O Livro dos Espíritos

Existem Espíritos? de onde viemos? por que aqui estamos? e para onde vamos? Eternos enigmas aqui esclarecidos na forma de Perguntas & Respostas de uma forma lógica e racional, sob os aspectos CIENTÍFICO, FILOSÓFICO e RELIGIOSO pelo Professor Hyppolite Léon Denizard Rivail (Allan KArdec) no total de 1019 questões reunindo os ensinos dos ESPÍRITOS SUPERIORES através de diversos médiuns. Ele é o marco inicial de uma Doutrina que trouxe uma profunda repercussão no pensamento e na visão de vida de considerável parcela da Humanidade, desde 1857, data da primeira edição francesa.

CONCLUSÃO

        O Espiritismo é o mais perigoso antagonista do Materialismo; não é, pois, de admirar que tenha os materialistas por adversários. Mas como o Materialismo ó uma doutrina que mal se ousa confessar (prova de que os seus profitentes não se acreditam bastante fortes e que são dominados por sua consciência), eles se acobertam com o manto da Razão e da Ciência, e, coisa bizarra, os mais céticos falam até mesmo em nome da Religião, que também não conhecem e não compreendem, como o Espiritismo. Tomam por alvo sobretudo o maravilhoso e o sobrenatural, que não admitem. Ora, segundo dizem, sendo o Espiritismo fundado sobre o maravilhoso não pode ser mais do que uma suposição ridícula. Não refletem que, assim procedendo sem restrições contra o maravilhoso e o sobrenatural, fazem o mesmo com a Religião. Com efeito, a Religião se funda na revelação e nos milagres. Ora, o que é a revelação senão as comunicações extra-humanas? Todos os autores sagrados, desde Moisés, talaram dessas espécies de comunicações. Que são os milagres senão fatos maravilhosos e sobrenaturais por excelência, pois são, no sentido litúrgico, derrogações das leis da Natureza? Logo, rejeitando o maravilhoso e o sobrenatural, rejeitam as próprias bases da Religião. Mas não é sob esse aspecto que desejamos encarar o assunto. O Espiritismo não tem de examinar se há ou não há milagres, quer dizer, se Deus pode, em certos casos, derrogar as leis eternas que regem o Universo. Deixa ele, a esse respeito, toda a liberdade à crença. Mas diz e prova que os fenômenos sobre os quais se apóia só têm de sobrenatural a aparência. Esses fenômenos não parecem naturais aos olhos de certas pessoas pelo fato de serem insólitos e exorbitarem dos fatos conhecidos. Mas não são mais sobrenaturais do que todos os fenômenos de que a Ciência nos dá hoje a solução e que em outras épocas pareciam maravilhosos. Todos os fenômenos espíritas, sem exceção, são conseqüências de leis gerais. Eles nos revelam uma das forças da Natureza, força desconhecida, ou para melhor dizer, incompreendida até hoje, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas. O Espiritismo, portanto, repousa menos no maravilhoso e no sobrenatural do que a própria Religião. Os que o atacam nesse sentido não o conhecem. E mesmo que fossem os maiores sábios, nós lhes diríamos: se a vossa Ciência, que vos ensinou tantas coisas, não vos revelou que o domínio da Natureza é infinito, sois apenas meio-sábios.