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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO X – GÊNESE ORGÂNICA

GERAÇÃO ESPONTANEA

20. – Indaga-se naturalmente porque não se formam mais seres vivos nas mesmas condições dos que os primeiros que apareceram na Terra.

A questão da geração espontânea que atualmente preocupa a Ciência, se bem que ainda diversamente resoluta não é possível faltar de se lançar luz sobre este assunto. O problema proposto é o seguinte: formar-se-ia espontaneamente em nossos dias seres orgânicos pela simples união dos elementos constituintes, sem germens preliminares produzidos pela germinação ordinária, senão dito sem pais nem mães?

Os partidários da geração espontânea (h) respondem afirmativamente, e se apoiam em observações diretas que parecem conclusivas. Outros pensam que todos os seres vivos se reproduzem uns em decorrência de outros, e se apoiam sobre este fato, constatado pela experiência, que os germens de certas espécies animais, estando dispersos, podem conservar uma vitalidade latente durante um tempo considerável, até que as circunstâncias sejam favoráveis à sua eclosão. Esta opinião deixa sempre subsistir a questão da formação dos primeiros tipos de cada espécie.

21. – Sem discutir os dois sistemas, convém assinalar que o princípio da geração espontânea não pode evidentemente se aplicar a quaisquer seres senão os de ordem inferior do reino vegetal e do reino animal, naqueles em que a vida começa a pesar e em cujo organismo extremamente simples seja, de alguma sorte, rudimentar. São, efetivamente, os primeiros que apareceram sobre a Terra e, dos quais, a geração deva ser espontânea. Assistiremos, assim, a uma criação permanente análoga à que teve lugar nas primitivas idades do mundo.

22. – Mas, então, por que não se veem mais formar, da mesma maneira, os seres de uma organização complexa? Estes seres nunca existiram, é um fato positivo, pois foram o começo. Se o musgo, o líquen, o zoófito, o infusório, os vermes intestinais e outros podem se produzir espontaneamente, por que não o é o mesmo com as árvores, os peixes, os cães, os cavalos?

Aqui se detêm, por momento as investigações; o fio condutor se perde, e até que ele seja encontrado, o campo está aberto às hipóteses; será, pois, imprudente e prematuro dar sistemas como verdades absolutas.

23. – Se o fato de a geração espontânea ficar demonstrada, qualquer limitação que seja, não será menos um fato capital, um marco posto que pode colocar sobre a vista de novas observações. Se os seres orgânicos complexos não se reproduzem desta maneira, quem sabe como eles começaram? Quem conhece o segredo de todas as transformações? Quando se vê o carvalho e a bolota (semente do carvalho), quem poderá dizer se em um lugar misterioso não exista do pólipo ao elefante?

Deixemos ao tempo a atenção de trazer a luz ao fundo deste abismo, se um dia possa ser sondado. Estes conhecimentos são interessantes, sem dúvida, no ponto de vista da ciência pura, mas elas não são as que influem sobre os destinos do homem.