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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XVII – PREDIÇÕES DO EVANGELHO

SINAIS PRECURSORES

47. – Ouvireis também falar de guerras e de ruídos de guerras; mas resguardai bem de vos turbar, porque é preciso que estas coisas aconteçam, mas isto não se ainda o fim, – porque se verá sublevar povo contra povo, reino contra reino, e haverá pestes, famintos, e tremores de terra em diversos lugares; – e todas estas coisas serão apenas o começo das dores. (São Mateus, cap. XXIV, v. 6 a 8)

 

48. – Então, o irmão liberará o irmão à morte e o pai ao filho; e os filhos se sublevarão contra seus pais e suas mães e os farão morrer. – E vós sereis odiados por todo mundo por causa de meu nome; mas aquele que se preservar até o fim, será salvo. (São Marcos, cap. XIII, v. 12 e 13)

 

49. – Quando virdes que a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel estiver no lugar santo, que o que ler entenda bem o que leu.

Então, que aqueles que estiverem na Judéia, fujam subindo a montanha. – Que aquele que estiver no alto do teto nunca desça para apanhar qualquer coisa de sua casa; – E aquele que estiver no campo nunca retorne para pegar suas vestes. – Mas infeliz das mulheres que estiverem grávidas ou amamentando naqueles dias. – Rezai, pois, a Deus que vossa fuga nunca chegue durante o inverno nem no dia do sábado, – porque a aflição desse tempo lá será tão grande que não o haja nunca tido igual, após o começo do mundo até o presente e que haverá jamais. – E se estes dias não forem abreviados, nenhum homem se salvará, mas estes dias serão abreviados em favor dos escolhidos. (São Mateus, cap. XXIV, v. 15 a 25)

 

50. – Logo após estes dias de aflição o Sol se obscurecerá e a Lua não dará mais sua luz; as estrelas caiarão do céu e os poderes dos céus serão enfraquecidos.

Então o sinal do Filho do homem aparecerá no céu e todos os povos da Terra estarão em pratos e nos gemidos; e verão o Filho do homem que virá sobre as nuvens do céu como uma grande majestade.

E ele enviará seus anjos que farão entender a voz radiosa de suas trombetas e que reunirão seus eleitos dos quatro cantos do mundo desde uma extremidade do céu até a outra.

Aprendei uma comparação tirada da figueira. Quando seus ramos são já tenros e produzem folhas, sabeis que o verão está próximo. – Igualmente, quando virdes todas estas coisas, saibais que o Filho do homem está próximo e que ele é como a porta.

Eu vos digo, em verdade, que esta raça não passará enquanto que todas as coisas não sejam cumpridas. (São Mateus, cap. XXIV, v. 29 a 34)

E chegará o advento do Filho do homem, aquele que chegou ao tempo de Moisés; – porque, como nos últimos tempos antes do dilúvio, os homens comiam e bebiam, casavam-se e casavam seus filhos até o dia em que Noé entrou na arca; – e, como não conheceram o momento do dilúvio senão quando ele sobreveio e envolveu todo mundo, sê-lo-á da mesma forma a vinda do Filho do homem. (São Mateus, cap. XXIV, v. 37 e 38)

 

51. – Quanto a este dia aí, ou a esta hora, ninguém o sabe nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, mas o Pai somente. (São Marcos, cap. XIII, v. 32)

 

52. – Em verdade, em verdade, eu vos digo, chorareis e gemereis e o mundo se regozijará; estareis na tristeza, mas vossa tristeza se mudará em alegria. – Uma mulher, quando ela gera e na dor, porque sua hora é vinda, mas após dar a vida a um filho, ela não se lembrará mais de todos os seus males na alegria que possui, de ter posto um homem no mundo. – É assim que sois agora na tristeza, mas vos verei de novo e vosso coração se rejubilará e ninguém vos arrebatará vossa alegria. (São João, cap. XVI, v. 20 a 22)

 

53. – Surgirão vários falsos profetas que seduzirão muitas pessoas, – e porque a iniquidade abundará, a caridade de muitos se resfriará; – mas aquele que perseverar até o fim será salvo. – E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra para servir de testemunho a todas as nações, e é então que o fim chegará. (São Mateus, cap. XXIV, v. 11 a 14)

 

54. – Este quadro do fim dos tempos é evidentemente alegórico, como a maior parte daquilo que apresentava Jesus. As imagens que contêm são de natureza, por sua energia, que impressione as inteligências ainda rudes. Para quebrar estas imaginações pouco sutis, era necessário pinturas vigorosas, em cores nítidas. Jesus dirigia-se, sobretudo, ao povo, aos homens os menos estarrecidos, incapazes de compreender as abstrações metafísicas, e de assimilar a delicadeza das formas. Para chegar ao coração, era preciso falar aos olhos com auxílio de traços materiais, e aos ouvidos pelo vigor da linguagem.

