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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO IX – REVOLUÇÕES DO GLOBO

REVOLUÇÕES PERIÓDICAS

6. – Mais além do seu movimento anual em torno do Sol, que produz as estações, seu movimento de rotação sobre ela mesma em 24 horas, que produz o dia e a noite, a Terra possui um terceiro movimento que se complementa em torno de 22 mil anos (mais exatamente 25.868 anos) que produz o fenômeno designado em astronomia sob o nome de precisão dos equinócios.

Este movimento que seria impossível de explicar em poucas palavras, sem configurações e sem uma demonstração geométrica, consiste em uma sorte de balanceio circular que se comparou ao do pião agonizante, por sequência do qual o eixo da Terra, mudando de inclinação, descreve um duplo cone onde o fulcro está no centro da Terra e as bases compreendem a superfície circular circunscrita pelos círculos polares; ou seja, uma amplitude de 23 graus e meio de raio. (2)

7. – O equinócio é o instante onde o Sol, passando de um hemisfério para o outro, se encontra perpendicularmente sobre o equador, o que acontece duas vezes por ano, a 20 de março quando o Sol penetra no hemisfério boreal e 22 de setembro quando retorna para o hemisfério austral.

Mas, como consequência da troca gradual na obliquidade do eixo, o que causa um na obliquidade do equador sobre a eclíptica, o instante do equinócio se encontra cada ano adiantado de alguns minutos (25 min 7 seg). É este avanço que é chamado de precessão dos equinócios (do latim prœcedere, marchar adiante, composto de prœ – adiante e cedere – ir-se).

Estes alguns minutos, ao longo do tempo, formam horas, dias, meses e anos; resulta que o equinócio da primavera, que chega atualmente em março, chegará, em um tempo dado, em fevereiro, depois em janeiro, depois em dezembro e então o mês de dezembro terá a temperatura do mês de março, e março o de junho e assim sucessivamente até que, em retornando ao mês de março, as coisas se encontrarão no estado atual, o que terá lugar em 25.868 anos, para recomeçar a mesma revolução indefinidamente (3).

8. – Resulta deste movimento cônico do eixo que os polos da Terra não guardam constantemente os mesmos pontos do céu; que a estrela Polar não estará sempre como estrela Polar; que os polos estarão gradualmente mais ou menos inclinados sobre o Sol e em recebendo raios mais ou menos diretos; de onde, segue que a Islândia e a Lapônia, por exemplo, que estão sob o círculo polar, poderão, dentro de um determinado tempo, receber os raios solares como se eles estivessem na latitude da Espanha e da Itália, e que, na posição oposta extrema, a Espanha e a Itália poderão ter a temperatura da Islândia e da Lapônia e assim, por sequência para cada renovação do período de 25 mil anos.

9. – A consequência deste movimento não pode ainda ser determinada com precisão, porque não se pôde observar sequer uma tênue parte de sua revolução; não há, pois com referência a isto que tal pressuposição qualquer delas, tenha uma certa probabilidade.

Estas consequências são:

1° O aquecimento e o esfriamento alternado dos polos e, por conseguinte, a fusão dos gelos polares durante a metade do período de 25 mil anos, e sua formação novamente durante a outra metade deste período. De onde resultará que os polos jamais seriam voltados a uma esterilidade perpétua, mas gozariam a seu turno a favor da fertilidade.

2° O deslocamento parcial do mar que invadia pouco a pouco as terras, ao passo que ele descobre outras, para abandoná-las novamente e reentrar em seu antigo leito. Este movimento periódico renovado indefinidamente constituiria uma verdadeira maré universal de 25 mil anos.

A lentidão com a qual se opera este movimento do mar lhe torna quase imperceptível em relação a cada geração; mas, é sensível ao fim de alguns séculos. Não pode causar nenhum cataclismo súbito, já que os homens se retiram, de geração em geração, à medida que o mar avança, e eles avançam sobre as terras de onde o mar se retira. É, por este motivo, mais que provável que alguns sábios atribuam a retirada do mar sobre certas costas e sua invasão sobre outras.

