crenças que podem perturbar a sociedade?

       — Podem reprimir-se os atos, mas a crença íntima é inacessível

Comentário de Kardec: Reprimir os atos externos de uma crença, quando esses atos acarretam qualquer prejuízo aos outros, não é atentar contra a liberdade de consciência porque essa repressão deixa à crença sua Inteira liberdade.

  1. Devemos, por respeito à liberdade de consciência, deixar que se propaguem as doutrinas perniciosas ou podemos, sem atentar contra essa liberdade, procurar conduzir para o caminho da verdade os que se desviaram  para falsos princípios?

       — Certamente se pode e mesmo se deve; mas ensinai, a exemplo de Jesus, pela doçura e persuasão e não pela força, porque seria pior que a crença daquele a quem desejásseis convencer. Se há alguma coisa que possa ser imposta é o bem e a fraternidade, mas não acreditamos que o meio de fazê-lo seja a violência: a convicção não se impõe.

  1. Como todas as doutrinas têm a pretensão de ser única expressão da verdade, por que sinais podemos reconhecer a que tem o direito de se apresentar como tal?

      — Essa será a que produza mais homens de bem e menos hipócritas quer dizer, que pratiquem a lei de amor e caridade na sua maior pureza e na sua aplicação mais ampla. Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa, pois toda doutrina que tiver por conseqüência semear a desunião e estabelecer divisões entre os filhos de Deus só pode ser falsa e perniciosa.

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