Por uma consequência natural desta disposição de espírito, o poder supremo não podia, conforme a crença de então, manifestar-se senão por coisas extraordinárias, sobrenaturais; mais fosse impossível, melhor eram aceitos como prováveis.

O Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com uma grande majestade, cercado de seus anjos e ao barulho das trombetas, parecia-lhes bem de outro modo imponente que um ser investido somente de poder moral. Também os judeus que alcançavam no Messias um rei da Terra, poderoso entre todos os reis, para colocar sua nação na primeira filha, e restaurar o trono de Davi e de Salomão, não o queriam reconhecer no humilde filho de um carpinteiro, sem autoridade material, tido como louco por uns e de sobreposto de Satã por outros; não podiam compreender um rei sem asilo e cujo reino não era deste mundo.

Entretanto, este pobre proletário da Judéia tornou-se o maior entre os grandes; conquistou à sua soberania mais reinos que os mais poderosos potentados; somente com sua palavra e alguns miseráveis pescadores, ele revolucionou o mundo, e é a ele que os judeus devem sua reabilitação.

 

55. – É de se notar que, entre os Anciãos, os tremores de terra e o obscurecimento do Sol eram símbolos obrigatórios de todos os acontecimentos e de todos os presságios sinistros; se os reencontra na morte de Jesus, à de César e em uma quantidade de circunstâncias da história do paganismo. Se estes fenômenos fossem produzidos também frequentemente como se conta, pareceria impossível que os homens não o tivessem conservado na memória por tradição. Aqui se junta as estrelas que caem do céu, como para testemunhar às gerações futuras mais esclarecidas, que se trata de uma ficção, já que se sabe que as estrelas não podem cair. (b)

 

56. – Entretanto, sob estas alegorias ocultam-se grandes verdades: é, a princípio, o anúncio das calamidades de todos os gêneros que atingirão a humanidade e a dizimarão; calamidades engendradas pela luta suprema entre o bem e o mal, a fé e a incredulidade, as ideias progressistas e as ideias retrógradas. Em segundo lugar, a da difusão por toda a Terra do Evangelho restabelecido na sua pureza primitiva; depois, o reino do bem, que será o da paz e da fraternidade universal, sairá do código de moral evangélica posta em prática por todos os povos. Este será verdadeiramente o reino de Jesus, já que ele presidirá a seu estabelecimento e que os homens viverão sob a égide de sua lei; reino de bondade porque diz ele, “após os dias de aflição virão os dias de alegria”.

 

57. – Quando acontecerão estas coisas? “Ninguém o sabe, diz Jesus, nem mesmo o Filho”; mas, quando o momento vier, os homens serão advertidos pelos índices precursores. Estes índices não estão nem no Sol, nem nas estrelas, mas, no estado social, e nos fenômenos mais morais que físicos e que se pode em parte deduzir de suas alusões.

É bem certo que esta troca não podia se operar durante a vivência dos apóstolos, de outra forma, Jesus não teria podido ignorá-lo, e, aliás, uma tal transformação não poderia se cumprir em alguns anos. Entretanto, ele lhes fala como se eles devessem ser testemunhas; é que, em efeito, eles poderão reviver a essa época e trabalharem eles mesmos na transformação. Logo, ele fala da sorte próxima de Jerusalém e logo ele toma este fato como ponto de comparação para o futuro.

 

58. – É o fim do mundo que Jesus anuncia pela sua nova vinda e quando diz: “Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, é então que o fim chegará”?

Não é racional supor que Deus destruísse o mundo precisamente no momento em que ele entrará na trilha do progresso moral pela prática dos ensinamentos evangélicos: nada, aliás, nas palavras do Cristo, indica uma destruição universal a qual, em tais condições, não seria justificada.

A prática geral do Evangelho, devendo causar um melhoramento no estado moral dos homens, causará por ele mesmo, o reino do bem e ocasionará a queda do reino do mal. É, pois, o fim do velho mundo, do mundo governado pelos prejulgamentos, o orgulho, o egoísmo, o fanatismo, a incredulidade e todas as más paixões que o Cristo faz alusão quando diz: “Quando o Evangelho for pregado por toda Terra, é então que o fim chegará, mas este fim ocasionará uma luta, e é desta luta que surgirão os males que ele previu”.


NOTAS DO TRADUTOR

(b) Mas na época de Jesus as estrelas eram consideradas fixas numa abóbada que cobria a Terra.

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