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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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Capítulo II – Deus

EXISTÊNCIA DE DEUS

1. – Deus sendo a causa primeira de todas as coisas, o ponto de partida de tudo, o eixo sobre o qual repousa o edifício da Criação, é o ponto que importa considerar antes de tudo.

Ele é, de princípio, elementar que se julga de uma causa pelos seus efeitos, até mesmo que não se veja a causa. A Ciência vai mais longe: calcula o poder da causa pelo poder do efeito, e pode mesmo determinar a natureza. É assim, por exemplo, que a Astronomia conclui a existência de planetas em regiões determinadas do espaço, pelo conhecimento das leis que regem o movimento dos astros; tem-se procurado e tem-se encontrado os planetas que se pode, em realidade, dizer-se que tenha sido descoberto antes de ter sido visto.

2. – Numa ordem de fatos mais vulgares, está-se mergulhado em um denso nevoeiro, à claridade difusa, julga-se que o Sol está sobre o horizonte, motivo pelo qual não se vê o Sol. Se um pássaro cortando o ar é atingido por um chumbo mortal, julga-se que um hábil atirador o tenha ferido embora não se veja o atirador. Não é, pois necessário ter-se visto uma coisa para saber que ela exista. Em tudo, é observando-se os efeitos que se chega ao conhecimento das causas.

3. – Um outro princípio também elementar e passado à condição de axioma à força da verdade, é que todo efeito inteligente deva ter uma causa inteligente.

Se indagássemos qual é o inventor de tal engenhoso mecanismo, o arquiteto de tal monumento, o escultor de tal estátua, o pintor de tal quadro, que se pensaria disso se respondesse que eles foram feitos exclusivamente por si? Quando se vê uma obra prima de arte ou da indústria, diz-se que deva ser o produto de um homem genial, porque uma alta inteligência deve presidir à sua concepção; julga-se nada menos que um homem deva fazê-lo, porque se sabe que a coisa não está abaixo da capacidade humana, mas não virá a pessoa pensar de dizer que ela saiu de um cérebro de um idiota ou de um ignorante, e ainda menos que seja trabalho de um animal o produto do acaso.

4. – Por toda parte se reconhece a presença do homem por suas obras. Se abordar uma terra desconhecida, seja ela um deserto, e que aí se descubra o menor vestígio de trabalhos humanos, conclui-se que criaturas humanas habitaram esta região. A existência dos homens anti-diluvianos não se provaria somente por fósseis humanos, mas também e com toda certeza, pela presença nos terrenos desta época de objetos trabalhados pelos homens; um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma, um tijolo, bastariam para atestar sua presença. Pela rusticidade ou pela perfeição do trabalho reconhece-se o grau de inteligência e avançamento dos que o tenham realizado. Se, pois, encontrando em um país habitado exclusivamente por selvagens, descobrir-se-á uma estátua digna de Fídias, hesitar-se-á em dizer que os selvagens sendo incapazes de tê-la feito, ela deva ser obra de uma inteligência superior a destes selvagens.

5. – Pois bem! Lançando seus olhos em torno de si, sobre as obras da natureza, observando a previdência, a sabedoria, a harmonia que presidem a todas, reconhece-se que não o existe nenhuma que não ultrapasse o mais alto porte da inteligência humana, já que o maior gênio da Terra não teria criado o menor talo de erva. Desde então que a inteligência humana não as pode produzir, é porque são produto de uma inteligência superior à da humanidade. Esta harmonia e esta sabedoria estendendo-se desde o grão de areia e a pústula até os astros inumeráveis que circulam no espaço, é preciso concluir que esta inteligência envolve o infinito, a menos que se diga que haja efeito sem causa.

6. – A isso alguns contrapõem a objeção seguinte:

As obras ditas da natureza são o produto de forças materiais que agem mecanicamente, por resultado das leis de atração e de repulsão; as moléculas dos corpos inertes se agregam e se desagregam sob o domínio dessas leis. As plantas nascem, desenvolvem-se, crescem e se multiplicam sempre da mesma maneira, cada qual na sua espécie, em virtude dessas mesmas leis; cada coisa é semelhante a aquilo de onde tenha saído; o crescimento, a floração, a frutificação, a coloração estão subordinadas a causas materiais, tais como o calor, a eletricidade, a luz, a umidade, etc. É o mesmo com os animais. Os astros se formam pela atração molecular e se movem perpetuamente em suas órbitas pelo efeito gravitacional. Esta regularidade mecânica no emprego das forças naturais não acusa jamais uma inteligência livre. O homem movimenta seu braço quando ele quer e como ele quer, mas o que o movimentasse no mesmo sentido após seu nascimento até sua morte, seria um autômato; ora, as forças orgânicas da natureza, consideradas em seu conjunto, são, de alguma sorte, automáticas.

Tudo isso é verdadeiro; mas estas forças são efeitos que devam ter uma causa e ninguém pretendeu que constituíssem a divindade. Elas são materiais e mecânicas; não são nunca inteligentes por elas próprias, isso é ainda verdadeiro; mas são colocadas em obras, distribuídas apropriadas para as necessidades de cada coisa por uma inteligência que não é a dos homens. A útil apropriação destas forças é um efeito inteligente que denota uma causa inteligente. Um pêndulo se move com uma regularidade automática e é esta regularidade que faz o mérito. A força que a faz agir é toda material e nada inteligente; mas o que seria deste pêndulo se uma inteligência não tivesse combinado, calculado, distribuído o emprego desta força por lhe fazer movimentar com precisão? Do que a inteligência não está no mecanismo do pêndulo, e do que não se a veja, seria racional concluir que ela não exista? Toma-se-lhe por seus efeitos.

A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; a engenhosidade do mecanismo atesta a inteligência e a sabedoria do relojoeiro. Quando se vê um de seus pêndulos complicados que marcam a hora das principais cidades do mundo, o movimento dos astros, que funcionam das áreas que parecem, em uma palavra, vos falar por vós, dar a propósito denominado esclarecimento do qual tereis necessidade, jamais veio a pensar de qualquer um em dizer: eis um pêndulo bem inteligente?

Assim o é o mecanismo universal; Deus não se mostra, mas afirma-se pelas suas obras.

7. – A existência de Deus é, pois um fato adquirido, não somente pela revelação, mas pela evidência material dos fatos. Os povos, os mais selvagens não tiveram revelação e, entretanto creem indistintamente na existência de um poder sobre-humano; é que os selvagens, por si próprios, não fogem às consequências lógicas; eles veem as coisas que estão acima do poder humano e o concluem que elas provêm de um ser superior à humanidade.

 

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