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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo VI – Uranografia Geral

A Matéria

3. – À primeira abordagem, nada se parece tão profundamente variado, tão essencialmente distinto, como estas diversas substâncias que compõem o mundo. Entre os objetos que a arte ou a natureza faz diuturnamente passar sob nossas observações, estariam dois que acusam uma identidade perfeita, ou somente uma paridade de composição? Qual disparidade sob o ponto de vista da solidez, da compressibilidade, do peso e das propriedades múltiplas dos corpos, entre o gás atmosférico e o filão de ouro; entre a molécula aquosa da nuvem e a do mineral que forma a constituição óssea do globo! Que diversidade entre o tecido químico das plantas diversas que decoram o reino vegetal e os representantes não menos numerosos da animalidade sobre a Terra!

Entretanto podemos colocar como princípio absoluto que todas as substâncias conhecidas e desconhecidas, qualquer que seja a dessemelhança que apresentem, seja sob o ponto de vista de sua constituição íntima, seja sob a semelhança de sua ação recíproca, são, apenas, de fato, modos diversos sob os quais a matéria se apresenta, ainda, variedade nas quais ela se transforma sob comando das forças inúmeras que a governam.

4. – A Química, cujo progresso foi muito rápido desde minha época, onde seus adeptos, eles próprios, a relegavam ainda ao domínio secreto da magia, esta nova ciência que se pode, a justo titulo, considerar como cria do século observador, e como unicamente baseada, bem mais solidamente que suas irmãs primogênitas, sobre a metodologia experimental; a Química, digo eu, fez belo jogo dos quatro elementos primitivos que os Anciãos estariam acordes em reconhecer na dita natureza; ela mostrou que o elemento terrestre é apenas a combinação de substâncias diversas, variáveis ao infinito; que o ar e a água são igualmente alteráveis, que são o produto de um certo número de equivalentes de gás; que o fogo, longe de ser, ele também, um elemento principal, é, apenas, um estado da matéria resultante do movimento universal ao qual ela está submissa, e de uma combustão sensível ou latente.

Em compensação, ela encontrou um numero considerável de princípios até então desconhecidos que lhe tenham dado forma, por suas combinações determinadas, as diversas substâncias, os diversos corpos que ela tem estudado, e que procedem simultaneamente segundo certas leis, e em certas proporções nos trabalhos operados no grande laboratório da natureza. Estes princípios ela os denominou corpos simples, indicando pelas quais as considera como primitivas e indecomponíveis, e que nenhuma operação, até este dia, não os saberia reduzir em partes mais simples que eles mesmos. (2)

5. – Mas, lá onde se detêm as apreciações do homem, ajudado, mesmo, por seus sentidos artificiais os mais impressionáveis, a obra da natureza prossegue; lá, onde o vulgar toma aparência de realidade; lá onde o prático levanta o véu e distingue o começo das coisas, o olho do que possa prender o modo de ação da natureza, não vê sob os materiais constitutivos do mundo, senão a matéria cósmica primitiva, simples e una, diversificada em certas regiões na época de seu nascimento, partilhada em corpos solidários durante sua vida, e desmembradas um dia no receptáculo do entendimento por sua decomposição.

6. – Existem questões que nós mesmos, Espíritos apaixonados de ciência, não saberíamos aprofundar e sobre as quais não poderíamos emitir senão opiniões pessoais mais ou menos conjeturais; sobre tais questões eu me calo ou justificaria a minha maneira de ver; mas, ela não está neste número. Aos que, pois estivessem tentados a ver em minhas palavras apenas uma teoria duvidosa, eu direi: abraçai-vos, se é possível, num olhar investigador, a multiplicidade das operações da natureza, e reconhecereis que, se não admitirmos a unidade da matéria, é impossível explicar, não direi somente os sóis e as esferas, mas sem ir tão longe, a germinação de um grão sob a terra, ou a produção de um inseto.

7. – Se observarmos uma tal diversidade na matéria, é porque as forças que presidem suas transformações, as condições nas quais elas se produzem, estando em número ilimitado, as combinações variadas da matéria poderiam ser, apenas, seres ilimitados, eles próprios.

Pois, que a substância que se considera pertencente aos fluidos propriamente ditos, isto é, aos corpos imponderáveis, ou aos que estão revestidos de caracteres e de propriedades ordinárias da matéria, só há em todo Universo somente uma única substância primitiva: o cosmo ou matéria cósmica dos uranógrafos.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

(2) Os principais corpos simples são: entre os corpos não metálicos, o oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o cloro, o carbono, o fósforo, o enxofre, o iodo; entre os corpos metálicos: o ouro, a prata, a platina, o mercúrio, o chumbo, o estanho, o zinco, o ferro, o cobre, o arsênico, o sódio, o potássio, o cálcio, o alumínio, etc.

 

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