Livro O que é o Espiritismo

Tradução de: Qu’est-ce que le spiritisme [tradução da Redação de Reformador em 1884] – 56ª edição. 1ª impressão. – Brasília: FEB, 2013.  Conteúdo parcial: Biografia de Allan Kardec / por Henri Sausse. (Federação Espírita Brasileira – Biblioteca de Obras Raras) O que é o Espiritismo / por Allan Kardec, 1804–1869. Introdução ao conhecimento do mundo invisível, pelas manifestações dos espíritos. Contendo o resumo dos princípios da doutrina cristã espírita e resposta às principais objeções que podem ser apresentadas.

CAPÍTULO II – NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO

IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS

93. Uma vez que no meio dos Espíritos se encontram todos os caprichos da humanidade, não podem deixar de existir entre eles os ardilosos e os mentirosos; alguns não têm o menor escrúpulo de se apresentar sob os mais respeitáveis nomes, com o fim de inspirarem mais confiança. Devemos, pois, abster-nos de crer de um modo absoluto na autenticidade de todas as assinaturas de Espíritos.

94. A identidade é uma das grandes dificuldades do Espiritismo prático, sendo muitas vezes impossível verificá-la, sobretudo quando se trata de Espíritos superiores, antigos relativamente à nossa época.

Entre os que se manifestam, muitos não têm nomes para nós; mas, então, para fixar as nossas idéias, eles podem tomar o de um Espírito conhecido, da mesma categoria da sua; de modo que, se um Espírito se comunicar com o nome de S. Pedro, por exemplo, nada nos prova que seja precisamente o apóstolo desse nome; tanto pode ser ele como outro da mesma ordem, como ainda um enviado seu. A questão da identidade é, neste caso, inteiramente secundária e seria pueril atribuir-lhe importância; o que importa é a natureza do ensino, se é bom ou mau, digno ou indigno da personagem que o assina; se esta o subscreveria ou repeliria: eis a questão.

95. A identidade é de mais fácil verificação quando se trata de Espíritos contemporâneos, cujo caráter e hábitos sejam conhecidos, porque é por esses mesmos hábitos e particularidades da vida privada que a identidade se revela mais seguramente e, muitas vezes, de modo incontestável.

Quando se evoca um parente ou um amigo, é a personalidade que interessa, e então é muito natural buscar-se reconhecer a identidade; os meios, porém, que geralmente emprega para isso quem não conhece o Espiritismo, senão imperfeitamente, são insuficientes e podem induzir a erro.

96. O Espírito revela sua identidade por grande número de circunstâncias, patenteadas nas comunicações, nas quais se refletem seus hábitos, caráter, linguagem e até locuções familiares.

Ela se revela ainda nos detalhes íntimos em que entra espontaneamente, com as pessoas a quem ama: são as melhores provas; é muito raro, porém, que ele satisfaça às perguntas diretas que lhe são feitas a esse respeito, sobretudo se elas partirem de pessoas que lhe são indiferentes, com intuito de curiosidade ou de prova.

O Espírito demonstra a sua identidade como quer e pode, segundo o gênero de faculdade do seu intérprete e, às vezes, essas provas são superabundantes; o erro está em querer que ele as dê, como deseja o evocador; é então que ele recusa sujeitar-se às exigências. (O Livro dos Médiuns, cap. XXIV; Identidade dos Espíritos. — Revue Spirite, 1862, pág. 82: Fait d’identité.)