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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

Capítulo VI – Uranografia Geral

A criação universal

17. – Após estar restabelecido, tanto quanto seja nossa tendência, sobre a fonte oculta de onde provêm os mundos como as gotas de água de um rio, consideremos a marcha das criações sucessivas e seus desdobramentos seriados.

A matéria cósmica primitiva continha elementos materiais, fluídicos e vitais de todo o Universo que desenrolam suas magnificências perante a eternidade; ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira progenitora e, o que é mais, a geratriz eterna. Não tem, pois, desaparecido, esta substância da qual provêm as esferas siderais; não está, pois, morta, esta potência, porque ela dá ainda incessantemente a claridade às novas criações e recebe incessantemente os princípios reconstituídos dos mundos que se põem ao lado do livro eterno.

A matéria etérea, mais ou menos rarefeita que se hospedam entre os espaços interplanetários; este fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito nas regiões imensas, ricas em aglomeração de estrelas, mais ou menos condensadas alhures onde o céu astral ainda não brilha, mais ou menos modificado por diversas combinações de acordo com as localizações de extensão, não é outra coisa senão a substância primitiva nas quais residem as forças universais, de onde a natureza tem tirado todas as coisas. (5)

18. – Este fluido penetra nos corpos como um imenso oceano. É nele que reside o princípio vital que dá nascimento à vida dos seres e a perpetua sobre cada globo segundo sua condição, inicialmente no estado latente que dormita lá onde a voz de um ser não o chama. Cada criatura mineral, vegetal, animal, ou outra – porque é bem de outros reinos naturais dos quais vós não suponhais sequer a existência (ver uma nota a parte no final deste texto [#] – sabe, em virtude deste princípio vital universal, apropriar-se das condições de sua existência e de sua duração.

As moléculas do mineral têm sua carga desta vida, tal como a semente e o embrião, e se grupam como no organismo, em figuras simétricas que constituem o indivíduo.

Importa consideravelmente penetrar-se desta noção: que a matéria cósmica primitiva era revestida não apenas de leis que garantem a estabilidade dos mundos, mas ainda do princípio vital universal que forma as gerações espontâneas (f) sobre cada mundo, à medida que se manifestam as condições de existência sucessiva dos seres e quando soa a hora da aparição dos meninos da vida de acordo com o período criador.

Assim se efetua a criação Universal. É, pois verdadeiro dizer que as operações da natureza sendo a expressão da vontade divina, Deus tem sempre criado, criado sem cessar e criará sempre.

19. – Mas até então nós temos atravessado sob silêncio o mundo espiritual que, ele também, faz parte da criação e executa suas destinações segundo as augustas prescrições do Mestre.

Eu só posso dar um ensinamento bem restrito sobre a maneira do modo de criação dos Espíritos tendo atenção à minha própria ignorância, mesmo, e devo me calar ainda sobre questões que me tenham sido permitido aprofundar.

A estes que estão religiosamente desejando conhecer,  e que são humildes perante Deus, eu direi, suplicando-lhes que não fundamentar nenhum sistema prematuro sobre minhas palavras: o Espírito nunca chega a receber a iluminação divina que lhe dá, ao mesmo tempo que o livre arbítrio e a consciência, a noção dos seus altos destinos sem ter passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores entre os quais se elabora lentamente a obra de sua individualidade; é somente a contar do dia em que o Senhor imprime sobre sua fronte seu augusto tipo, que o Espírito toma fileira entre as humanidades.

Ainda uma vez, não construais nunca sobre minhas palavras vossos raciocínios, tão tristemente célebres na história da metafísica; preferirei mil vezes me calar sobre questões também elevadas acima de nossas meditações ordinárias, antes que de vos expor a deformar o sentido de meu ensinamento, e a vos enfiar, por minha falta, nos dédalos intrincados do deísmo ou do fatalismo.

Dessa forma, a Terra já terá ocupado uma posição correlata na existência anterior do Universo, possivelmente mais atrasada do que a sua atual. E, na próxima etapa universal, irá se apresentar em condição de maior evolução; cabe aí a afirmativa espírita de que os que não acompanharem o progresso do planeta serão banidos para constituírem um novo mundo de recuperação.

A concepção de Deus para a Ciência seria a de um Agente Supremo que comandaria este fenômeno. Dessa forma, ele não poderia ser antropomórfico nem ter nosso planeta como centro de suas preocupações, muito menos, estaria provido de sentimentos humanos, incabíveis a Ele.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

(5) Se indagássemos qual é o princípio destas forças e como é possível estar na própria substância que o produziu, responderíamos que a mecânica nos oferece disso numerosos exemplos. A elasticidade que faz distender um elástico, não estaria no próprio elástico, e não dependeria do modo de agregação das moléculas? O corpo que obedece à força centrífuga recebe sua impulsão do movimento primitivo que o tenha transmitido.

 

NOTA ESPECIAL DO TRADUTOR

[#] Os Espíritos naquela época haviam informado Kardec sobre que havia mais reinos além dos três já conhecidos, pois atualmente, embora sob debate, há 5 reinos distintos e não três a saber:

1 – o reino mineral;

2 – o reino biológico, com dois sub-reinos, o fitológico e o zoológico;

3 – o reino virótico, onde seus componente são minerais quando expostos à natureza e biológico quando internos a um ser vivo;

4 – Cianofíceas (para muitos, discutível) e

5 – O reino energético, ainda em estudo, que atua sobre o Universo dando-lhe forma e vida.

 

NOTA ESPECIAL DO TRADUTOR

(f) Sobre geração espontânea, há uma corrente atual, baseada no estudo dos agentes estruturadores (frameworks) que admite que este princípio vital haja atuado nas primitivas cadeias carbônica dissolvidas nas águas do globo terrestre para dar-lhe a forma e a vida primitiva dos plânctons, única explicação plausível, até agora, encontrada para definir o surgimento deste tipo de vida biológica primitiva. Os demais seres foram surgindo segundo uma escala evolutiva, a partir deste ser zoófito primitivo.