10. – O deslocamento lento, gradual e periódico do mar é um fato adquirido pela experiência, e atestado por numerosos exemplos sobre todos os pontos do globo. Tem por consequência a conservação das forças produtivas da Terra. Esta longa imersão é um tempo de repouso durante o qual as terras submersas recuperam os princípios vitais consumidos por uma produção não menos longa. Os imensos depósitos de matéria orgânica formados pela demora das águas durante séculos de séculos, são adubos naturais periodicamente renovados, e as gerações se sucedem sem se aperceber desta troca (4).


NOTAS

(2) Uma ampulheta composta de dois copos cônicos, que gira sobre si mesma numa posição inclinada; ou ainda dois bastões cruzados em forma de X girando sobre seu ponto de intersecção, podem dar uma ideia aproximada da figura formada por este movimento do eixo.

(3) A precessão dos equinócios causa uma outra troca, a que se opera na posição dos signos do zodíaco.

A Terra girando em torno do Sol em um ano, à medida que ela avança, o Sol se encontra cada mês diante de uma nova constelação. Estas constelações são em número de doze, a saber: Aires, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. São chamadas de constelações zodiacais ou signos do zodíaco e formam um círculo no plano do equador terrestre. Conforme o mês de nascimento do indivíduo, diz-se que ele seria nascido sob tal signo, daí, os prognósticos da astrologia. Mas, pela sequência da precessão dos equinócios, chega-se que os meses não correspondem mais às mesmas constelações que havia a 2000 anos; o que nasce no mês de julho, não é mais do signo de Leão, mas, do de Câncer. Assim tomba a ideia supersticiosa correlata com a influência dos signos. (Cap. V, n° 12)

(4) Entre os fatos, os mais recentes que provam o deslocamento do mar, pode-se citar os seguintes:

No golfo de Gasconha, entre o velho Soulac e a torre de Corduan, quando o mar está calmo, descobre-se ao fundo da água panos de muralha; são os restos de antiga e grande cidade de Noviomagus, invadida pelas vagas em 580. O penedo de Corduan, que era então ligado à margem e está agora a 12 quilômetros.

No mar da Mancha, na Costa do Havre, o mar ganha cada dia, terreno e mina as faleses de Santa Andressa que se desmoronam pouco a pouco. A 2 km da costa, entre santa Andressa e o cabo da Heveia existe o banco do Esplendor, outrora a descoberto e reunido à terra firme. De velhos documentos constavam que sobre este local, onde se navega atualmente, existia a vila de São Denis chefe de Caux. O mar indo invadir o terreno ao XIV século, a igreja foi encoberta em 1378. Pretende-se que se lhe veja os restos no fundo da água nas calmarias.

Sobre quase toda extensão do litoral da Holanda, o mar só é retido pela força de diques que se rompem de tempos em tempos. O antigo lago Flevo, reunido ao mar em 1225, forma atualmente o golfo da Zuyderzée. Esta erupção do oceano engoliu várias aldeias.

Depois disto, o território de Paris e da França será um dia de novo, ocupado pelo mar, como já tem sido por diversas vezes, tal como o provam as observações geológicas. As partes montanhosas formarão então ilhas como o são atualmente Jersey, Guernesey, a Inglaterra, em tempos idos contíguas ao continente.

Navegar-se-á sobre os campos que se percorre atualmente em ferrovias; os navios aportarão em Montmartre, no monte Valério, nas costas de Saint Cloud e de Meudon; os bosques e as florestas onde se passeia serão sepultados sob as águas, recobertos de limo e povoados de peixes em lugar dos pássaros.

O dilúvio bíblico não pode ter tido esta causa, já que a invasão das águas foi súbita e sua permanência de curta duração, enquanto que de outra forma ela teria sido de vários milhares de anos e perduraria ainda, sem que os homens se dessem por apercebidos.

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