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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

Capítulo VI – Uranografia Geral

Os Sóis e os Planetas

20. – Ora, chegou num ponto do Universo que, perdido entre miríades de mundos, a matéria cósmica se condensou sob a forma de uma imensa nebulosa. Esta nebulosa estava animada das leis universais que regem a matéria; em virtude destas leis e notadamente da força molecular de atração, ela tomou a forma da figura de um esferoide, a única que pode moldar primitivamente uma massa de matéria isolada no espaço.

O movimento circular produzido pela gravitação rigorosamente igual de todas as zonas circulares sobre o centro, modificou, logo, a esfera primitiva para conduzi-la de ações em ações, sobre a forma lenticular. – Nós falamos do conjunto da nebulosa.

21. – Novas forças surgiram após este movimento de rotação: a força centrípeta e a força centrífuga. A primeira tendendo reunir todas, a partir do centro, a segunda tendendo a alongá-las. Ora, o movimento em acelerando à medida que a nebulosa se condensa, e seu raio aumentando à medida que ela se aproxima da forma lenticular, a força centrífuga incessantemente desenvolvida por estas duas causas, predominou logo sobre a atração central.

Da mesma forma que um movimento muito rápido da baladeira ela quebra da corda e deixa de arremessar o projétil ao longe, assim, a predominância da força centrífuga destacou o círculo equatorial da nebulosa, e deste anel formou uma nova massa isolada da primeira, porém, não menos submissa a seu império. Esta massa conservou seu movimento equatorial que, modificado, desviou seu movimento de translação em torno do astro solar. Ademais, seu novo estado lhe dá um movimento de rotação em volta de seu próprio centro.

22. – A nebulosa geratriz que deu nascimento a este novo mundo, condensou-se e retomou a forma esférica; mas, o calor primitivo, desenvolvido por seus movimentos diversos, debilita-se com extrema lentidão, o fenômeno que viemos de descrever reproduzir-se-á frequentemente e durante um longo período, tanto que esta nebulosa não será transformada assaz densa, assaz sólida, para opor uma resistência eficaz às modificações de forma que lhe imprime sucessivamente seu movimento de rotação.

Ela não terá, pois, dado nascimento a um só astro, mas a centenas de mundos destacados do espaço central, saído dela pelo modo de formação mencionado acima. Ora, cada um destes mundos, revertido como o mundo primitivo das forças naturais que presidem a Criação dos universos, engendrará, na sequência de novos globos gravitando daí em diante em torno dele, como gravita concorrentemente com seus irmãos em torno do centro principal de sua existência e de sua vida. Cada um destes mundos será um sol, centro de um turbilhão de planetas sucessivamente escapulidos de seu equador. Estes planetas receberão uma vida especial, particular, contudo, dependente de seu astro gerador.

23. – Os planetas são assim formados de massa de matéria condensada, contudo, ainda não solidificadas, desprendidas da massa central pela ação da força centrífuga e em decorrência, em virtude das leis do movimento, a forma esferoidal mais ou menos elíptica, conforme o grau de fluidez que tenham conservado. Um desses planetas será a Terra que, antes de ser resfriada e revestida de uma crosta soída, daria nascimento à lua (h), pelo mesmo modo de formação astral com a qual ela deu sua própria existência; a Terra, desde então inscrita no livro da vida, berço de criaturas cuja fragilidade está protegida debaixo da asa da divina Providência, corda nova sobre a harpa infinita que deve vibrar em seu lugar no concerto universal dos mundos.


NOTA

Este capítulo é extraído textualmente de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título de Estudos Uranográficos, e assinado Galileu, médium M.C.F.

 

(h) Ao equacionar os movimentos da Lua, Galileu concluiu que ela deveria ser um ovoide em face da posição do seu baricentro, porque não podia prever que seu movimento fosse ocasionado por três luas das quais as outras duas se escondem atrás da maior, motivo pelo qual não são vistas da Terra. Isto, todavia, só foi possível se saber depois que as sondas espaciais contornaram a Lua para verificar seu lado oposto à Terra.