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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

Capítulo VI – Uranografia Geral

A Ciência

58. – A inteligência humana criou suas poderosas concepções sob os limites do espaço e do tempo; ela penetrou no domínio inaccessível dos velhos tempos, sondou o mistério dos céus insondáveis explicando o enigma da criação. O mundo exterior se desenvolveu sob os olhares da ciência seu panorama esplêndido e sua magnífica opulência, e os estudos do homem se elevaram ao conhecimento da verdade; ele explorou o universo, encontrou a expressão das leis que o regem e a aplicação das forças que o sustentam e se não lhe tenham sido dado mirar, face a face, a causa primeira, ao menos é bem sucedido na noção matemática da série de causas secundárias.

Neste último século, sobretudo, o método experimental – somente que seja verdadeiramente científica – tem sido posto em prática nas ciências naturais, e por sua ajuda, o homem está despojado dos prejulgamentos da antiga Escola e das teorias especulativas para se reafirmar no campo da observação e o cultivar com senso e inteligência.

Sim, a ciência dos homens é sólida e fecunda, digna de nossas homenagens pelo seu passado difícil e extensivamente provado, digno de nossas simpatias pelo seu porvir, engrossado de descobertas úteis e proveitosos; porque a natureza é de hoje em diante um livro accessível às pesquisas do homem estudioso, um mundo aberto às investigações do pensador, uma região brilhante que o espírito humano já visitou, e na qual ele pode duramente progredir, tendo em mão a experiência por bússola.

59. – Um velho amigo de minha vida terrestre assim me falou recentemente. Uma peregrinação nos tem mantido sobre a terra, e nós preparamos de novo moralmente este mundo; meu acompanhante aditou que o homem está atualmente familiarizado com as leis, as mais abstratas da mecânica, da física, da química; que as aplicações à indústria não são menos notáveis do que as deduções da ciência pura, e que a criação por inteiro, sabiamente estudada por ele parecia ser daqui para frente seu real apanágio. E como perseguimos nossa marcha fora deste mundo, eu o respondi em seus termos:

60. – Tênue átomo (8) perdido em um ponto imperceptível do infinito, o homem acreditou entrelaçado em seus olhares a extensão universal, quando poderia com dificuldade contemplar a região que habita; ele crê que estuda as leis da natureza inteira quando, suas apreciações tinham, apenas, se referido às forças em ação em volta dele; acreditou que determinara a grandeza do céu quando se resumia na determinação de um grão de poeira. O campo de suas observações é tão exíguo como um acontecimento perdido de vista, o espírito tem pena de reencontrar; o céu e a terra do homem são tão pequenos, que a alma em seu impulso não tem o tempo de ostentar sua asa antes de ser bem sucedido nas últimas paragens accessíveis à observação.

O universo incomensurável nos cerca por todas as partes, ostentando para além dos céus riquezas incomensuráveis, pondo em jogo forças inapreciáveis, desenvolvendo modos de existência inconcebíveis para nós e propagando ao infinito o esplendor e a vida.

E o animálculo, mísero ácaro, privado de asas e de luz, da qual triste existência se consome sobre a pétala que lhe deu o dia, pretenderia – porque ele faz qualquer passo sobre esta pétala agitada pelo vento – ter o direito de falar sobre a árvore imensa de onde se apartou, árvore, pois, da qual apenas percebe a sombra; ele se imaginaria loucamente poder raciocinar sobre a floresta da qual sua árvore faz parte e discutir sabiamente sobre a natureza dos vegetais que aí se desenvolvem, seres que habitam, do sol longínquo do qual os raios descendentes algumas vezes aí levar o movimento e a vida? – Em verdade, o homem seria arrogantemente pretensioso de querer medir a grandeza infinita ao pé de sua pequenez ínfima!

Também deveria estar bem compenetrado desta ideia: que se os labores áridos dos séculos passados lhe dotassem de seus primeiros conhecimentos das coisas, se a progressão do espírito o colocou no vestíbulo do saber, apenas ainda fez soletrar a primeira página do livro; que ele é como a criança, susceptível de se esbarrar a cada palavra e, longe de pretender interpretar a obra de maneira doutoral, deva se contentar em estudar humildemente, página por página, linha por linha. Venturoso ainda o que o possa fazer.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.