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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO VII – ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

PERIODO DILUVIANO

41. – Este período está marcado por um dos maiores cataclismos que perturbaram o globo, mudando ainda uma vez o aspecto da superfície e destruindo sem retorno uma multidão de espécies vivas das quais não se encontram senão vestígios. Por toda parte deixou seus traços que atestam sua generalidade. As águas violentamente lançadas de seu leito invadiram os continentes, arrastando com elas as terras e as rochas, desnudando as montanhas, devastando as florestas seculares. Os novos depósitos que elas formaram são designados em Geologia pelo nome de terrenos diluvianos.

42. – Um dos traços mais significativos deste grande desastre, são as rochas chamadas blocos erráticos. Chamam-se assim rochas de granito que se encontram isoladas nas planícies repousando sobre terrenos terciários e ao meio de terrenos diluvianos, por vezes, a várias centenas de léguas das montanhas das quais elas foram arrancadas. É evidente que elas não puderam ser transportadas a também grandes distâncias senão pela violência das correntes. (7)

43. – Um fato nada menos característico e do qual não se explica ainda a causa, é o que está nos terrenos diluvianos onde se encontram os primeiros aerólitos (8); é pois a esta época somente que eles começaram a cair. A causa que os produziu não existia, pois anteriormente.

44. – É ainda por esta época que os polos começaram a se cobrir de gelos e que se formam as geleiras das montanhas, o que indica uma notável mudança na temperatura do globo. Esta troca deve ter sido súbita, porque se ela se operasse gradualmente, os animais tais como os elefantes, que não vivem em nossos dias senão em climas quentes e que se encontram em tão grande número no estado fossilizado nas terras polares, teriam tido tempo de se retirar pouco a pouco para as regiões mais temperadas. Tudo prova, ao contrário, que eles deveram ter sido tomados bruscamente por um grande frio e envolvidos pelos gelos.

45. – Este foi, pois lá o verdadeiro dilúvio universal. As opiniões estão repartidas sobre as causas que o puderam produzir, mas, quaisquer que elas sejam, o fato em si não mais existe.

Supõe-se assaz geralmente que uma troca brusca teve lugar na posição do eixo da Terra, para em seguida do que os polos foram mudados; daí uma projeção geral das águas sobre a superfície. Se esta troca se operasse com lentidão, as águas seriam desalojadas gradualmente, sem abalo, tanto que tudo indica uma comoção violenta e súbita. Da ignorância de onde seja a verdadeira causa, só se pode emitir hipóteses.

O desalojamento súbito pode também ter sido ocasionado pelo soerguimento de certas partes da crosta sólida e a formação de novas montanhas no seio dos mares, assim é que teve lugar o começo do período terciário; mas outro aspecto é que o cataclismo não foi geral, além do mais não explicaria a troca súbita da temperatura dos polos.

46. – Na tormenta causada pela convulsão das águas, muitos animais pereceram; outros, para escaparem da inundação, retiraram-se para as alturas, nas cavernas e rachaduras, onde pereceram em massa, seja por fome, seja em se devorando, ou ainda talvez também por irrupção das águas nos lugares onde estavam refugiados, e de onde não podiam escapar. Assim se explica a grande quantidade de ossadas de animais diversos, carniceiros e outros que se encontram desordenados em certas cavernas, chamada por certa razão cavernas ou brechas ósseas. Em quaisquer umas as ossadas pareceram ai estar entranhadas por corrente das águas. (9)


NOTAS

(7) É um destes blocos, proveniente evidentemente, por sua composição, das montanhas da Noruega, que serve de pedestal à estátua de Pedro o Grande, em São Petersburgo.

(8) Pedras caídas da atmosfera.

(9) Conhece-se um grande número de cavernas semelhantes, onde algumas têm uma extensão considerável. Existe-as no México que têm várias léguas; a de Aldesbergue, em Carniole (Áustria), não tem menos do que três léguas. Uma das mais notáveis é a de Gailenroite, no Wutembergue. Há várias na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Sicília e outros países da Europa.