[layerslider id=”8″]

Livro Obras Póstumas

ALLAN KARDEC
3 DE OUTUBRO DE 1804 • 31 DE MARÇO DE 1869
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Tradução de Guillon Ribeiro

 

Print Friendly, PDF & Email

Livro Obras Póstumas – OP

SEGUNDA PARTE

Extratos in extenso, tirado do livro das Previsões Concernentes ao Espiritismo manuscrito composto com um cuidado todo especial por Allan Kardec; E do qual nenhum capítulo foi até este dia publicado

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

17 de junho de 1856

Eu. – Espírito Verdade, eu vos agradeço pelos vossos sábios conselhos. Aceito tudo sem restrição e sem dissimulação.

Senhor! Se vos dignastes lançar os olhos sobre mim para o cumprimento de vossos desígnios, que seja feita a vossa vontade! A minha vida está em vossas mãos, disponde do vosso servidor. Em presença de uma tão grande tarefa, reconheço a minha fraqueza; minha boa vontade não faltará, mas, talvez, as minhas forças me trairão. Supri a minha insuficiência; dai – me as forças físicas e morais que me sej am necessárias! Sustentai -me nos momentos difíceis e com o Vosso auxílio e o de Vossos celestes mensageiros esforçai -me-ei por corresponder aos Vossos desígnios.


NOTA. Escrevi esta nota em 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que esta comunicação me foi dada, e constato que ela se realizou em todos os pontos, porque sofri todas as vicissitudes que me foram anunciadas. Fui alvo do ódio de inimigos obstinados, da injúria, da calúnia, da inveja e do ciúme; libelos infames foram publicados contra mim; as minhas melhores instruções foram desnaturadas; fui traído por aqueles em quem coloquei a minha confiança, pago com a ingratidão por aqueles a quem prestei serviço. A Sociedade de Paris foi um foco contínuo de intrigas urdidas por aqueles mesmos que se diziam por mim, e que, fazendo cara boa diante de mim, me dilaceravam por detrás. Disseram que aqueles que tomavam o meu partido eram assalariados por mim com o dinheiro que eu recolhia do Espiritismo. Não mais conheci o repouso; mais de uma vez sucumbi so b o excesso de trabalho, a minha saúde foi alterada e a minha vida comprometida.

No entanto, graças à proteção e à assistência dos bons Espíritos que me deram, sem cessar, provas manifestas de sua solicitude, estou feliz em reconhecer que não senti, um só instante, o desfalecimento nem o desencorajamento, e que constantemente persegui a minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar com a malevolência de que era objeto. Segundo a comunicação do Espírito Verdade, deveria esperar tudo isso, e tudo se verificou.

Mas também, ao lado dessas vicissitudes, que satisfação senti vendo a obra crescer de modo tão prodigioso! Com quantas doces consolações as minhas tribulações foram pagas! Quantas bênçãos, quantos testemunhos de real simpatia, não recebi da parte dos numerosos aflitos que a Doutrina consolou! Esse resultado não me fora anunciado pelo Espírito Verdade que, sem dúvida, desejou não me mostrar senão as dificuldades do caminho. Quanto não seria, pois, a minha ingratidão se eu me queixasse! Se dissesse que há uma compensação entre o bem e o mal, não estaria com a verdade, porquanto o bem, entendo as satisfações morais, superaram muito sobre o mal. Quando me chegava uma decepção, uma contrariedade qualquer, elevava -me, pelo pensamento, acima da Humanidade; colocava -me, por antecipação, na região dos Espíritos e, desse ponto culminante, de onde descobria o meu ponto de atraso, as misérias da vida deslizavam sobre mim sem me atingir. Fizera -me disso um tal hábito que os gritos dos maus jamais me perturbaram.

Print Friendly, PDF & Email