[layerslider id=”3″]

A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
Print Friendly, PDF & Email

CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

48. – A multiplicação dos pães é um dos milagres que mais tem intrigado os comentaristas, ao mesmo tempo em que tem divertido a verve dos incrédulos. Sem se dar ao trabalho de lhe sondar o sentido alegórico, estes últimos viram apenas um conto pueril; mas, a maior parte das pessoas sérias viu neste relato algo sob uma forma diferente da forma ordinária, uma parábola comparando a nutrição espiritual da alma com a nutrição do corpo.

Pode-se aí ver, entretanto mais do que uma figura e admitir, sob um certo ponto de vista, a realidade de um efeito material, sem para isso recorrer ao prodígio. Sabe-se que uma grande preocupação de espírito, a atenção sustentada, dada a uma coisa, fazem esquecer a fome. Ora, os que seguiam Jesus, eram pessoas ávidas de o entender: não há, pois, nada de espantoso ao que, fascinados por sua fala e talvez também pela poderosa ação magnética que exercia sobre eles, eles não tinham provado a necessidade material de comer.

Jesus, que previa este resultado, pôde, pois, tranquilizar seus discípulos dizendo em linguagem figurada que lhe era habitual, admitindo que levassem alguns pães, que estes pães bastariam para satisfazer a multidão. Ao mesmo tempo deu a eles uma lição: “Dai-lhe vós mesmos de comer”, disse; ele os ensinava por isto que também podiam nutrir-se pelas palavras.

Assim, ao lado do senso alegórico moral ele pôde produzir um efeito fisiológico natural muito conhecido. O prodígio, neste caso, está na ascendência da palavra de Jesus assaz poderosa para cativar a atenção de uma multidão imensa ao ponto de lhe fazer esquecer de comer. Este poder moral testemunho da superioridade de Jesus bem mais do que o fato puramente material da multiplicação dos pães que deve ser considerado como uma alegoria.

Esta explicação se encontra, aliás, confirmada pelo próprio Jesus, nas duas passagens seguintes:

O levedo dos fariseus

49. – Ora, seus discípulos, estando passado para o lado de lá da água, tinham se esquecido de pegar os pães. – Jesus lhes disse: Tendes atenção de vos guardar do levedo dos fariseus e dos saduceus. – Mas eles pensavam e diziam entre si: É porque nós não trouxemos nenhum pão.

O que Jesus, sabendo, disse-lhes: Homens de pouca fé, por que vos entretendes concordes do que não trouxe nenhum pão? Não compreendeis nunca ainda e não vos lembrais nunca que cinco pães foram suficientes para cinco mil homens, e quanto vos sobrou na cesta? E que sete pães foram suficientes para quatro mil homens, e quanto tereis levado no cesto? – Como não compreendeis que este não é o pão de que vos falei, quando vos disse para guardar o levedo dos fariseus e dos saduceus?

Então, compreenderam que ele não os tinha dito para se guardar do levedo que se coloca no pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. (São Mateus, cap. XVI, v.5 a 12)

O pão do céu

50. – No dia seguinte, o povo que permanecia do outro lado do mar, notou que não havia existido nenhum outro barco e que Jesus sequer entrara com seus discípulos, mas que os discípulos sozinhos se foram; – e como depois chegaram outros barcos de Tiberíades, próximo do lugar onde o Senhor, após ter rendido graças, os havia alimentado com cinco pães; – e que reconheceram enfim que Jesus jamais estivera lá não mais que seus discípulos, entraram nestes barcos e vieram a Cafarnaum procurar Jesus. – E tendo encontrado do lado de lá do mar, disseram-lhe: Mestre, quando sois vindo aqui?

Jesus lhes respondeu: em verdade em verdade eu vos digo, vós me procurais não à cata dos milagres que tivesteis visto, mas porque vos dei pão a comer e ficasteis fartos. – Trabalhai não para ter a nutrição que perece mas aquela que permanece pela vida eterna e que o filho do homem vos dará porque é nele que Deus o Pai imprimiu sua chancela e seu caráter.

Eles lhe disseram: Que faremos nós para fazer obras de Deus? – Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é a que é que credes em quem Ele enviou.

Eles lhe disseram: Qual milagre, pois, fareis a fim de que em o vendo, nós acreditemos em vós? Que fizesteis de extraordinário? – Nossos pais comeram o maná no deserto; conforme o que está escrito. Ele lhes deu a comer o pão do céu.

Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade eu vos digo, Moisés nunca vos deu o pão do céu; mas é meu pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. – Porque o pão de Deus é aquele que desceu do céu e dá a vida ao mundo.

Eles lhe disseram, então: Senhor, dai-nos sempre deste pão.

Jesus lhe respondeu: Eu sou o pão vida; aquele que vier a mim nunca terá fome e o que acreditar em mim jamais terá sede. – Mas eu já vos tenho dito, vós me tendes visto e nunca acreditais.

Em verdade, em verdade, eu vos digo, aquele que acreditar em mim tem a vida eterna. – Eu sou o pão vida. – Vossos pais comeram o maná no deserto e estão mortos. – Mas eis aqui o pão que desceu do céu, a fim de que aquele que o coma não morra nunca. (São João, cap. VI, v.2 a 36 e 47 a 50)

51. – Na primeira passagem, Jesus, lembrando o efeito produzido anteriormente dá claramente a entender que nunca tratou de pão material; senão, a comparação que ele estabeleceu com o levedo estaria sem objetivo. “Nunca compreendeis ainda, diz ele e não lembrais nunca que cinco pães foram suficientes para cinco mil homens e eu sete pães foram suficientes para quatro mil homens? Como não compreendeis nunca que não é do pão que vos falava, quando vos disse para vos preservardes do levedo dos fariseus?” Esta comparação não teria nenhuma razão de ser na hipótese de uma multiplicação material. O fato fora assaz extraordinário em si próprio para ter atingido a imaginação de seus discípulos que, entretanto, não pareciam lembrar-se disso.

É o que resulta não menos claramente do discurso de Jesus sobre o pão do céu no qual ele se vincula em fazer compreender o sentido verdadeiro do alimento espiritual. “Trabalhai, diz ele, não para ter o alimento que fenece, mas aquele que permanece para a vida eterna e que o Filho do homem vos dará.” Este alimento é sua palavra que é o pão descido do céu e que dá a vida ao mundo. “Eu sou, diz ele, o pão da vida; aquele que vier a mim nunca terá fome, e o que crê em mim não terá jamais sede”.

Mas estas distinções eram bastante sutis para estas naturezas brutas que só compreendiam coisas tangíveis. O maná (d) que havia nutrido o corpo de seus ancestrais era para eles o verdadeiro pão do céu; aia estava o milagre. Se pois o fato da multiplicação dos pães tivesse tido lugar materialmente, como estes mesmos homens, ao proveito daqueles para os quais fora produzido poucos dias antes, teriam sido assaz pouco tocado para dizer a Jesus: “Que milagre pois fizestes, a fim de que em vendo-o nós vos acreditemos? Que fizestes de extraordinário?” É que entendiam por milagre os prodígios que demandavam dos fariseus, ou seja, os sinais no céu, operados ao comando, como por uma varinha de um encantador. O que fazia Jesus era bastante simples e não se afastava o suficiente das leis da natureza; as curas, mesmo, não tinham um caráter assaz estranho; assaz extraordinário; os milagres espirituais não tinham bastante corpo para eles.


NOTA DO TRADUTOR

(c) Alavanca psíquica.

(d) Alimento sagrado que Deus enviou aos homens no deserto – (Êxodo XVI).

Print Friendly, PDF & Email