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Livro Obras Póstumas

ALLAN KARDEC
3 DE OUTUBRO DE 1804 • 31 DE MARÇO DE 1869
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Tradução de Guillon Ribeiro

 

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Livro Obras Póstumas – OP

SEGUNDA PARTE

REGENERAÇÃO DA HUMANIDADE

Paris, 25 de abril de 1866

A saúde do Sr. Allan Kardec se enfraquecendo dia a dia, em consequência de trabalhos excessivos, aos quais não pode bastar, vejo -me na necessidade de lhe repetir de novo o que já lhe disse muitas vezes: Tendes necessidade de repouso; as forças humanas têm limites que o vosso desejo de ver progredir o ensinamento vos leva, frequentemente, a transgredi -los; estais errado, porque, agindo assim, não apressareis a marcha da Doutrina, mas arruinareis a vossa saúde e vos colocais na impossibilidade material de aca bar a tarefa que viestes cumprir nesse mundo. A vossa enfermidade atual não é senão o resultado de um dispêndio incessante de forças vitais que não deixa, à reparação, o tempo de se fazer, e de um aquecimento do sangue produzido pela falta absoluta de repo uso. Nós vos sustentamos, sem dúvida, mas com a condição de que não desfaça o que nós fazemos. De que serve correr? Não vos foi dito muitas vezes que cada coisa virá a seu tempo, e que os Espíritos encarregados do movimento das ideias saberiam fazer surgir as circunstâncias favoráveis quando o momento de agir chegasse?

Quando cada espírita reúne as suas forças para a luta, pensais que seja do vosso dever esgotar as vossas? Não, em tudo deveis dar o exemplo e o vosso lugar estará em questão no momento do perigo. Que faríeis se o vosso corpo enfraquecido não permitisse mais ao vosso Espírito servir-se das armas que a experiência e a revelação vos colocaram nas mãos? – Crede-me, remetei para mais tarde as grandes obras destinadas a completar a obra esboçada nas vossas primeiras publicações; vossos trabalhos correntes, e algumas pequenas brochuras urgentes têm com que absorver o vosso tempo, e devem ser os únicos objetos de vossas preocupações atuais.

Não vos falo somente em meu nome, sou aqui o delegado de tod os esses Espíritos que contribuíram tão poderosamente para a propagação do ensinamento, pelas suas sábias instruções. Eles vos dizem, por meu intermédio, que esse retardamento que pensais nocivo ao futuro da Doutrina, é uma medida necessária em mais de um ponto de vista, seja porque certas questões não estão ainda completamente elucidadas, seja para preparar os Espíritos para melhor assimilá-las. É necessário que outros tenham aplainado o terreno, que certas teorias tenham provado a sua insuficiência e feit o um maior vazio. Em uma palavra, o momento não é oportuno; poupai-vos, pois, porque, quando chegar o vosso tempo, todo o vosso vigor, de corpo e de Espírito, vos será necessário. O Espiritismo foi, até aqui, o objeto de muitas diatribes, ele provocou muit as tempestades? Credes que todo movimento seja apaziguado, que todos os ódios sejam acalmados e reduzidos à impotência? Desenganai -vos, o cadinho depurador ainda não rejeitou todas as impurezas; o futuro vos guarda outras provas e as últimas crises não ser ão as menos penosas para suportar.

Sei que a vossa posição particular vos suscita uma multidão de trabalhos secundários que empregam a melhor parte de vosso tempo. Os pedidos de todas as espécies vos acabrunham e vos fazeis um dever satisfazê -los tanto quanto possível. Farei aqui o que, sem dúvida, não ousaríeis fazer, vós mesmo, e, di rigindo-me à generalidade dos Espíritas, pedir -lhes-ei, no interesse do próprio Espiritismo, vos poupar toda sobrecarga de trabalho de natureza a absorver os instantes que deveis consagrar quase exclusivamente ao acabamento da obra. Se a vossa correspondên cia nisso sofrer um pouco, o ensinamento aí ganhará.

Algumas vezes, é necessário sacrificar as satisfações particulares ao interesse geral. É uma medida urgente que todos os adeptos sinceros saberão compreender e aprovar.

A imensa correspondência que rec ebeis é para vós uma fonte preciosa de documentos e de ensinos; esclarece-vos sobre a marcha verdadeira e os progressos reais da Doutrina; é um termômetro imparcial; nela hauris, além disso, satisfações morais que, mais de uma vez, sustentaram a vossa cora gem, vendo a adesão que as vossas ideias encontram em todos os pontos do globo; sob esse aspecto, a superabundância é um bem e não um inconveniente,

mas com a condição de secundar os vossos trabalhos, e não de entravá -los, criando-vos um aumento de ocupaçõ es.

Doutor Demeure.

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